O chanceler argentino, Pablo Quirno, negou nesta sexta-feira (30) que o Brasil tenha pedido explicações a Buenos Aires pela fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos, passando por território argentino.
"Falso. Não houve nenhum pedido de explicações", escreveu Quirno no X, em resposta a uma publicação do jornal local La Nación sobre a cobrança brasileira.
Uma fonte diplomática brasileira informou nesta sexta-feira à AFP que o Itamaraty convocou a encarregada de negócios da Argentina em Brasília, Emilia Cortés, para "prestar esclarecimentos" sobre a saída de Bolsonaro do país.
O encontro entre Cortés e o diretor do Departamento de América do Sul do Itamaraty, João Marcelo Galvão de Queiroz, ocorreu na quinta-feira, segundo a fonte, que o descreveu como um "procedimento de praxe" e não revelou outros detalhes da conversa.
Quirno também rejeitou a afirmação de que a retirada do embaixador argentino, em agosto, tenha sido uma iniciativa do presidente Javier Milei.
"O Brasil tomou unilateralmente a decisão de retirar seu embaixador e solicitou a retirada do nosso", escreveu.
Milei compartilhou a publicação de Quirno no X e classificou o jornal La Nación, alvo frequente de seus ataques, como "veículo de comunicação que opera e mente".
As relações entre o governo do ultraliberal Milei e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entraram em crise em agosto, quando o Brasil rebaixou sua representação diplomática na Argentina após insultos do presidente argentino dirigidos a Lula.
Flávio Bolsonaro não reconheceu sua derrota no segundo turno das eleições presidenciais de domingo e denunciou uma "fraude eleitoral", apesar de os resultados terem sido reconhecidos pela Justiça Eleitoral e por seu próprio partido.
Embora estivesse com os passaportes brasileiros cancelados em razão de uma investigação sobre lavagem de dinheiro por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, o senador fugiu com a família na madrugada de quarta-feira, partindo da Argentina em um jato particular com destino aos Estados Unidos, com uma escala no Equador.
Argentina e Estados Unidos não reconheceram a vitória de Lula, ao contrário da maioria dos países.
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