O plano de fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) teve a contratação de quatro jatos privados para criar rotas alternativas, segundo reportagem do jornal argentino Clarín. O jornal diz ainda que o dono de uma aeronave contratada no Brasil se recusou a levar a família Bolsonaro até a fronteira com a Argentina, e que, por isso, o trajeto foi feito por terra.
O que relatou o Clarín
O jornal diz que o plano incluiu a contratação de quatro jatos privados para criar rotas alternativas na saída da Argentina. A estratégia teria previsto opções em cidades da região e até no Paraguai, caso a saída principal fosse frustrada.
Clarín também revela que a ação teve intervenção dos EUA. Agentes americanos trabalharam e tiveram o controle do aeroporto de Porto Iguaçu durante boa parte do tempo da fuga.
A saída dos Bolsonaro teria sido preparada com uma sequência de voos e possíveis iscas. Uma das aeronaves, o Gulfstream IV (LV-JQW), voou de San Fernando para Porto Iguaçu na noite de segunda-feira e esperou até a madrugada de quarta, quando foi ocupada pela família de Flávio Bolsonaro.
Outro jato, um Learjet 45 (LV-JZQ), pousou em Porto Iguaçu na terça e voltou a Buenos Aires horas depois. Isso aconteceu quase doze horas antes de Flávio chegar ao mesmo local, para embarcar no Gulfstream IV. Para o jornal, a movimentação foi usada como despiste antes do embarque no Gulfstream IV.
A reportagem também cita dois jatos com matrícula americana que apareceram em registros de rotas para Posadas. Um Gulfstream V, de matrícula N776MA, apareceu em voo na terça-feira, entre o aeroporto de Fort Lauderdale, na Flórida, e Posadas, capital da província de Misiones, onde fica Porto Iguaçu. Outra aeronave semelhante, um Gulfstream IV, matrícula N772MS, também aparece voando igualmente dos Estados Unidos para a mesma cidade de Posadas.
Ao menos um deles teria apresentado um plano de voo enganoso e desviado para Assunção, no Paraguai. Lá, a aeronave aguardou até a manhã de quarta antes de retornar à Flórida.
Chegada ao aeroporto
Família tinha contratado jato no Brasil, mas dono se recusou a fazer a viagem, diz o jornal. Segundo o Clarín, Flávio Bolsonaro havia alugado um jato particular para viajar de Brasília à fronteira com a Argentina. Mas o proprietário da aeronave se recusou a cumprir o contrato, após a divulgação da informação de que Bolsonaro não deveria sair do Brasil.
Assim, a viagem até a Argentina foi feita por terra. Seis veículos teriam saído em sequência da casa da família, para despistar possíveis monitoramentos, diz o Clarín.
A família Bolsonaro chegou ao aeroporto de Porto Iguaçu antes do indicado nas imagens de TV na noite de terça. De acordo com o jornal, o grupo entrou na área de pista por uma passagem reservada.
Agentes dos EUA
Funcionários argentinos do aeroporto foram afastados durante a operação. Ainda segundo o Clarín, agentes ligados ao Departamento de Estado dos EUA ou a uma agência internacional coordenaram os procedimentos de migrações e aduana e mantiveram membros da Polícia de Segurança Aeroportuária local fora da área.
Veículos foram usados para confundir. Um carro branco que chegou ao local perto do momento da decolagem teria servido de distração, enquanto a família já aguardava dentro da aeronave, diz o jornal.
O Clarín afirma que o governo de Javier Milei deu apoio operacional ao plano. Segundo o jornal, o presidente argentino determinou que seu principal assessor, Santiago Caputo, viajasse de forma confidencial a Misiones para garantir o que fosse necessário para a operação.
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