Após alta dos juros nos Estados Unidos pelo Fed (Federal Reserve), o dólar fechou o dia estável, valendo R$ 5,151. Na Bolsa, o Ibovespa tem leve variação negativa. O mercado aguarda agora a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central brasileiro nesta "super quarta-feira". No exterior, os índices acionários sobem em Nova York, assim como os indicadores nas Bolsas europeias e asiáticas.
O que aconteceu
Dólar tem viés ligeiramente positivo após decisão de juros nos Estados Unidos. A moeda americana terminou o pregão cotada no comercial para venda a R$ 5,151, variação de menos 0,06% ante fechamento de ontem, após o Fed (Federal Reserve), Banco Central dos Estados Unidos, anunciar alta na taxa de juros. Ao longo do dia, a divisa oscilou entre R$ 5,14 e R$ 5,16.
No aguardo das decisões do Banco Central brasileiro, o Ibovespa fechou em queda. O principal índice de ações da Bolsa do Brasil B3 recuou 0,51%, marcando 185.547 pontos. Ontem, o indicador avançou 0,54%, a 186.502 pontos, quando movimentou R$ 15,8 bilhões, ante R$ 17 bilhões na sexta-feira (11).
Mercado local depende da manutenção do fluxo de capital externo. No atual ciclo de alta do Ibovespa, o saldo das aplicações dos estrangeiros, grupo que responde por cerca de 60% do giro financeiro na Bolsa do Brasil B3, está positivo desde 21 de agosto, somando aportes de R$ 11 bilhões.
Banco Central dos EUA aumentou os juros pela primeira vez em três anos. A decisão anunciada pelo Fed leva a taxa de referência da economia norte-americana para a faixa de 3,75% a 4% ao ano, a primeira alta desde julho de 2023, quando a taxa passou para o intervalo entre 5,25% e 5,5% ao ano.
Foi o primeiro aumento promovido pelo Fed (Federal Reserve) sob comando de seu novo presidente. Kevin Warsh, indicado por Donald Trump, já vinha alertando que terá trabalho a fazer caso as projeções de inflação não recuassem. A taxa vinha sendo mantida estável nos encontros anteriores, entre janeiro e junho, após três reduções consecutivas entre setembro e dezembro de 2025.
Expectativa de aumento dos juros americanos já influencia rendimentos das aplicações. Os títulos dos Tesouro americano rondam a maior taxa desde 2007. Segundo analistas, as tensões no Oriente Médio ampliam as preocupações com preços de energia e inflação, em um cenário que torna mais provável a alta de 0,25 ponto percentual dos juros pelo Federal Reserve.
Uma elevação dos juros americanos acompanhada de projeções que apontem para novos ajustes tende a elevar os rendimentos dos Treasuries, atrair capital para os Estados Unidos e fortalecer o dólar globalmente, aumentando a pressão de alta sobre a taxa de câmbio da nossa moeda, o real. Leonel Oliveira Mattos, economista na StoneX
Foco agora se volta para o Brasil. Aqui, aposta é de um mais um corte mínimo dos juros. É quase unânime a expectativa dos agentes financeiros de que o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central reduza a taxa Selic dos atuais de 14% ao ano para 13,75% ao ano. Se confirmada, será a quinta redução seguida, em ciclo que começou em março — para encontros que ocorrem a cada 45 dias.
Prévia do PIB reforça cenário de desaceleração da economia brasileira. Após cair 0,64% em junho, o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) voltou a encolher em julho, agora em 0,22%, em uma retração maior que apontavam as expectativas do mercado financeiro, que projetavam variação negativa de 0,1%.
A segunda leitura negativa consecutiva indica que o processo de moderação do crescimento econômico se mantém e, na nossa visão, deve persistir nos próximos meses, com o esgotamento da renda e do crédito limitando a demanda, mesmo com os diversos estímulos fiscais. Essa trajetória de moderação da atividade permite que o Copom continue cortando a Selic além da reunião de hoje. André Valério, economista sênior do Inter
Mesmo se reduzida, a taxa real de juros brasileira segue perto do maior patamar em duas décadas e entre as maiores do mundo. O Banco Central brasileiro foi o primeiro a elevar juros a partir de 2024, quando a inflação aqui já estava muito acima da meta, que é de 3% ao ano.
No exterior, o preço do petróleo caiu. O barril do tipo Brent (referência internacional) para novembro fechou em queda de 2,69%, a US$ 105,83 o barril. Já o petróleo WTI (referência nos EUA) para outubro recuou 3,21%, para US$ 102,43 o barril.
O Brasil pode ainda cortar juros porque nós partimos de um nível de juros já muito mais elevado que outros países. Além disso, tivemos melhora da inflação e perda de força da atividade econômica. Já os Estados Unidos precisam subir juros porque partem de uma taxa menor, enfrentam inflação ainda acima da meta e sofrem um choque de energia capaz de contaminar expectativas. O mesmo barril de petróleo caro pesa sobre os dois bancos centrais, mas encontra economias em posições diferentes. Matheus Spiess, economista na Empiricus Research
OSX enfrenta credor nanico e suspeita de fraude. Em sua segunda recuperação judicial e com dívida estimada em cerca de R$ 8 bilhões, a empresa fundada por Eike Batista enfrenta suspeita de fraude e a oposição de um único credor trabalhista no processo para aprovar o plano de sua segunda recuperação judicial, revela reportagem do UOL publicada hoje. Cotadas perto de R$ 1,00, ações da empresa recuaram 4,8% ontem.
Brookfield confirma compra de oito parques logísticos da Marq. O negócio da ordem de R$ 1,4 bilhão, inclui quatro empreendimentos em São Paulo e quatro no Rio de Janeiro, que somam aproximadamente 560 mil metros quadrados de Área Bruta Locável (ABL) e potencial construtivo de 128 mil metros quadrados no Rio. Papéis da empresa negociados na B3 caíam 16,35% no fim da tarde, a R$ 47,70.
Ações da Petrobras rondam máximas históricas com petróleo e impulsiona Ibovespa. As ações PN (preferenciais a dividendos) e ON (ordinárias com direito a voto) da petroleira, que respondem por 12% do Ibovespa, subiram perto de 4% ontem e elevaram a 30% os ganhos desde 7 de julho. Hoje, caíam 4,04% no fim da tarde, a R$ 53,96.
JBS faz joint venture com Grupo Viva. Sociedade cria a maior processadora de couro do mundo. A nova companhia conseguirá processar mais de 20 milhões de couros por ano e terá 31 fábricas espalhadas por seis países. Os BDRs da empresa negociados na B3 recuavam 0,77% na B3 no fim da tarde, a R$ 62,81.
WEG aprova pagamento de R$ 450 milhões em juros sobre capital próprio. O valor líquido será de R$ 0,0884 por papel, já deduzido o Imposto de Renda de 17,5%. No fim da tarde, as ações da empresa eram cotadas a R$ 51,51, alta de 1,24%.
Braskem teve a recomendação de investimento cortada pelo UBS BB. O banco revisou de neutra para venda a recomendação para o papel e rebaixou o preço-alvo dos papéis de R$ 10,50 para R$ 3,75. No fim da tarde, os papéis tinham variação negativa de 15,36%, valendo R$ 4,52.
Cielo vai captar R$ 2,5 bilhões com emissão de debêntures. Serão distribuídas até 2,5 milhões de debêntures, com valor nominal unitário de R$ 1.000 na data de emissão, prevista para amanhã, destinadas exclusivamente a investidores profissionais, dispensando a elaboração de prospecto e lâmina da oferta.
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