Relatório da Nokia mostra que 78% das ofensivas contra a segurança das empresas terminam em cinco minutos. Nesse tempo tão curto, as equipes de segurança não conseguem nem se mobilizar. Sistemas automatizados encurtam a resposta aos ataques, mas não substituem equipe preparada ou política de segurança e infraestrutura adequada.
Um ataque DDoS usa muitas fontes para enviar requisições simultâneas a uma rede, um servidor ou uma aplicação. O volume consome capacidade de processamento e largura de banda até dificultar ou impedir o acesso de usuários legítimos. Mesmo quando dura poucos minutos, pode derrubar serviços, interromper operações e produzir perdas financeiras. O tamanho do prejuízo depende do alvo, do momento e da capacidade de resposta.
O dado do Threat Intelligence Report 2025, a edição mais recente do estudo da Nokia, expõe o problema objetivo para provedores de internet e operadoras, quando boa parte das ofensivas pode acabar antes que uma equipe confirme o alerta, entenda o padrão e acione manualmente a contenção.
O relatório informa que a análise combina dados operacionais da Nokia com respostas de 160 líderes de segurança de empresas de telecomunicações. O percentual de 78% descreve o universo observado pela companhia e não todos os ataques ocorridos na internet.
A velocidade do ataque vem acompanhada de uma base distribuída de dispositivos que ajudam a esconder a origem do tráfego. A Nokia identificou de 100 a 200 milhões de endereços residenciais disponíveis para exploração ou uso malicioso de banda, sendo um quarto dessas conexões no Brasil.
Roteadores, câmeras, smart TVs e outros equipamentos conectados podem integrar essas redes sem que seus donos percebam. Esses dispositivos formam grupos de máquinas infectadas e controladas a distância. Em vez de partir de um único servidor facilmente reconhecível, o tráfego malicioso chega de milhares ou milhões de conexões domésticas, muitas delas semelhantes às de usuários comuns.
A inteligência artificial acelerou os dois lados dessa disputa. Atacantes usam automação para procurar vulnerabilidades, testar a eficácia de uma ofensiva e alterar o padrão quando a defesa começa a funcionar. Operadoras usam modelos de aprendizado de máquina para identificar anomalias no tráfego e escolher uma resposta em segundos.
"Infelizmente, a IA passou a ser um facilitador para o hacker. O pessoal começou a perceber que muitas das técnicas utilizadas na defesa hoje já não servem mais", afirma Ricardo Cainé, diretor de desenvolvimento de negócios e engenharia do cliente da área de IP para a América Latina da Nokia. Segundo ele, modernizar a proteção exige investimento, e empresas menores nem sempre têm orçamento ou acesso aos sistemas usados por grandes operadoras.
A companhia produz desenvolve o Deepfield Defender, software de detecção e mitigação de DDoS oferecido no Brasil pela DPR Telecomunicações, parceira tecnológica e de soluções da fabricante.
O Deepfield reúne dados da rede, como telemetria, DNS e BGP, e os cruza com o Secure Genome, base da Nokia sobre o contexto de segurança da internet. A plataforma cria uma referência do tráfego normal, procura desvios e gera estratégias de mitigação que podem ser executadas automaticamente por roteadores ou sistemas dedicados.
O Genome Shield amplia essa lógica. A camada mantém políticas de proteção na borda da rede e pode bloquear a comunicação entre dispositivos comprometidos e os servidores de comando e controle das botnets antes do disparo do ataque. A Nokia oferece configurações destinadas a provedores regionais e a grandes operadoras, com capacidade que vai de centenas de gigabits por segundo à escala de terabits.
O Deepfield protege a disponibilidade da rede contra DDoS, mas não resolve sozinho toda a segurança dos dados de uma empresa. Controle de acesso, atualização de sistemas, cópias de segurança, proteção contra sequestro de informações e treinamento dos funcionários continuam necessários.
Cainé alerta que a discussão começa antes da compra de uma plataforma. Sistemas desatualizados, senhas de fábrica, softwares sem licença e dispositivos de origem duvidosa ampliam a superfície de ataque. Nas empresas, a política de segurança precisa incluir a aplicação de correções, a atualização da infraestrutura e a formação de quem acessa os sistemas.
"As ameaças mudam a cada dia. Boa parte dos problemas é causada pelo desconhecimento das pessoas, que acessam um link indevido, compartilham informação sem saber ou clicam onde não devem", diz o executivo.
Um computador comprometido pode abrir caminho para o roubo ou o sequestro de informações. Dependendo do sistema atingido, a empresa pode perder dados de clientes, faturamento ou até a capacidade de emitir faturas. Cainé relata ter visto administrações públicas sem conseguir processar a folha de pagamento depois de incidentes de segurança.
Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.
Deixe seu comentário
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.