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Esporte Exame (Negócios e Economia) há 93 d • 30/07/2026 12:09

Mercado das SAFs avança no Sul e Avaí fecha negócio de R$ 400 milhões

Mercado das SAFs avança no Sul e Avaí fecha negócio de R$ 400 milhões

Bernardo Pessi, presidente do Avaí (Divulgação/Divulgação)

Publicado em 30 de julho de 2026 às 12h09.

Última atualização em 30 de julho de 2026 às 12h19.

O Avaí Futebol Clube, atualmente na Série B do Campeonato Brasileiro, aprovou a venda de 90% das ações de sua SAF à Kactus Capital.

Carinhosamente chamado de Leão da Ilha, o clube de Florianópolis será protagonista de uma operação superior a R$ 400 milhões, que prevê o pagamento de dívidas históricas e novos investimentos na base, na infraestrutura e na equipe profissional.

O clube entra agora em uma nova etapa de sua história, marcada pela atração de capital, pela profissionalização da gestão e pela busca de maior competitividade esportiva.

Maior campeão catarinense, com 19 títulos estaduais, o clube ficou conhecido nacionalmente também por ter entre seus torcedores mais ilustres o ex-tenista Gustavo Kuerten, o Guga, número 1 do mundo e tricampeão de Roland Garros.

Com a aprovação do Conselho Deliberativo e de 80% dos votos dos associados, a negociação entrou em uma fase de 60 dias de diligências, avaliações contratuais e estruturação burocrática. A transferência definitiva do controle será concluída após o cumprimento dessas etapas. O processo também inclui a estruturação da segunda parcela, de R$ 2,5 milhões, do aporte emergencial realizado pela investidora.

“A proposta foi discutida por conselheiros e torcedores e aprovada por 80% dos votos dos sócios. A injeção de recursos, acompanhada por melhorias na governança, marca o início de um período de muito trabalho que pode garantir a sustentabilidade e a competitividade do Avaí”, afirma o presidente Bernardo Pessi.

Neto do ex-presidente Aroldo Pessi, o dirigente assumiu o comando do clube em janeiro de 2026 e lidera um processo de reorganização e reconstrução financeira. Entre as prioridades estão a aproximação com a arquibancada, a atração de patrocinadores e parceiros e a renegociação dos débitos.

As dívidas acumuladas pelo Avaí já superam R$ 300 milhões. Além de assumir a responsabilidade pelo passivo, a Kactus Capital comprometeu-se a investir pelo menos R$ 75 milhões no projeto esportivo durante os três primeiros anos, R$ 20 milhões nas categorias de base ao longo de dez anos e R$ 5 milhões em infraestrutura nos próximos cinco anos. A empresa também assumirá os custos cotidianos da operação e da manutenção do futebol.

O Leão da Ilha mantém ainda uma transação tributária para reorganizar obrigações fiscais e trabalha para garantir recursos destinados ao pagamento dos tributos correntes e das parcelas futuras do acordo.

Em campo, o trabalho começou com títulos. Nos primeiros meses do ano, o Avaí conquistou a Recopa Catarinense de 2026 e tornou-se o primeiro campeão da Copa Sul-Sudeste, competição organizada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

O desempenho esportivo aparece como uma das primeiras prioridades dos novos controladores. A Kactus Capital reservou R$ 5 milhões, divididos em duas parcelas, para atender a necessidades emergenciais do clube. A primeira metade foi depositada após a aprovação do Conselho Deliberativo, enquanto a segunda começou a ser estruturada depois da votação dos associados. Os recursos ajudaram a regularizar compromissos com atletas, funcionários e integrantes da comissão técnica.

O objetivo imediato é garantir a permanência do Avaí na Série B. Depois de 20 rodadas, o clube ocupa a 18ª posição, com 20 pontos, dentro da zona de rebaixamento para a terceira divisão.

“Nosso projeto é de longo prazo e tem foco no campo. Vamos investir pesado na base, implementar melhorias na gestão e buscar o sucesso esportivo, essencial para a geração de receitas”, afirma Rafael Matheus Dantas, sócio e gestor da Kactus Capital.

Com maior fôlego financeiro, o departamento de futebol passou a buscar reforços para o restante da temporada. A estrutura profissional também deverá receber suporte nas áreas de análise de desempenho, recrutamento, saúde e preparação física.

