As ações da Vale (VALE3) subiam 2,85%, a R$ 61,76, às 10h48 desta sexta-feira (30), após a divulgação do balanço do terceiro trimestre. Analistas avaliam que os resultados ficaram próximos das expectativas, mas alertaram para os efeitos do minério de ferro mais barato e das dificuldades de produção em Serra Norte.
A mineradora registrou lucro líquido de US$ 1,26 bilhão, queda de 53,3% em relação ao mesmo período de 2025. O Ebitda pro forma (cálculo ajustado do resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização) somou US$ 3,51 bilhões, recuo de 20,3% em um ano e de 13,7% sobre o segundo trimestre.
O que você precisa saber
Lucro superou as expectativas do Itaú BBA. Em relatório de Daniel Sasson, Marcelo Furlan Palhares e João Paulo Helito, o banco destacou que o lucro ficou 15,5% acima de sua projeção, enquanto o Ebitda veio em linha. Vendas maiores e custos de produção menores ajudaram a compensar os preços mais fracos do minério e o encarecimento do frete.
BTG vê poucos motivos para maior otimismo no curto prazo. Em análise de Leonardo Correa e equipe, o banco também considerou os resultados próximos das expectativas, mas avalia que o balanço não trouxe mudanças suficientes para melhorar as perspectivas da companhia.
Temos dificuldade em vê-la apresentando bom desempenho no curto prazo. BTG Pactual, em relatório
Minério de ferro mais barato pressionou os resultados. O preço médio recebido pela Vale pelos finos de minério caiu 10% em relação ao segundo trimestre, para US$ 85,10 por tonelada. A redução diminuiu a receita obtida por tonelada vendida, mesmo com o aumento dos volumes comercializados.
Vendas cresceram, mas parte do avanço veio dos estoques. A Vale comercializou 86,3 milhões de toneladas de minério de ferro, alta de 8% sobre o trimestre anterior e acima da expectativa do Itaú BBA. Parte das entregas foi atendida com material já produzido, enquanto algumas minas continuaram enfrentando restrições.
Produção em Serra Norte caiu 27% em um ano. Os relatórios apontam dificuldades operacionais relacionadas à proximidade de cavernas, à disponibilidade de minério e ao esgotamento das minas. Esses fatores podem limitar a recuperação dos volumes produzidos pela companhia.
Produção anual deve ficar perto do piso da projeção. Segundo o BTG, a administração indicou que o volume de minério de ferro em 2026 deve se aproximar do limite inferior da faixa prevista, entre 335 milhões e 345 milhões de toneladas.
Redução de custos ajudou a compensar os preços menores. O Itaú BBA destaca que o custo de produção por tonelada, excluindo compras de terceiros, caiu de US$ 24,10 para US$ 23,10 entre o segundo e o terceiro trimestre. Os gastos com transporte marítimo, porém, aumentaram, apesar das operações de proteção financeira contra oscilações do petróleo e do frete.
Cobre e níquel contribuíram positivamente para o balanço. A divisão de metais básicos registrou Ebitda de US$ 1,11 bilhão, acima das projeções dos dois bancos. O cobre se beneficiou de preços maiores, enquanto o níquel enfrentou despesas adicionais de manutenção.
Geração de caixa também foi destaque. O fluxo de caixa livre recorrente, dinheiro que sobra após as despesas operacionais e os investimentos, chegou a US$ 1,37 bilhão. Com a liberação extraordinária de recursos ligados a incentivos tributários, o total alcançou US$ 2,23 bilhões.
Quarto trimestre ainda exige cautela, segundo o BTG. O banco destacou que o preço de referência do minério de ferro na China estava próximo de US$ 90 por tonelada, abaixo da média do terceiro trimestre. A manutenção de preços menores pode continuar pressionando as receitas da mineradora.
Bancos mantêm recomendação de compra para a Vale. O Itaú BBA tem preço-alvo de R$ 94 para o fim de 2027, equivalente a potencial de valorização de 52,2% sobre a cotação consultada nesta sexta-feira. O BTG também recomenda compra, com alvo de R$ 90, que representa possibilidade de alta de 45,7%.
Deixe seu comentário
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.