Após atingir o maior patamar em seis semanas, o preço do petróleo mantém a recente trajetória de valorização em meio ao aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã, cotando perto de US$ 100 o contrato futuro do barril do tipo Brent. O movimento amplia as incertezas globais e faz as principais Bolsas oscilarem sem rumo definido. As Bolsas americanas têm sessão negativa.
O que aconteceu
Petróleo sobe e se reaproxima de US$ 100 por barril. Por volta das 13h30 (horário de Brasília), a cotação do Brent, referência internacional para o combustível, avançava 0,3% e os contratos com entregas previstas para novembro eram firmados por US$ 97,28. Na máxima de sessão, a cotação marcou US$ 99,45.
Aumento das tensões no Oriente Médio alimenta aversão a risco e valorização da commodity. O Irã prometeu retaliar novos ataques dos Estados Unidos. "Ataquem nossos ativos e vocês serão atacados", afirmou Mohammad Baqer Qalibaf, presidente do Parlamento iraniano. Ele também declarou que as respostas aos ataques americanos serão "mais rápidas, mais duras e mais dolorosas".
EUA e Irã trocaram ataques durante o fim de semana. Navios comerciais viraram armas de pressão econômica, segundo a empresa de inteligência naval Marisks. A empresa avalia que a linha entre o confronto militar e o transporte comercial de cargas foi enfraquecida.
Guerra no Irã reduziu a oferta global dos combustíveis. Com as interrupções no Estreito de Hormuz, rota de escoamento para 20% do petróleo produzido no mundo, os países passaram a consumir suas reservas estratégicas para evitar o desabastecimento. Nos EUA, os estoques de combustíveis nos EUA estão abaixo da média de cinco anos.
Estimativas apontam para o Brent em até US$ 120. A projeção apresentada pelo banco de investimentos Goldman Sachs considera a manutenção das agressões no Golfo Pérsio. No final de semana, a Opep+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) decidiu pela manutenção da produção no mês de outubro.
Bolsas mundiais
Wall Street tem sessão com viés negativo. Recuando desde a abertura, os principais índices das Bolsas americanas apresentava variações negativas no começo da tarde. Na Bolsa de Nova York, o Dow Jones, que acompanha o desempenho das grandes indústrias, perdia 1,1% às 13h30 (horário de Brasília), marcando 52.818 pontos, e o S&P recuava 0,42%, a 7.686 pontos. Na Bolsa eletrônica Nasdaq, o índice principal Nasdaq perdia 0,22%, a 26.449 pontos.
Semana encurtada pelo feriado do Dia do Trabalho será marcada pelas divulgações de indicadores econômicos. O relatório do índice de preços ao consumidor na sexta-feira e de preços ao produtor na quinta-feira. Alguns investidores afirmaram que os dados de inflação terão maior peso na trajetória dos juros dada a ênfase do chair Kevin Warsh em reduzir os preços. Os operadores agora estimam uma chance de 58,4% de alta na taxa de juros neste mês, de acordo com a ferramenta CME FedWatch.
O movimento reflete a escalada das tensões no Oriente Médio, depois que os Estados Unidos atacaram petroleiros iranianos no fim de semana e o Irã relatou um ataque a uma embarcação americana no Estreito de Hormuz, cresce o temor de interrupções no fornecimento, o que deixa o mercado de commodities em alerta. Juliana Benvenuto, coordenadora de Alocação e Inteligência da Avenue
Na Europa, os índices fecharam após abertura sem viés único. O Stoxx 600, que acompanha 600 empresas da Zona do Euro, recuava 0,30%, aos 649 pontos, às 13h30. A queda é puxada pelos recuos do FTSE de Londres (-0,10%), do DAX de Frankfurt (-0,01%), do IBEX de Madri (-0,12%) e MIB e Milão (-0,10%). O CAC de Paris subia 0,14%.
Mercado projeta alta dos juros. O BCE (Banco Central Europeu) reúne a diretoria para definir a taxa de referência de juros na Zona do Euro na depois de amanhã, quinta-feira. Atualmente em 2,25% ao ano, a expectativa é a de que a taxa suba a 2,5%. A Pimco espera uma pausa prolongada após setembro, embora veja risco de novas altas caso as expectativas de inflação piorem. Ainda no cenário macro, na Alemanha, as exportações caíram 0,8% em julho ante junho, no primeiro recuo em seis meses..
Entre as ações, a Novartis despencou cerca de 10,5% em Zurique. A queda ocorreu após o del-desiran, medicamento experimental para doença neuromuscular, não atingir o objetivo principal em estudo de fase final - o terceiro teste a desapontar na semana. O Jefferies avaliou que o novo revés pode aumentar a necessidade de aquisições e acordos para sustentar o crescimento da farmacêutica além de 2030.
Em Londres, a varejista de artigos para o lar Dunelm recuou 13,8%. Em Frankfurt, TeamViewer recuou 3,1% e Infineon perdeu 4,4%. Em Milão, UniCredit cedeu operou praticamente estável após anunciar a compra de participação minoritária na fintech alemã VC Trade. Na ponta positiva, a ENI avançou 1,4% na esteira do encarecimento de energia, enquanto Telecom Italia subiu 2,7%.
Bolsas da Ásia fecharam também majoritariamente em baixa. As quedas mais expressivas foram registradas pelos índices Nikkei de Tóquio (-1,71%), Kospi da Coreia do Sul (-0,58%). Na China, o Xangai Composite teve alta de 0,2%, a 3.940,55 pontos, e o Shenzhen Composite recuou 0,1%, a 2.526,93 pontos.
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