O contrato estabelece um piso para a folha salarial do elenco de acordo com a divisão disputada. Na Série B, o valor mínimo será de R$ 2,5 milhões mensais, além dos impostos. Caso o time retorne à Série A, o patamar subirá para pelo menos R$ 7 milhões mensais, também acrescidos dos tributos.

Para os investidores, a principal possibilidade de retorno está na formação e na negociação de jogadores. A estratégia passa por aumentar os recursos destinados às categorias inferiores, melhorar a transição dos jovens para o elenco profissional e permitir que os principais talentos permaneçam por mais tempo antes de serem vendidos.

“O investimento no futebol de base, na nossa perspectiva, é o que pode trazer um retorno muito maior. Isso não se constrói do dia para a noite”, afirma Dantas. O executivo cita o atacante Raphinha, formado pelo Avaí e negociado ainda jovem por aproximadamente 600 mil euros, como exemplo de um ativo que poderia ter gerado uma receita muito maior ao clube.

Rafael Matheus Dantas, sócio e gestor da Kactus Capital (Divulgação/Divulgação)

A estratégia combina o desempenho dentro de campo com o potencial econômico de Florianópolis. A cidade reúne consumidores com renda elevada, forte presença turística e crescimento populacional alimentado pela chegada de novos moradores.

“A gente olha um clube que tenha histórico de venda de atletas, uma cidade com potencial turístico e econômico muito forte, uma grande base de torcedores e uma marca relevante. Tudo isso encontramos no Avaí”, destaca Dantas.

A expectativa é que uma equipe competitiva, capaz de retornar à Série A e disputar torneios nacionais relevantes, também amplie as receitas provenientes de bilheteria, programas de sócios, patrocínios, direitos de transmissão e exploração comercial do estádio, a Ressacada.

O investidor, entretanto, evita prometer uma transformação imediata. “Ninguém está vendendo um milagre. Não existe caminhão de dinheiro nem sheik árabe. Teremos um ou dois anos duros, e depois a situação tende a melhorar”, afirma.

O processo de transformação foi discutido por mais de três anos, com a criação de comissões especiais do Conselho Deliberativo e a realização de seminários com sócios, torcedores e especialistas.

“Foram definidas algumas diretrizes básicas que guiaram todo o processo, como a obrigatória proteção do patrimônio e a preservação da história e dos símbolos do Avaí”, afirma o advogado e conselheiro Tullo Cavallazzi Filho.

Especialista em Direito Empresarial e Desportivo, Cavallazzi presidiu a Comissão Especial de Direito Desportivo do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil durante o período de discussão do novo marco jurídico do futebol. Também integrou a comissão criada pelo Avaí para estudar os diferentes modelos de investimento e as condições para uma possível transformação.

O contrato preserva integralmente a Ressacada e o centro de treinamento como propriedades da associação. O Avaí terá um terço das cadeiras dos Conselhos de Administração e Fiscal e poder de veto sobre alterações no nome, nas cores, no hino, no estádio e na cidade-sede. Também poderá impedir mudanças relevantes na composição do grupo de investidores.

Outro diferencial será a possibilidade de reservar, futuramente, pelo menos 10% das ações para os próprios torcedores. “O Avaí é um dos clubes mais democráticos do país, e o modelo construído aqui preservou espaços para essa participação no dia a dia do Leão”, afirma Cavallazzi.

A operação coloca o Avaí no centro de um movimento que ganha força no Sul do país. A região reúne atualmente 28 sociedades empresariais do futebol: 14 no Paraná, 12 em Santa Catarina e duas no Rio Grande do Sul.

Em 27 de novembro de 2024, o Brasil tinha 95 SAFs registradas. O número passou para 117 em 22 de julho de 2025, alcançou 127 em 17 de dezembro e chegou a 142 no levantamento com data de corte de 17 de julho de 2026. Em menos de dois anos, o crescimento foi de 49,5%.

A atualização mais recente do Instituto Brasileiro de Estudos e Desenvolvimento da Sociedade Anônima do Futebol (IBESAF) identificou 19 novas empresas e excluiu outras quatro que apresentavam situação cadastral irregular perante a Receita Federal. Das novas organizações encontradas, três estão sediadas no Sul: uma no Paraná, uma em Santa Catarina e outra no Rio Grande do Sul.

