30 Out (Reuters) - Hackers norte-coreanos, provavelmente responsáveis pelo roubo recorde de US$6,3 bilhões da corretora de criptomoedas Binance, estão entre os ladrões de criptomoedas mais prolíficos do mundo, e recursos obtidos ajudam a financiar programas de armamento do país, afirmaram especialistas em segurança cibernética nesta sexta-feira.
As empresas de investigação de blockchain TRM Labs e Chainalysis atribuem o roubo a um grupo de hackers norte-coreano conhecido como “TraderTraitor”, nome usado em um alerta conjunto de 2022 do FBI, da CISA e do Tesouro dos EUA que descrevia como os hackers usavam softwares maliciosos e outros artifícios para atacar desenvolvedores de software e equipes de TI em empresas de criptomoedas.
A Coreia do Norte roubou pelo menos US$6,75 bilhões em criptomoedas até o final de 2025, afirmou a Chainalysis em um relatório de dezembro de 2025. Esse total inclui o roubo de US$1,5 bilhão na corretora ByBit, em fevereiro de 2025.
O grupo também atacou a Bitget, uma corretora diferente, levando US$387 milhões em setembro, segundo especialistas, elevando o total mínimo de criptomoedas roubadas pela Coreia do Norte para cerca de US$13,5 bilhões, afirmou Michael Barnhart, pesquisador da empresa de segurança cibernética DTEX.
A Binance informou que ela e outras entidades estavam trabalhando para congelar parte das criptomoedas roubadas, com cerca de US$3 bilhões localizados até o momento.
“Depois da Bitget, grande parte da comunidade já esperava algo assim”, disse Barnhart.
O TraderTraitor é o “grupo de hackers mais competente da Coreia do Norte, com foco principal no setor financeiro e composto por alguns dos operadores mais experientes dos programas cibernéticos do regime, que antes faziam parte do APT38”, acrescentou ele, referindo-se às unidades de hackers de longa data da Coreia do Norte voltadas para o setor financeiro.
Pesquisadores afirmam que o TraderTraitor tem como alvo desenvolvedores e equipes de TI em instituições financeiras por meio de malware ou ofertas de emprego falsas, levando os candidatos a baixar softwares maliciosos durante entrevistas de emprego falsas, o que dá aos hackers acesso a credenciais de login e outros dados confidenciais.
Rafe Pilling, diretor sênior de pesquisa de ameaças da Sophos, disse que os primeiros relatos sobre como os hackers comprometeram a Binance correspondem ao manual de táticas norte-coreano, e que o grupo é especialista em descobrir como os sistemas e a equipe de uma empresa aprovam transferências de dinheiro.
“Esse grupo, em particular, é quase que um grupo de artistas quando se trata de invadir essas empresas de finanças distribuídas”, afirmou ele.
Depois de roubar o dinheiro, os hackers o repassam a grupos chineses de lavagem de dinheiro ligados ao crime organizado, disse Barnhart.
Os norte-coreanos também aceitam secretamente empregos em empresas de tecnologia e financeiras nos EUA e em outros países para ganhar dinheiro a ser enviado de volta ao governo norte-coreano e roubar dados confidenciais, afirmou o FBI em um comunicado público de 13 de outubro, acrescentando que o dinheiro arrecadado pelos trabalhadores e hackers ajuda a financiar os programas nucleares e militares da Coreia do Norte.
Um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA afirmou que o cibercrime norte-coreano é um “problema global” e que o país tem “recorrido cada vez mais ao cibercrime para contornar sanções internacionais e financiar seus programas ilegais de armas de destruição em massa e mísseis balísticos".
"Roubos de criptomoedas e lavagem de dinheiro tornaram-se uma parte significativa dessa estratégia", afirmou o porta-voz.
O líder norte-coreano Kim Jong Un exortou o país a conquistar “superioridade absoluta” em drones e outras tecnologias militares, e os ganhos do programa de drones estão diretamente ligados aos roubos e aos esquemas envolvendo trabalhadores de TI no exterior, disse Barnhart.
O país também está auxiliando os esforços de guerra da Rússia, acrescentou ele.
“A Coreia do Norte enviou tropas, munições e componentes de armas para a Rússia, tudo financiado por meio do mesmo sistema; é por isso que um ataque cibernético envolvendo criptomoedas é uma questão de segurança nacional e não apenas um problema para a corretora que foi atingida”, disse Barnhart.
(Reportagem de AJ Vicens, em Detroit, e Simon Lewis, em Washington.)
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