A Vale divulga nesta quinta-feira (29), após o fechamento da Bolsa, o balanço do terceiro trimestre, com expectativa de queda do lucro e pressão sobre os resultados operacionais. Analistas do Itaú BBA e do UBS BB apontam preços menores do minério de ferro, custos mais elevados de transporte e dificuldades operacionais como os principais fatores de preocupação.
O Itaú BBA projeta lucro líquido de US$ 1,09 bilhão, queda de aproximadamente 60% em relação ao terceiro trimestre de 2025, e Ebitda de US$ 3,5 bilhões. O UBS BB espera Ebitda de US$ 3,46 bilhões, recuo de 15% sobre o segundo trimestre, e geração de caixa livre recorrente de US$ 1,2 bilhão.
O que você precisa saber
Receita também deve cair, segundo o Itaú BBA. Em análise de Daniel Sasson, Marcelo Furlan Palhares e João Paulo Helito, o banco estimava faturamento de US$ 10,1 bilhões no terceiro trimestre, recuo de 3,5% na comparação anual.
Resultado operacional pode encolher mais de 20%. O Itaú BBA projetava Ebitda pro forma de US$ 3,5 bilhões, queda de 20,4% em relação ao mesmo trimestre de 2025 e de 13,9% sobre os três meses anteriores. O indicador mede o desempenho operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, com ajustes utilizados pela companhia.
Preços menores do minério e fretes mais caros devem pressionar o resultado. Segundo o banco, o aumento dos volumes vendidos não seria suficiente para compensar a piora dos preços obtidos pela mineradora e os custos maiores de transporte.
Preços realizados mais baixos e custos de frete maiores devem mais que compensar volumes ligeiramente melhores. Itaú BBA, em relatório
Vendas de minério devem apresentar recuperação trimestral. O Itaú estimava comercialização de 82,7 milhões de toneladas no período, alta de aproximadamente 4% em relação ao segundo trimestre. Apesar do avanço, o volume ainda ficaria cerca de 4% abaixo do registrado um ano antes.
Problemas operacionais também podem afetar a receita. Dificuldades no Sistema Norte (conjunto de minas, ferrovias e instalações portuárias que a mineradora utiliza para produzir e exportar minério de ferro extraído principalmente no Pará) podem alterar a composição dos produtos vendidos pela Vale. Minérios com diferentes concentrações de ferro recebem preços distintos, de modo que uma participação maior de produtos de menor valor pode pressionar o faturamento.
Metais básicos também devem apresentar desempenho mais fraco. Na divisão que reúne cobre e níquel, o Itaú BBA projetava queda de 19% do Ebitda em relação ao segundo trimestre. A estimativa considera menor produção de cobre devido à paralisação das atividades na mina de Sossego, localizada em Canaã dos Carajás, no Pará, além de preços mais baixos do níquel e despesas maiores de manutenção.
UBS vê risco para metas anuais
Vale pode enfrentar dificuldades para cumprir a meta de produção de 2026. Em relatório de 20 de outubro, Caio Greiner, Myles Allsop e Arthur Biscuola, do UBS BB, apontaram riscos relacionados aos volumes produzidos, aos preços e aos custos da mineradora.
Dificuldades em Serra Norte estão entre as preocupações. A região de mineração, que integra o Sistema Norte da Vale, no Pará, reúne importantes minas de minério de ferro da companhia. O UBS BB estimava produção total de 89 milhões de toneladas no terceiro trimestre. Nesse cenário, a mineradora precisaria acelerar a produção no quarto trimestre, inclusive na comparação anual, para alcançar o limite inferior da meta estabelecida para 2026.
Há uma chance não desprezível de a meta de produção não ser atingida, o que também poderia resultar no descumprimento da meta de custos. UBS BB, em relatório
Produção menor também pode elevar o custo por tonelada. Isso ocorre porque parte das despesas das minas, como manutenção e estrutura operacional, não diminui na mesma proporção que o volume produzido. Assim, quando a produção cai, esses gastos são distribuídos por menos toneladas, aumentando o custo unitário.
Investidores devem acompanhar as projeções para o quarto trimestre. Além do lucro e do Ebitda, os comentários da Vale sobre produção, despesas operacionais e geração de caixa serão importantes para avaliar a capacidade da companhia de cumprir suas metas anuais.
Proteção contra oscilações de custos também estará no radar. Os analistas devem observar quanto os contratos utilizados pela Vale para reduzir sua exposição às variações dos preços de frete e petróleo conseguiram compensar as pressões sobre os resultados.
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