Empresas não devem pagar resgate em casos de sequestro de dados porque isso "financia o crime" e incentiva novos ataques, disse Jefferson Propheta, vice-presidente para a América do Sul da CrowdStrike, no Conselho dos Conselhos, do Canal UOL.
Propheta avaliou que a chance de ataques é alta e defendeu que conselhos de administração cobrem preparação prática, com exercícios e governança, antes de uma crise acontecer.
Nunca [pague o resgate]. Pagar resgate é financiar o crime e dar mais energia para esses atacantes continuarem. E no exercício, você vai falar: "Poxa, mas e aí?" Se você fizer o exercício, se você tiver protocolos bem definidos, se você tiver bons parceiros de resposta a incidente, você nunca vai pagar o resgate.Jefferson Propheta
O executivo disse que a adoção de inteligência artificial também acelerou o lado dos atacantes. Segundo ele, relatório de análise de incidentes da CrowdStrike aponta que 89% de aumento nos ataques de grupos cibercriminosos habilitados por IA (AI enabled adversaries).
A gente está percebendo que da data da descoberta até a exploração agora está caindo para minutos. E aí a pergunta que fica é: você melhorou de horas ou de semanas ou de meses para minutos em se defender?Jefferson Propheta
Para Propheta, o conselho precisa cobrar que a empresa treine a resposta a incidentes antes da crise, para que decisões críticas não sejam tomadas no improviso. Ele afirmou que a maioria de conselheiros e CEOs só descobre que não estava pronta quando já sofreu um ataque.
Se preparar para o incidente é fazer exercícios de simulação de incidente que treinam toda a tua infraestrutura de pessoas, de processos, para responder frente a um incidente.Jefferson Propheta
Ele afirmou que o exercício ajuda a responder perguntas básicas - como se há backup e se a restauração funciona -, mas também expõe gargalos de comando e comunicação: quem decide, como avisar dentro e fora da empresa e como lidar com órgãos reguladores.
As pessoas que vão tomar decisão frente ao incidente, elas sabem o que elas têm que fazer? Elas sabem que forma tem que se noticiar esse incidente, pra dentro da empresa, pra fora, pros órgãos reguladores?Jefferson Propheta
Propheta disse que, para reduzir o impacto, empresas têm buscado contratos pré-negociados com fornecedores de resposta a incidentes, o que acelera o atendimento em crises. Ele também defendeu troca de informações sobre ataques, citando o mercado financeiro como exemplo de setor que compartilha aprendizados "a portas fechadas".
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