A Vibra Energia espera manter margens de rentabilidade acima dos níveis históricos em 2027 e 2028, beneficiada por um mercado de combustíveis mais saudável após o avanço das operações de combate às fraudes. A avaliação foi apresentada pelo presidente da companhia, Ernesto Pousada, nesta quinta-feira (5), durante a teleconferência de resultados do terceiro trimestre.
A expectativa considera os efeitos da Operação Carbono Oculto e de seus desdobramentos, que investigam a atuação do crime organizado no setor de combustíveis. Segundo Pousada, a saída de distribuidoras envolvidas em práticas irregulares contribuiu para melhorar as condições de concorrência.
Existe hoje um mercado bastante mais saudável pela saída de várias distribuidoras que tinham práticas irregulares. Ernesto Pousada, CEO da Vibra Energia
O que aconteceu
Vibra registrou lucro líquido de R$ 2,46 bilhões no terceiro trimestre, alta de 504% em um ano. O Ebitda ajustado, indicador que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, cresceu 137%, para R$ 4,29 bilhões. A receita líquida ajustada avançou 17%, para R$ 56,93 bilhões.
Resultado operacional recuou em relação ao segundo trimestre. O Ebitda ajustado caiu 5% na comparação trimestral. Excluindo os efeitos não recorrentes, o indicador somou R$ 3,66 bilhões, crescimento de 148% em um ano, mas queda de 11% sobre os três meses anteriores.
Companhia espera margens acima da média histórica nos próximos dois anos. Pousada reconheceu que a rentabilidade pode diminuir em relação aos níveis atuais, favorecidos também pela volatilidade internacional. Ainda assim, avalia que parte dos ganhos deve permanecer em 2027 e 2028, sustentados pela redução das irregularidades e pelo fortalecimento da relação com os revendedores.
Melhora não depende apenas das condições do mercado de diesel. Segundo o presidente, a Vibra também vem ganhando participação nas vendas de gasolina e etanol, produtos menos afetados pelo conflito no Oriente Médio. Para o executivo, esse desempenho reforça a avaliação de que os avanços comerciais têm caráter mais duradouro.
Operação Carbono Oculto investigou a atuação do crime organizado no setor. Deflagrada em agosto de 2025, a investigação apurou suspeitas de adulteração de combustíveis, sonegação de impostos e lavagem de dinheiro, com participação de integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital), segundo o Ministério Público Federal. Na ocasião, as autoridades estimaram prejuízo superior a R$ 7,6 bilhões apenas em tributos sonegados.
Investigações tiveram novos desdobramentos em 2026. Em agosto, a Operação Bomba Oculta mirou postos clandestinos e anunciou o bloqueio de cadastros de empresas, como parte das medidas de combate às irregularidades no mercado de combustíveis.
Vendas e expansão da rede
Vendas de combustíveis cresceram 4% em um ano. A Vibra comercializou 9,61 milhões de metros cúbicos no terceiro trimestre, em meio ao avanço da participação de mercado e à expansão da rede de revendedores.
Companhia adicionou 210 postos no trimestre. Com as novas unidades, a Vibra encerrou setembro com 7.686 postos embandeirados. A margem Ebitda ajustada recorrente da distribuição ficou em R$ 381 por metro cúbico, indicador que mede o resultado operacional obtido por volume comercializado. Um metro cúbico equivale a mil litros.
Estratégia prevê ampliar a participação em gasolina, etanol e diesel. Neste último produto, a disponibilidade de combustível limita uma expansão mais acelerada. A companhia afirma, porém, que continua atendendo à demanda dos clientes e prioriza a regularidade do fornecimento.
Nosso principal objetivo nesse momento é garantir o pleno abastecimento dos nossos clientes, da nossa rede de postos. Ernesto Pousada, CEO da Vibra Energia
Redução da dívida abre espaço para recompra de ações
Vibra reduziu a dívida líquida em R$ 1,7 bilhão no trimestre. O endividamento caiu para R$ 14,4 bilhões, apoiado na geração de caixa. A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado, recuou de 1,3 vez para 1 vez.
Melhora financeira levou a companhia a discutir uma recompra de ações. A direção avalia a possibilidade de adquirir papéis da própria empresa no mercado, operação que pode beneficiar os acionistas ao reduzir a quantidade de ações em circulação.
Empresa ainda não decidiu lançar um programa de recompra. Segundo Pousada, a administração quer ter maior visibilidade sobre o nível de rentabilidade que poderá ser sustentado nos próximos trimestres e sobre a disponibilidade de caixa antes de assumir esse compromisso.
A gente quer ter certeza de que, se a gente entrar e iniciar um programa de recompra, que ele seja estrutural e de longo prazo. Ernesto Pousada, CEO da Vibra Energia
A decisão dependerá da capacidade de manter a geração de recursos. Perspectivas para o mercado de combustíveis, especialmente depois da normalização dos efeitos temporários que favoreceram as margens recentes, também entram na conta.
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