O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou, em entrevista ao jornal O Globo, que o partido já foi procurado pelo presidente Lula (PT) e pode fazer parte da base governista no próximo mandato.
Kassab não descartou ser ministro de Lula. Disse também que Flávio Bolsonaro (PL) perdeu a eleição porque sua campanha ativou na população o medo da volta do bolsonarismo e que não consegue ver um nome da família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) disputando a eleição de 2030.
Kassab diz que PSD pode ter 'relação mais profunda' com Lula
Apesar de o PSD ter ocupado três ministérios no atual mandato, Kassab sempre evitou dizer que o partido era oficialmente da base de Lula. Agora, para ter uma "relação mais profunda" com o petista, cobra medidas econômicas por parte do governo.
Lula precisa ter uma postura para unir o país e aumentar o apoio, algo que não conseguiu no terceiro mandato. É claro que ele não pode deixar de honrar todos os compromissos sociais, foi eleito para isso.
Mas vai precisar ter à frente da economia gente como Antonio Palocci e Henrique Meirelles no primeiro mandato que traga tranquilidade e equilíbrio fiscal. Se medidas econômicas forem adotadas, estaremos mais próximos, sim. Aí poderemos ter uma relação mais profunda. Por isso que eu digo que o governo precisa sinalizar para o centro.Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, em entrevista a O Globo
Kassab não descarta ser ministro
O presidente do PSD afirmou que não pensa em voltar a ser ministro — ele chefiou pastas nas gestão Dilma e Temer. A possibilidade, no entanto, não está descartada.
Não está no meu horizonte, já fui de duas pastas. Mas é claro que é muito honroso ser e não descarto voltar mais uma vez.
'Quando optaram por Flávio, dividiram o centro com Lula'
Kassab afirmou que a haveria "grande chance de vitória" da oposição se o candidato fosse mais moderado. A escolha por Flávio acabou assustando o eleitor de centro, na avaliação do cacique partidário, o que empurrou parte desse eleitor para Lula.
Sempre registrei que se os adversários do governo escolhessem um adversário mais moderado, a chance de vitória era grande. Na hora que optaram pelo Flávio na direita, dividiram o centro com o Lula.
Flávio foi se apresentando e mais pessoas foram não gostando do que viam. Ele acabou assustando falando em mexer na Constituição. Muita gente rejeitou também o linguajar e a falta de postura nos debates.
O mérito do PT foi explorar as fragilidades do Flávio. A campanha do Lula mexeu bem com o medo das pessoas da volta do bolsonarismo. Além disso, as manifestações espontâneas nas ruas tiveram um peso e André Janones foi muito grande para mostrar ao PT a importância da comunicação digital.
'Não vejo mais uma candidatura de um Bolsonaro em 2030'
Para Kassab, a esquerda sai mais fortalecida da eleição de 2026, enquanto a extrema direita liderada pela família Bolsonaro acumula duas derrotas seguidas. Isso tornaria menos provável uma candidatura com sobrenome Bolsonaro na próxima disputa presidencial. Ainda segundo Kassab, é cedo para dizer se o governador Tarcísio de Freitas poderia ocupar esse lugar.
Enquanto a esquerda sai mais organizada da eleição em que pela primeira vez só teve Lula como candidato, a direita tem a cara da família Bolsonaro, mas com duas derrotas seguidas nas costas. Não vejo mais uma candidatura de um Bolsonaro em 2030. O pai seguirá inelegível, os filhos Flávio e Eduardo saíram do Brasil e não vejo essa vocação no Carlos. E sobre a Michelle, claramente não há harmonia para ela liderar.
Ele [Tarcísio] é muito habilidoso para entender as circunstâncias, mas precisa fazer um bom governo de novo. Está muito longe 2030 ainda.
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