A primeira reação do mercado financeiro ao resultado do primeiro turno das eleições veio do exterior. Na noite deste domingo (4), o real ganhava força no mercado futuro internacional, enquanto um fundo negociado em Bolsa que acompanha ações brasileiras subia mais de 8% nos primeiros negócios no Japão.
O movimento antecipa a reação dos mercados. A expectativa dos analistas é de alta no Ibovespa, índice que reúne as principais ações da bolsa brasileira, no pregão de segunda-feira (5) diante da vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula no primeiro turno.
O que aconteceu
ETF de ações brasileiras disparou na abertura da Bolsa de Tóquio.O NEXT FUNDS, fundo negociado na Bolsa de Tóquio que busca acompanhar o Ibovespa, ampliava os ganhos e avançava 8,42%, a 319,5 ienes, às 21h37 de Brasília — 9h37 de segunda-feira no horário local. No fechamento de sexta-feira, a cota valia 294,7 ienes.
O real também se valorizava no mercado futuro. Na CME, em Chicago, o contrato da moeda brasileira com vencimento em novembro avançava 4,78%, a US$ 0,19945 por real, às 20h39. O valor equivalia a cerca de R$ 5,01 por dólar, uma queda de aproximadamente 4,6% da moeda americana em relação ao ajuste anterior. As cotações são divulgadas com atraso.
A reação ocorre após Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nenhum dos dois alcançou a maioria necessária para encerrar a disputa neste domingo, e os candidatos voltam a se enfrentar no segundo turno, em 25 de outubro.
O mercado brasileiro estava fechado quando o resultado das urnas foi conhecido. Por isso, os negócios no exterior dão as primeiras indicações de como investidores podem reagir na abertura da Bolsa e do mercado de câmbio nesta segunda-feira (5).
Por que o mercado reagiu?
Analistas associam o movimento à expectativa de uma política fiscal mais austera em um eventual governo Flávio. A avaliação é que uma perspectiva de maior controle das contas públicas pode reduzir o prêmio de risco cobrado pelos investidores, pressionar os juros futuros para baixo e favorecer o real e a Bolsa.
"O ponto central não é o nome do candidato, e sim a probabilidade de uma mudança na trajetória fiscal" Elisa Machado, sócia e economista-chefe da KAT Investimentos.
Uma percepção de menor risco fiscal tende a beneficiar principalmente empresas mais sensíveis aos juros. Construção civil, varejo e educação estão entre os setores citados por Alexandre Pletes, head de renda variável da Faz Capital.
Bancos e empresas mais endividadas também podem ser favorecidos por uma eventual queda dos juros, segundo Ronaldo Guimarães, sócio e conselheiro da KAT Investimentos. Estatais podem reagir à perspectiva de mudança de gestão em caso de vitória de Flávio, mas devem apresentar maior volatilidade.
Segundo turno ainda pode mudar cenário
A reação inicial não significa que o movimento será mantido até o fim da eleição. A distância entre os candidatos nas pesquisas, as propostas econômicas apresentadas durante a campanha e os nomes escolhidos para uma eventual equipe econômica devem continuar mexendo com os preços.
"Parte dessa melhora pode ser devolvida se a disputa voltar a se apertar nas pesquisas do segundo turno" Elisa Machado, , sócia e economista-chefe da KAT Investimentos
O cenário internacional também pode limitar o movimento dos ativos brasileiros. Pletes cita a pressão sobre os juros globais e o elevado endividamento dos governos como fatores capazes de impedir uma queda mais intensa das taxas brasileiras.
Os investidores agora devem acompanhar a transferência dos votos dos candidatos eliminados e as sinalizações econômicas de Lula e Flávio. A composição do Congresso também entra nas contas do mercado, principalmente pela capacidade do próximo governo de aprovar medidas fiscais.
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