Protestos contra o aumento do custo de vida e a precariedade dos serviços públicos, que ganharam força na França nas últimas semanas, agora também mobilizam outros países da Europa. Alemanha, Itália e Portugal registraram manifestações neste fim de semana, com reivindicações que vão de melhorias na educação ao acesso à moradia.
Onda internacional
Na Alemanha, manifestações ocorreram em 34 cidades, incluindo Berlim, Frankfurt e Munique. Convocados pelo movimento Gen Z Regelt ("A geração Z resolve", em tradução livre), os atos cobraram melhorias na educação e na saúde e se posicionaram contra a retomada do serviço militar obrigatório, segundo a Reuters.
Na Itália, uma greve geral levou trabalhadores e estudantes às ruas de mais de 40 cidades. Ao contrário da mobilização liderada pela Geração Z na Alemanha, os protestos foram convocados por um sindicato e tiveram como principais reivindicações aumentos salariais e críticas aos gastos militares. Houve confrontos com a polícia.
Na França, 410 mil pessoas participaram de manifestações no fim de semana anterior, segundo o jornal The Guardian. Diante do risco de novos confrontos, o governo mobilizou 70 mil policiais e agentes de segurança para hoje.
Outros países europeus, como Espanha, Portugal e Albânia, também registraram protestos nas últimas semanas. As mobilizações incluem reivindicações por melhores condições de moradia e serviços públicos.
Protestos na Alemanha
As manifestações na França ajudaram a estimular os jovens alemães, segundo a Deutsche Welle (DW). Apesar dessa influência, os movimentos têm reivindicações e formas de organização diferentes.
A polícia contabilizou cerca de 18 mil manifestantes em Berlim, Frankfurt e Munique, segundo a Reuters. A crise na educação e a falta de perspectivas para o futuro estão entre as principais queixas dos jovens. "O que nos une é que perdemos a paciência com o sistema educacional. Muitos jovens estão profundamente frustrados", afirmou à DW Quentin Gärtner, estudante de 19 anos.
O aumento dos aluguéis, as desigualdades econômicas e a falta de ações contra as mudanças climáticas também motivam os protestos. Outra preocupação é a possibilidade de retomada do serviço militar obrigatório.
A maioria dos atos foi pacífica, mas houve barricadas incendiadas em Hamburgo. Em Berlim, lojas protegeram vitrines com tapumes e fecharam mais cedo. A capital mobilizou 1.500 policiais.
Políticos conservadores alertaram para o risco de episódios de violência semelhantes aos registrados na França. O sociólogo Sebastian Koos, da Universidade de Konstanz, avaliou em entrevista à DW que os protestos alemães dificilmente atingiriam o mesmo nível de violência.
Greve e confrontos na Itália
Em Roma, oito pessoas foram detidas após confrontos com a polícia perto do Parlamento. Agentes usaram canhões de água para dispersar manifestantes, e houve queima de lixeiras perto do Coliseu. Em Turim, a polícia também usou canhões de água, enquanto manifestantes bloquearam vias em Milão.
Em Gênova, cerca de 15 mil trabalhadores portuários e estudantes ocuparam o porto. O grupo protestou contra o transporte de armas e as mortes de trabalhadores marítimos em áreas de conflito. Em Cagliari, outras 15 mil pessoas participaram de uma manifestação sem incidentes.
A polícia italiana realizou 60 buscas em 23 cidades hoje. Segundo a agência ANSA, a operação teve como alvo suspeitos de incentivar atos violentos pelas redes sociais. Em Roma, sete pessoas foram denunciadas e outras 369 identificadas.
Protestos por moradia em Portugal
Manifestantes convocaram novos protestos em Lisboa, no Porto e em outras cidades neste sábado. Eles cobram medidas contra a crise da habitação, incluindo o fim dos despejos sem alternativa de moradia e mudanças na legislação sobre aluguéis, segundo a agência Lusa.
Uma ação policial deixou 11 feridos e 31 detidos no fim de semana anterior, segundo a polícia. Os organizadores afirmam que o número de feridos foi maior. Agentes usaram cassetetes e cães para dispersar grupos que haviam montado acampamentos em Lisboa e no Porto.
Seis cidadãos pediram à Provedoria de Justiça medidas para prevenir abusos policiais nos novos protestos. O grupo solicitou visitas sem aviso às delegacias que recebessem manifestantes detidos, segundo a Lusa.
França reforça segurança
A polícia proibiu duas passeatas previstas para o centro de Paris hoje. Convocados por sindicatos e integrantes do movimento dos coletes amarelos, os atos tiveram apenas um trajeto autorizado, no extremo sudeste da capital.
Os protestos franceses foram marcados por saques, incêndios e confrontos com policiais. Segundo a DW, veículos foram incendiados e a prefeitura de Limoges foi atingida pelo fogo. A polícia também usou gás lacrimogêneo em Lille, Lyon e Toulouse.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, alertou para novas convocações de grupos radicais. Segundo ele, setores da extrema esquerda e dos coletes amarelos incentivaram manifestações para a noite deste sábado.
Uma nova greve nacional está marcada para 5 de novembro. Os protestos continuam em meio à insatisfação com o custo de vida e a qualidade dos serviços públicos.
Os protestos começaram em 17 de setembro, em escolas da região de Paris, e se espalharam pelo país. Estudantes denunciam salas superlotadas, falta de professores e cortes nos serviços públicos. O movimento recebeu apoio de pais, professores e sindicatos.
A violência durante os protestos deixou centenas de feridos e levou a mais de 6.500 detenções. Dois adolescentes sofreram ferimentos graves: um perdeu a mão e outro, a visão de um olho. Após críticas à atuação policial, o governo suspendeu o uso de granadas de efeito moral.
O governo francês reconheceu as reivindicações dos estudantes, mas condenou os confrontos. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu prometeu melhorias nas escolas e acusou o partido França Insubmissa (LFI) de incentivar a violência. A mobilização ocorre em meio às críticas às medidas de austeridade previstas no orçamento de 2027.
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