O dólar comercial encerrou esta terça-feira (6) em queda de 0,51%, cotado a R$ 4,975 para venda. Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, recuou 0,52%, aos 205.835 pontos. O movimento ocorre após a forte valorização dos ativos brasileiros na véspera, na reação ao resultado do primeiro turno das eleições.
O que aconteceu
Investidores embolsam parte dos ganhos da véspera. Para Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, a queda do Ibovespa é um movimento normal de realização de lucros após a disparada de ontem.
"Normalmente, após um movimento muito forte de alta, o mercado tende a embolsar parte do lucro e isso é bem saudável"
Gabriel Magno, chefe de alocação da AW Capital
Movimento não muda cenário otimista, diz estrategista. Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, afirma que investidores aproveitaram o pregão para realizar parte dos ganhos em ativos que haviam disparado. Na avaliação dela, porém, isso não compromete o viés positivo instalado no mercado doméstico após o primeiro turno.
Entrada de dinheiro estrangeiro ajuda o real. Segundo Magno, o mercado continua assimilando a melhora das expectativas para o cenário doméstico. A entrada de recursos estrangeiros em ações e títulos públicos favorece a moeda brasileira, que ganhou força novamente, já que investidores precisam converter dólares em reais para aplicar no país.
Dólar passa por acomodação. Rebecca afirma que o câmbio teve um movimento mais moderado depois da forte queda da véspera. Investidores seguem acompanhando o fluxo de capital estrangeiro e as perspectivas para a economia brasileira no médio prazo.
Ajuste fiscal segue no radar
Contas públicas estão no centro das apostas. Magno afirma que o mercado deve acompanhar as notícias de Brasília e possíveis medidas de contenção de gastos em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. "Acredito que hoje o que mais ronda de expectativa no mercado financeiro é o tão falando ajuste fiscal", diz.
Ibovespa pode superar os 220 mil pontos, avalia Magno. Segundo ele, um ajuste concentrado nas despesas, com cortes ou melhora na qualidade dos gastos, poderia sustentar o otimismo com os ativos brasileiros nos próximos meses.
Frustração com ajuste fiscal é um dos riscos. Magno afirma que a ausência de um plano contundente para as contas públicas poderia reduzir a confiança dos investidores estrangeiros. Uma saída de recursos do país pressionaria a Bolsa, o dólar e os juros.
Maiores altas e quedas
Banco do Brasil, AXIA e BTG pesam sobre o índice. As ações do Banco do Brasil caíram 6,43%, enquanto AXIA ON perdeu 3,10% e as units do BTG Pactual recuaram 2,81%. Magno associa as quedas à realização de lucros após as fortes altas da véspera.
Minerva, Cogna e Vamos avançam. Minerva subiu 7,40%, Cogna ganhou 4,83% e Vamos avançou 4,52%. Para Magno, esses papéis são favorecidos pela queda dos juros futuros diante da expectativa de ajuste fiscal a partir do próximo ano.
E no exterior?
Wall Street fecha em alta. Segundo Rebecca, S&P 500, Nasdaq e Dow Jones oscilaram sem direção única ao longo do dia, em meio aos movimentos dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano e à espera de novos indicadores economicos.No entanto, no final do dia, os índices ganharam tendência de alta com ajuda dos resultados de empresas de tecnologia. Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq fecharam, respectivamente, com altas de 0,49%. 0,58% e 0,45%.
Fatores domésticos continuam ditando o mercado brasileiro. Para a estrategista, a cautela no exterior reforça que o movimento recente dos ativos brasileiros está ligado principalmente às expectativas para o cenário político e econômico do país.
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