O ano era 2014. Pouco depois de dar à luz a primeira filha e em meio a um divórcio, a empresária Mônica Granzo, 45 anos, decidiu fazer o que muitos considerariam arriscado: empreender.
Com R$ 150 mil que economizou ao longo de anos de trabalho, ela fundou a Smarkets, uma plataforma B2B (de empresa para empresa) voltada às compras corporativas.
Pouco mais de uma década depois, em 2025, a empresa faturou R$ 13 milhões. Além disso, já movimentou mais de R$ 10 bilhões em transações e reúne cerca de 700 clientes, entre eles Gerdau, Itaú, Nestlé, Carrefour e Hospital Sírio-Libanês.
De vendedora de bombons a empresária
Filha de uma mãe dependente química, Mônica cresceu em uma família de baixa renda e vendia bombons na escola para complementar a renda da casa. "Sempre acreditei que o trabalho fosse uma forma de transformar a minha história", afirma.
Mônica também trabalhou como caixa de supermercado, vendedora de loja e recepcionista. Aos 18 anos, ingressou em um hospital do interior de São Paulo e construiu carreira na área de suprimentos, além de atuar em um projeto no setor petrolífero em Angola.
Foi justamente essa experiência que levou a empresária, formada em ciências contábeis, a identificar uma oportunidade de negócio. Assim, ela resolveu criar uma plataforma para conectar empresas compradoras e fornecedoras.
O crescimento no início foi um pouco mais lento porque a ideia era construir uma operação autossustentável.
Só depois de quatro anos a Smarkets começou a dar lucro e gerar caixa.
Acho que essa é uma lição importante para quem quer empreender: é preciso pensar na sustentabilidade financeira do negócio. No Brasil, mais de 70% das empresas não sobrevivem por mais de cinco anos Mônica Granzo, fundadora e CEO da Smarkets
O investimento que mudou a empresa
Nos primeiros anos, a Smarkets operava utilizando a tecnologia de uma empresa parceira. Apenas quatro anos após a fundação, Mônica decidiu buscar investimentos para desenvolver uma plataforma própria.
A empresa captou recursos de investidores, entre eles um fundo da Microsoft e o grupo Ultra. Ao todo, a startup levantou R$ 9,6 milhões, capital que permitiu desenvolver sua própria tecnologia e acelerar o crescimento do negócio.
A empreendedora também trouxe um sócio especializado em tecnologia para fortalecer a operação.
Segundo Mônica Granzo, os dois maiores desafios da empresa foram conseguir clientes e obter recursos financeiros.
"Foi preciso muita resiliência para persistir, montar estratégias e encontrar caminhos para superar esses obstáculos", afirma.
Ela diz que levantar recursos exige persistência. "Para conseguir avançar em uma iniciativa de captação, muitas vezes são necessárias cerca de 100 reuniões. Recebemos muitos 'nãos' antes de encontrar os parceiros certos."
Mais de R$ 10 bilhões movimentados
Hoje, a Smarkets já ultrapassou R$ 10 bilhões em volume transacionado por meio da plataforma e afirma ter gerado mais de R$ 1 bilhão em economia para seus clientes.
"A economia é a diferença entre o preço que o cliente costumava pagar e o valor que conseguimos negociar. Já os R$ 10 bilhões representam todo o volume transacionado pela plataforma ao longo desses anos", explica.
A empresa também passou a apostar em inteligência artificial para automatizar processos como comparação de preços, cotações e identificação de inconsistências entre fornecedores. Segundo a empresa, a tecnologia reduz o tempo de processamento e aumenta a eficiência das compras corporativas.
A importância de buscar investimento
Para o economista Jefferson Marcondes, doutorando em Ciências Ambientais pela UTFPR e professor do Centro Universitário Internacional Uninter, em Curitiba (PR), buscar investimentos pode ser uma excelente estratégia quando a empresa identifica oportunidades de crescimento que exigem recursos financeiros além de sua capacidade atual.
"A entrada de investidores pode trazer diversos benefícios para a empresa. O aporte de capital permite financiar projetos de expansão, inovação e modernização sem depender exclusivamente de recursos próprios", diz.
No entanto, de acordo com o especialista, essa decisão deve ser tomada com planejamento, avaliando cuidadosamente o valor necessário, os riscos envolvidos, o retorno esperado e as formas de financiamento disponíveis.
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