A trajetória de alta da dívida pública no Brasil deve levar o país a um crescimento inferior ao das principais economias na América Latina, mostram projeções do Grupo Santander.
O Santander estima uma alta do PIB do Brasil próximo de 1% em 2027, abaixo da projeção oficial do banco de 1,3%, com a expectativa para o indicador se deteriorando após a alta dos juros futuros desde a vitória do presidente Lula para um quarto mandato nas eleições de outubro.
Pelas projeções do Santander, o PIB da Argentina deve crescer 2,7% em 2027, o do Peru, 3,2% e o do Chile, 3,5%. Para o PIB do México, o Santander prevê alta de 1,7%. A previsão para a economia da Colômbia é de uma alta de 2%. Os países que encabeçam a lista — Argentina, Peru e Chile — têm em comum o fato de estarem com o endividamento público sob maior controle.
Para o economista-chefe do Santander, Marco Caruso, o crescimento vivido pela economia brasileira nos últimos anos foi "a fórceps" dado que foi acompanhado do crescimento do déficit das contas públicas. O modelo, contudo, está esgotado e não há mais como estimular a economia sem encarar o problema do crescimento da dívida.
"Desde da Covid, o Brasil tem crescido acima da sua média histórica, que é de 2% a 2,5% ao ano. Parte disso veio por conta de reformas, e é um crescimento saudável. Mas tem uma parte que é a fórceps. Você não pode crescer anos seguidos com déficit crescente porque, uma hora, o seu crédito piora. E o Brasil tem experimentado déficits fiscais, excluindo juros, recorrentes há mais de uma década", diz Caruso, que acaba de ser nomeado para o cargo de economista-chefe do banco espanhol no Brasil. "Por isso a gente deve ir para um PIB muito mais próximo de 1% no ano que vem, talvez até um pouco abaixo disso, até a gente entender como vai ser endereçado essa dinâmica da dívida pública brasileira que é crescente no tempo."
O Santander projeta que a dívida pública brasileira deverá chegar a 88% do PIB em 2027, "nível cerca de 20 pontos percentuais superior ao de países emergentes comparáveis". Ele estima que o esforço fiscal para estabilizar a dívida entre 90% e 95% do PIB — saindo de um déficit estimado em 1% do PIB, para um superávit de 2% — seja da ordem de R$ 400 bilhões.
*A colunista viajou a convite do Santander
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