Flávio Bolsonaro fugiu para os Estados Unidos na terça-feira da semana passada. Deixou para trás os quase 60 milhões de votos recebidos na eleição presidencial de 2026. Abandonou também o mandato de senador, que termina em 31 de janeiro de 2027. Se nada for feito, continuará abrigado na folha do Senado pelos próximos três meses.
Além do salário mensal de R$ 46,4 mil, o fujão continua dispondo da verba de gabinete e da cota parlamentar. Somados, os gastos com o mandato ultrapassam R$ 400 mil mensais. Até janeiro, ainda que sejam descontadas do contracheque as faltas às sessões deliberativas, Flávio Bolsonaro espetará no bolso dos brasileiros uma conta de cerca de R$ 1,2 milhão.
1) "Promover a defesa dos interesses populares e nacionais".
2) "Zelar pelo aprimoramento da ordem constitucional e legal do país, particularmente das instituições democráticas e representativas, e pelas prerrogativas do Poder Legislativo".
3) "Exercer o mandato com dignidade e respeito à coisa pública e à vontade popular".
4) "Apresentar-se ao Senado durante as sessões legislativas e participar das sessões do plenário e das reuniões das comissões de que seja membro".
Nada disso pode ser feito a partir de Miami. Mas o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em campanha pela recondução ao cargo, não se deu por achado. Precisa dos votos da bancada bolsonarista para se reeleger. Em qualquer botequim de esquina, o abandono do emprego é motivo para demissão por justa causa. Mas Flávio Bolsonaro, estalando de pureza moral, fugiu para os Estados Unidos e continuou morando no déficit público.
Família é como a extinta varíola: a pessoa contraía a doença na infância e carregava as marcas pelo resto da vida. No clã Bolsonaro, o patriarca instituiu uma espécie de filhocracia. Nesse regime familiar, todos prosperaram pelo trabalho duro — o trabalho do contribuinte brasileiro. A hipocrisia tornou-se uma nova modalidade de patriotismo.
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
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