A profissionalização ganhou ritmo a reboque de mudanças legais que estimulam a adoção de padrões empresariais na administração dos clubes. A Lei nº 14.193, que instituiu a Sociedade Anônima do Futebol, entrou em vigor em 2021. O marco foi atualizado em junho de 2026 pela Lei nº 15.427, que reforçou regras de governança, transparência e proteção a clubes, investidores e atletas em formação.

“A Lei da SAF permite a aproximação de dois grupos de agentes que sempre conviveram no ecossistema esportivo, mas que não mantinham o relacionamento adequado: o clube, detentor histórico do futebol, e os investidores, que, em mercados maduros, viabilizam o desenvolvimento da atividade, o crescimento do setor e, em muitos casos, o resgate da tradição de agremiações em dificuldades financeiras”, afirma o advogado Rodrigo Monteiro de Castro, coidealizador do anteprojeto que deu origem à legislação.

“O marco legal é um avanço histórico no Brasil, que passou a oferecer um dos regramentos mais sofisticados do mundo para o mercado do futebol”, completa.

A mudança da estrutura jurídica, no entanto, não representa uma fórmula automática para o sucesso. Advogado, ex-presidente do Sport Club Internacional e atualmente professor, mentor e consultor da FootHub, Fernando Carvalho defende que existem bons e maus exemplos tanto entre clubes associativos quanto entre empresas do futebol.

Presidente do Colorado nas conquistas da Copa Libertadores da América e do Mundial de Clubes da FIFA de 2006, Carvalho avalia que o resultado depende menos do formato adotado e mais da capacidade de construir uma administração profissional. Não existe uma única receita capaz de atender às diferentes realidades das agremiações, seja no modelo de clube asssociativo ou SAF.

Qualquer projeto de longo prazo, porém, precisa estar apoiado em três pilares: competitividade, perenidade e sustentabilidade. Isso inclui infraestrutura adequada, formação de atletas, controle financeiro, geração de receitas, governança, planejamento e profissionais capacitados para comandar todas as áreas da operação. “Em resumo, gestão altamente profissional”, resume a análise publicada pela FootHub.

A corrida pela profissionalização reflete uma transformação mais ampla. O futebol deixou há tempos de ser apenas uma disputa esportiva para se consolidar como um dos protagonistas do bilionário mercado mundial do entretenimento.

Onze minutos. Espremido entre os dois tempos da final da Copa do Mundo de 2026, o primeiro show oficial de intervalo da história da competição exigiu que estrelas acostumadas ao protagonismo, como Madonna, Shakira, Justin Bieber e o grupo BTS, dividissem uma apresentação condensada diante de uma audiência global.

A partida entre Espanha e Argentina, vencida pelos espanhóis por 1 a 0 na prorrogação, e o espetáculo musical realizado no New York New Jersey Stadium deram outra demonstração do poder econômico do esporte. Ao mesmo tempo, reforçaram a importância da profissionalização da gestão e da atração de capital. Em um negócio dessa envergadura, o amadorismo de outros tempos não tem mais vez.

As mudanças começaram há décadas nos mercados mais desenvolvidos. Inglaterra, Espanha e França concentram alguns dos clubes mais valiosos do planeta. Nos Estados Unidos, a Major League Soccer (MLS) ganhou envergadura para atrair talentos consagrados, como Lionel Messi, e ampliou sua exposição com a realização do Mundial no país.

É nesse ambiente que o Avaí tenta construir seu novo ciclo. A estrutura empresarial abre a porta para investimentos, governança e novas fontes de receita. O desempenho esportivo e a sustentabilidade financeira dirão se o Leão da Ilha conseguirá transformar a oportunidade em um projeto competitivo e perene.

Em final emocionante com oito gols no tempo regulamentar, equipe mineira garantiu o título em Quito e uma vaga no primeiro Mundial de Clubes feminino, em 2028.

Jogadores bolivianos protestaram para tentar impedir a cobrança da Inglaterra nos minutos finais do primeiro tempo; decisão da arbitragem provocou confusão entre as equipes

Equipes se enfrentam neste domingo, 1º de novembro, na Arena do Grêmio, em Porto Alegre, pelo jogo de ida da semifinal da Copa do Brasil

Generali Stadium terá capacidade para 71,5 mil torcedores, projeto assinado por Norman Foster e previsão de inauguração para a temporada 2031/32

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