O dólar comercial fechou esta sexta-feira (30) em alta de 1,05%, cotado a R$ 5,444, enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, caiu 0,75%, aos 167.921,80 pontos. Foi a quinta queda consecutiva do índice, em uma semana marcada pela reação dos investidores à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pelas dúvidas sobre a condução da política econômica.
Na semana, o dólar disparou 9,04%, sua maior valorização semanal desde outubro de 2008, durante a crise financeira internacional. O Ibovespa acumulou perda de 18,12%, seu pior desempenho semanal desde março de 2020, no início da pandemia de covid-19.
Outubro também terminou com perdas para os ativos brasileiros. O dólar acumulou alta de 5,22%, enquanto o Ibovespa recuou 9,88%, no pior resultado mensal desde junho de 2022.
O que aconteceu
A indefinição sobre a equipe econômica e as medidas fiscais do próximo governo manteve os investidores cautelosos. O movimento ocorreu após o forte ajuste de posições iniciado na segunda-feira (26), primeiro pregão depois da vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno.
Investidores precisaram reorganizar suas carteiras após a eleição. Segundo Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, parte expressiva do mercado estava posicionada para uma vitória de Flávio. Com o resultado diferente do esperado, as atenções se voltaram para a política fiscal e a composição da equipe econômica. A estrategista afirmou que as incertezas sobre as contas públicas geraram forte cautela entre os investidores.
A apresentação de propostas para os gastos públicos continuou no centro das avaliações dos analistas. Em relatório divulgado nesta sexta-feira, a Monte Bravo destacou que a escolha dos integrantes do próximo governo precisaria vir acompanhada de medidas econômicas concretas.
A definição do ministro da Fazenda e a apresentação de medidas fiscais concretas serão determinantes para estabilizar as expectativas domésticas. Monte Bravo, em comentário de mercado
Os juros futuros mais longos também subiram. Às 17h10, a taxa do contrato com vencimento em janeiro de 2029 estava em 14,965% ao ano, e a de janeiro de 2031, em 15,260%. O contrato para janeiro de 2027 marcou 13,642% às 17h09. Esses números ainda eram parciais.
Itaú passou a prever interrupção dos cortes da Selic em novembro. Em relatório divulgado nesta sexta-feira, o banco citou as pressões inflacionárias domésticas, o petróleo elevado e as condições financeiras internacionais mais apertadas para justificar a expectativa de manutenção da taxa básica de juros em 13,75% ao ano. A instituição espera que a decisão de interromper o ciclo de redução dos juros seja unânime.
Desemprego recuou para 5,2% no terceiro trimestre. A taxa divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) foi a menor para o período desde o início da série histórica, em 2012. Ainda assim, 5,63 milhões de pessoas estavam desempregadas.
Ações em destaque
Vale avançou após a divulgação do balanço trimestral. As ações ordinárias da mineradora (VALE3) subiram 3,28%, a R$ 62,02, depois da apresentação dos resultados do terceiro trimestre na noite de quinta-feira.
Lucro da Vale caiu 53%, mas geração de caixa foi destaque. A companhia registrou lucro líquido de US$ 1,255 bilhão. O Ebitda pro forma, indicador de resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somou aproximadamente US$ 3,5 bilhões. O fluxo de caixa livre recorrente chegou a US$ 1,37 bilhão, enquanto a divisão de cobre apresentou crescimento do resultado.
Usiminas liderou as perdas após resultados abaixo das expectativas. As ações preferenciais classe A da siderúrgica (USIM5) caíram 8,59%, a R$ 5,00. A companhia reverteu o prejuízo e registrou lucro líquido de R$ 243,4 milhões, mas ficou abaixo das projeções dos analistas. O Ebitda ajustado chegou a R$ 558 milhões, também inferior ao esperado.
Siderúrgicas, empresas financeiras e frigoríficos ficaram entre as maiores quedas. Além da Usiminas, as ações ordinárias da CSN (CSNA3) perderam 8,49%; as da B3 (B3SA3), 5,42%; as da Minerva (BEEF3), 5,20%; e as da MBRF (MBRF3), 5,05%.
Os principais índices de Nova York fecharam em baixa, com perdas mais intensas na tecnologia. O Nasdaq recuou 2,86%, enquanto o S&P 500 perdeu 1,82% e o Dow Jones caiu 1,09%.
Balanços das gigantes de tecnologia ampliaram as preocupações com inteligência artificial. Em relatório divulgado pela manhã, a Wagner Investimentos destacou a repercussão dos resultados de Amazon, Alphabet, dona do Google, e Intel. Os investidores também avaliaram os custos elevados e o prazo necessário para recuperar os investimentos bilionários em IA.
Petróleo terminou o dia em alta, pressionando as perspectivas de inflação. O contrato do Brent para janeiro avançou 2,37%, a US$ 113,43 por barril, enquanto o WTI para dezembro ganhou 2,08%, a US$ 104,12. As preocupações com o conflito entre Estados Unidos e Irã continuaram no radar dos investidores.
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