O dólar comercial fechou esta quinta-feira (29) em alta de 0,89%, cotado a R$ 5,387, interrompendo uma sequência de duas quedas. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, recuou 1,06%, aos 169.186,42 pontos, acumulando o quarto pregão consecutivo de perdas. As preocupações com as contas públicas brasileiras e a perspectiva de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos marcaram as negociações, segundo analistas.
O que aconteceu
Dólar voltou a subir após duas sessões de alívio. A moeda americana chegou a ser negociada acima de R$ 5,41 durante o pregão. Na quarta-feira (28), havia recuado 0,19%, a R$ 5,340.
Incertezas fiscais mantiveram investidores cautelosos. Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, avaliou que as dúvidas sobre a política fiscal e a trajetória dos gastos públicos após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pressionaram os ativos brasileiros. Segundo ela, o mercado continuou aguardando definições sobre a condução da economia.
Busca por proteção favoreceu a moeda americana. Nossig associou a valorização do dólar às preocupações domésticas e à perspectiva de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos. Taxas americanas mais altas tornam os investimentos no país mais atraentes e podem reduzir a entrada de recursos em mercados emergentes, como o Brasil.
Possível tributação de investimentos também preocupou o mercado. Fabio Louzada, economista e fundador da B7 Business School, destacou o receio de cobrança de impostos sobre aplicações atualmente isentas, além das dúvidas sobre o futuro das contas públicas.
Também há preocupação no mercado em relação a tributação de investimentos até então isentos. Fabio Louzada, economista e fundador da B7 Business School
Ibovespa fechou abaixo dos 170 mil pontos. O índice caiu 1,06%, aos 169.186,42 pontos, ante 171.006,10 pontos na quarta-feira. Foi a quarta sessão consecutiva de perdas, em uma sequência iniciada após o segundo turno das eleições.
Varejistas e construtoras sentiram a pressão dos juros. Segundo Louzada, a perspectiva de taxas elevadas por mais tempo prejudicou empresas dependentes de crédito. Juros maiores encarecem os financiamentos, aumentam as despesas das companhias e podem reduzir as compras de produtos e imóveis.
Juros e exterior
Juros futuros reduziram parte da alta registrada durante o dia. Às 17h12, a taxa do contrato para janeiro de 2027 estava em 13,642% ao ano, enquanto a de janeiro de 2029 marcava 14,745% e a de janeiro de 2031, 15,065%. Os valores ainda eram parciais. No início da tarde, os dois últimos contratos haviam atingido 14,865% e 15,210%, respectivamente.
Economia americana cresceu acima das expectativas. O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos avançou 3,4% no terceiro trimestre, em taxa anualizada, ante previsão de 3,2% citada pela Nomad. No trimestre anterior, a expansão havia sido de 2,2%. Consumo, investimentos e gastos públicos contribuíram para o resultado.
Inflação americana também acelerou. O índice de preços dos gastos com consumo pessoal (PCE), indicador acompanhado pelo Federal Reserve, subiu 0,5% em setembro e acumulou alta de 3,6% em 12 meses. O núcleo, que exclui alimentos e energia, avançou 0,3% no mês e 3,1% em um ano.
Dados reforçaram expectativas de nova alta de juros nos EUA. Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, avaliou que a combinação de crescimento econômico mais forte e inflação persistente aumentou as apostas em uma elevação de 0,25 ponto percentual em dezembro.
Fed manteve juros na véspera. O banco central americano preservou a taxa entre 3,75% e 4% ao ano, com dez votos favoráveis. Lisa Cook e Beth Hammack defenderam uma elevação de 0,25 ponto percentual.
Bolsas americanas fecharam em queda, pressionadas pela tecnologia. O Nasdaq Composite recuou 1,38%, aos 26.184,72 pontos. O S&P 500 caiu 0,30%, aos 7.720,39 pontos, enquanto o Dow Jones perdeu 0,25%, aos 52.342,56 pontos.
Setor de tecnologia concentrou parte das perdas em Wall Street. Segundo Nossig, os indicadores econômicos reforçaram a expectativa de juros elevados por mais tempo, pressionando ações de empresas de crescimento. Louzada também destacou a cautela com os balanços corporativos e os custos de financiamento. Além disso, o resultado da Alphabet também pressionou o índice — a dona do Google viu suas ações caírem mais de 12%.
Banco Central Europeu manteve suas taxas de juros. O BCE preservou a taxa de depósito em 2,50% ao ano, a de refinanciamento em 2,65% e a de empréstimos marginais em 2,90%. A instituição destacou os riscos do encarecimento da energia para a inflação e a atividade econômica.
Ações em destaque
Gerdau liderou as altas do Ibovespa. As ações preferenciais da siderúrgica avançaram 5,69%, a R$ 25,46, enquanto as ordinárias da Embraer subiram 5,25%, a R$ 102,40. As preferenciais da Metalúrgica Gerdau ganharam 5,16%, a R$ 11,20.
WEG e Suzano também registraram valorização. As ações ordinárias da fabricante de equipamentos elétricos avançaram 4,41%, a R$ 49,28, enquanto as da produtora de celulose subiram 3,37%, a R$ 49,72.
Minerva e construtoras ficaram entre as maiores quedas. As ações ordinárias da Minerva recuaram 6,92%, a R$ 2,69. MRV perdeu 6,70%, a R$ 4,04, enquanto Direcional caiu 6,16%, a R$ 8,23.
Cogna e Azzas 2154 também tiveram perdas expressivas. As ações ordinárias da empresa de educação caíram 5,85%, a R$ 1,61, enquanto as da varejista recuaram 5,60%, a R$ 14,16.
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