O dólar operava em alta no último dia de negociações de outubro, enquanto o Ibovespa caminhava para a quinta queda consecutiva, em meio às incertezas sobre a política fiscal e a futura equipe econômica. Às 12h36, a moeda americana subia 0,62%, cotada a R$ 5,421. O índice recuava 1,09%, aos 167.342,60 pontos, às 12h37.
O que está acontecendo
A indefinição sobre a política econômica mantém os investidores cautelosos. Segundo Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, as dúvidas sobre as contas públicas no período pós-eleitoral continuam pressionando o Ibovespa, em conjunto com o ambiente internacional negativo.
A pressão vendedora continua sendo impulsionada pelas incertezas domésticas geradas no cenário pós-eleitoral, com os investidores demonstrando preocupação com a futura política fiscal e aguardando definições concretas sobre a equipe que comandará a economia do país. Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad
Dólar mantém a valorização no último pregão de outubro. A moeda americana prolonga a alta em relação ao real desde a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na sexta-feira (23), último pregão antes do segundo turno, havia encerrado cotada a aproximadamente R$ 4,99.
Na quinta-feira (29), o dólar subiu 0,89%, a R$ 5,387. A valorização interrompeu duas quedas consecutivas. No mês, a moeda caminha para encerrar com alta superior a 4%, reduzindo as perdas acumuladas em 2026, que chegaram a superar 9% antes do segundo turno.
Ibovespa permanece abaixo dos 170 mil pontos. Com a queda desta sexta-feira, o principal índice acionário brasileiro acumulava perda de aproximadamente 18,4% desde o encerramento do último pregão anterior ao segundo turno. Nos quatro primeiros dias de negociações após a vitória de Lula, o recuo havia sido de cerca de 17,5%.
A definição da equipe econômica e o tamanho do ajuste fiscal estão no centro das atenções. Em análise enviada nesta manhã, a Monte Bravo avalia que a ausência de uma decisão oficial sobre o Ministério da Fazenda mantém elevada a incerteza sobre a condução da economia em 2027.
A definição do ministro da Fazenda e a apresentação de medidas fiscais concretas serão determinantes para estabilizar as expectativas domésticas. Monte Bravo, em comentário de mercado
A alta do dólar também preocupa pelas possíveis consequências sobre a inflação. A Monte Bravo aponta que a desvalorização do real, combinada com o petróleo elevado, pode provocar revisões nas projeções de preços. Na avaliação da casa, uma piora mais intensa das expectativas dificultaria a continuidade dos cortes da Selic.
Desemprego recuou para 5,2% no terceiro trimestre. A taxa divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) é a menor de toda a série histórica, iniciada em 2012, para o período. O resultado reaproxima a desocupação do recorde alcançado em dezembro do ano passado, de 5,1%. Ainda assim, 5,63 milhões de pessoas estavam desempregadas.
No exterior, os balanços das empresas de tecnologia pesam sobre o mercado. Em relatório enviado nesta sexta-feira, a Wagner Investimentos destaca os resultados de Amazon, Google e Intel entre os fatores de pressão sobre o Nasdaq. A Monte Bravo também aponta dúvidas sobre a rentabilidade dos investimentos em inteligência artificial como motivo de cautela.
A trajetória dos juros americanos continua no radar. A Wagner Investimentos avalia que a atividade forte e a inflação persistente nos Estados Unidos sustentam a perspectiva de novas altas pelo Federal Reserve (Fed), o banco central americano. Na quarta-feira (28), a instituição manteve a taxa de referência entre 3,75% e 4% ao ano.
Outros bancos centrais também mantiveram os juros nesta semana. Na quinta-feira, o Banco Central Europeu (BCE) deixou suas taxas inalteradas. Nesta sexta-feira, o Banco do Japão optou pela manutenção dos juros em 1,25% ao ano.
Vale teve queda de 53% no lucro, mas geração de caixa foi destaque. A mineradora registrou lucro líquido de US$ 1,255 bilhão no terceiro trimestre. O fluxo de caixa livre recorrente chegou a US$ 1,37 bilhão, enquanto o Ebitda, resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somou US$ 3,5 bilhões. A divisão de cobre teve crescimento de 66% no resultado operacional, e a companhia manteve suas projeções de produção para 2026.
Usiminas voltou ao lucro, mas decepcionou analistas. A siderúrgica lucrou R$ 243,4 milhões no terceiro trimestre, revertendo prejuízo de R$ 3,5 bilhões um ano antes. O resultado ficou abaixo dos R$ 300 milhões esperados pelo mercado. O Ebitda ajustado chegou a R$ 558 milhões, também inferior às projeções.
CSN negocia venda de negócio de cimento por R$ 12,7 bilhões. A companhia firmou acordo de exclusividade de dez dias com a chinesa Huaxin Building Materials Group para negociar a venda de ações da CSN Cimentos Brasil. Segundo a siderúrgica, a proposta foi a mais vantajosa entre as recebidas no processo iniciado em março.
Deixe seu comentário
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.