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UOL Economia há 76 d • Qui, 20 Ago 2026 01:09:30 -0300

Dívida dos EUA supera R$ 207 trilhões pela 1ª vez e eleva custo de crédito

Dívida dos EUA supera R$ 207 trilhões pela 1ª vez e eleva custo de crédito

A dívida pública bruta dos Estados Unidos ultrapassou US$ 40 trilhões na última quarta-feira (19), impulsionada por gastos militares, cortes de impostos e devoluções tarifárias do governo de Donald Trump.

O que aconteceu

O país deve pegar emprestado mais de US$ 1,98 trilhão apenas neste ano para cumprir obrigações financeiras, de acordo com o jornal The New York Times. Esse montante inclui custos com a guerra no Irã e os amplos cortes de impostos federais que os Republicanos aprovaram em 2025.

Gastos com previdência social, medicamentos e juros da dívida consomem uma parcela elevada do orçamento federal. O novo recorde ocorre cinco meses após a dívida chegar US$ 38,8 trilhões em março de 2026, e outros cinco meses depois de alcançar US$ 37,8 trilhões, em outubro de 2025, segundo dados da agência de notícias AP.

Os juros exorbitantes pagos a investidores da dívida americana representam quase metade do déficit atual. Essa despesa empurra as finanças dos Estados Unidos para um buraco financeiro cada vez mais profundo e preocupante.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, admitiu que os déficits avançam na direção errada neste ano. Bessent justificou o quadro apontando os custos militares da guerra no Irã e a devolução de tarifas alfandegárias.

A Suprema Corte anulou impostos sobre importações, forçando a devolução de US$ 160 bilhões a empresas. A medida enfraqueceu a arrecadação projetada pela gestão do presidente Donald Trump para conter o rombo fiscal.

As promessas de Trump e os cortes frustrados

A promessa de Donald Trump de zerar a dívida americana em oito anos acabou não se concretizando. Desde sua primeira candidatura presidencial em 2016, a dívida pública bruta do país praticamente dobrou.

O Departamento de Eficiência Governamental, que foi liderado por Elon Musk, entregou apenas uma fração da economia prometida. Do US$ 1 trilhão em cortes anunciados, o órgão alega ter poupado pouco mais de US$ 190 bilhões, segundo o "New York Times".

O Escritório de Responsabilidade Governamental contestou publicamente os números de economia da gestão de Musk. Em relatório oficial divulgado neste mês, o órgão declarou que as estimativas da pasta carecem de transparência e confiabilidade.

Apreensão no mercado e juros em alta

Os investidores reagiram com forte desconfiança e passaram a exigir retornos maiores para comprar títulos americanos. Com isso, o rendimento dos títulos do Tesouro de 30 anos atingiu a maior taxa em quase duas décadas.

Especialistas afirmam que o endividamento encarece financiamentos imobiliários e de veículos para os americanos. Eles também avaliam que a dívida reduz recursos das empresas para investir, o que pode pressionar salários e os preços de bens e serviços.

O governo do presidente Donald Trump diz buscar reduzir desperdícios, fraudes e abusos nos gastos federais. Kush Desai, porta-voz da Casa Branca, afirmou que a gestão também aposta no crescimento econômico para melhorar a relação entre dívida e o PIB.

Especialistas alertam ainda para o risco de uma espiral descontrolada do endividamento público federal. Marc Goldwein, diretor do Comitê para um Orçamento Federal Responsável, classificou o início desse ciclo como o fator mais assustador.

O banco central norte-americano também estuda reduzir sua carteira bilionária de títulos do governo. Sob a liderança de Kevin M. Warsh, o Federal Reserve planeja enxugar ativos de US$ 6,8 trilhões acumulados em crises.

Analistas apontam que os principais gastos do orçamento federal continuam crescendo sem controle legislativo. Margaret Spellings, do Centro de Políticas Bipartidárias, afirmou que o "país caminha a passos largos para um precipício fiscal".

Endividamento cresceu sob diferentes governos

A dívida dos EUA aumentou ao longo de vários governos porque o país gasta mais do que arrecada em impostos. Durante a pandemia de covid-19, o governo norte-americano tomou empréstimos em larga escala nos mandatos de Trump e de Joe Biden para estabilizar a economia e apoiar a recuperação.

Trump também sancionou em 2025 uma lei republicana que reduziu impostos e autorizou mais gastos. Defensores do equilíbrio orçamentário alertam que o aumento dos empréstimos e dos juros exigirá escolhas fiscais mais difíceis no futuro.

Os EUA têm um teto legal para a dívida, que o Congresso pode fixar, alterar ou eliminar. O Bipartisan Policy Center estima que o país deve atingir o limite de US$ 40,9 trilhões entre março e agosto de 2027, quando o Congresso terá de decidir se eleva ou suspende o teto.

A posição fiscal dos EUA é a pior entre os países desenvolvidos, conforme análise recente da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a OCDE. Margaret Spellings, presidente do Bipartisan Policy Center, disse que a trajetória atual da dívida é insustentável.

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