O dólar comercial fechou esta hoje em alta de 0,70%, cotado a R$ 5,011 para venda. Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou em queda de 0,74%, aos 204.309 pontos,
O movimento ocorre após a forte alta dos ativos brasileiros na segunda-feira (5), quando investidores reagiram ao resultado do primeiro turno das eleições. Além da realização de lucros, o mercado foi pressionado pelo cenário internacional, com alta do petróleo e dos juros nos Estados Unidos.
O que aconteceu
Investidores continuam embolsando parte dos ganhos recentes. Segundo Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, a Bolsa ainda passa por um ajuste após a disparada de segunda-feira. Nesta quarta, porém, fatores externos também contribuíram para a queda.
Hoje a gente tem o mercado saindo um pouquinho do modo exclusivamente eleição, que não deixa de ser protagonista
Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos
Juros americanos mais altos pressionam o mercado brasileiro. Segundo Perri, a ata do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, sinalizou cautela na redução dos juros americanos. Taxas elevadas nos EUA tornam os investimentos naquele país mais atraentes, fortalecem o dólar e podem reduzir o interesse por ativos de países como o Brasil.
Nos Estados Unidos, os principais índices também recuaram em bloco. Com os juros, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq recuaram, respectivamente, 0,66%, 0,22% e 0,22%.
Alta do petróleo também preocupa investidores. O encarecimento da commodity pode pressionar a inflação e dificultar a queda dos juros mundo afora. Perri afirma que o cenário internacional também provocou uma alta nas taxas de juros negociadas no mercado brasileiro. O Brent, hoje, voltou a negociar acima dos US$ 100, a US$ 100,96, com alta de 0,38%.
Mercado brasileiro passa por um período de ajustes. Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, avalia que os investidores estão reavaliando os preços após a disparada eleitoral. Segundo ela, a atenção começa a voltar para os resultados das empresas e para a situação das contas públicas. A entrada de capital estrangeiro, porém, continua sendo um fator de sustentação para a Bolsa.
Quais ações subiram e caíram
Bancos estão entre as principais quedas. As ações ordinárias do Bradesco, que dão direito a voto, recuaram 3,50%, enquanto as preferenciais, que têm prioridade na distribuição de dividendos, caíram 3,68%. Itaú perdeu 2,66% e BTG Pactual teve baixa de 2,52%. Perri associa o movimento à realização de lucros e à pressão dos juros.
Vale também pesa sobre o Ibovespa. A mineradora recuou 2,30%, acompanhando a queda do minério de ferro no exterior. Já a construtora Cyrela perdeu 3,45%, pressionada pela alta dos juros, que pode encarecer o financiamento de imóveis.
Petrobras avança com a valorização do petróleo. As ações preferenciais da estatal subiram 0,95%, enquanto as ordinárias avançaram 1,25%. Entre as empresas de proteínas, Minerva ganhou 2,22% e MBRF teve alta de 4,10%.
Magalu lidera as altas; Natura registra a maior queda. No fechamento, a Magazine Luiza subia 5,09% e a Tenda avançava 4,85%, seguida pela Cury (4,77%). Na ponta negativa, Natura perdeu 9,03%, Embraer recuou 5,11% e Assaí caiu 4,43%.
O que esperar dos próximos dias
Pesquisas eleitorais devem continuar influenciando a Bolsa. Perri avalia que as primeiras sondagens após o primeiro turno serão importantes para os investidores ajustarem suas expectativas sobre a disputa entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na avaliação do economista, resultados que reforcem o cenário político atualmente considerado pelo mercado podem sustentar os preços dos ativos brasileiros. Mudanças nas expectativas, por outro lado, podem provocar novas oscilações até o segundo turno.
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