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UOL Economia há 79 d • Seg, 17 Ago 2026 07:02:05 -0300

Casas Bahia entra em recuperação judicial com dívidas de R$ 17,3 bilhões

Casas Bahia entra em recuperação judicial com dívidas de R$ 17,3 bilhões

Casas Bahia recorre à recuperação judicial para renegociar dívidas e preservar operações após enfrentar restrições de crédito e dificuldades de liquidez.

O que aconteceu

Grupo Casas Bahia protocolou pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. O processo é feito em conjunto com algumas de suas principais subsidiárias, como Cnova Comércio Eletrônico, Bartira, Casas Bahia Tecnologia e empresas de logística do grupo.

Decisão foi aprovada pelo conselho de administração da companhia e pelo acionista controlador. A petição foi feita na 2° Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo no final da noite de domingo (16).

Medida judicial impacta pagamentos de aproximadamente R$ 17,3 bilhões. Segundo a Casas Bahia, o processo inclui dívidas com bancos, fundos de investimentos, seguradoras, fornecedores, além de aluguéis e dívidas trabalhistas. Do total, R$ 16,4 bilhões são compromissos junto a credores quirografários, ou seja, sem garantias. Há ainda R$ 754 milhões de dívidas trabalhistas, R$ 154 milhões junto a microempresas (ME) ou empresas de pequeno porte (EPP).

Segundo a varejista, o pedido foi motivado pela deterioração de suas condições econômico-financeiras. A companhia diz que a situação foi agravada pelo ambiente marcado por juros elevados, restrição ao crédito, aumento dos custos financeiros e pressão sobre o consumo e o capital de giro. A empresa também afirmou que não conseguiu concretizar alternativas de liquidez que vinham sendo estruturadas ao longo dos últimos meses.

Nos últimos anos, fizemos um trabalho importante de transformação da companhia. Reduzimos de forma relevante o endividamento financeiro, melhoramos nossa estrutura de capital, avançamos em eficiência e fortalecemos a geração de caixa. Mas precisamos reconhecer que essa evolução, embora crucial, não foi suficiente diante de um cenário de crédito mais restritivo, juros elevados e consumo pressionado. A realidade mudou e, junto ao nosso conselho de administração, tomamos decisões para adequar a companhia a essa nova realidade. Renato Franklin, CEO do Grupo Casas Bahia

Companhia vai manter operações normalmente durante o processo de recuperação judicial. O pedido de recuperação judicial não interrompe a operação do Grupo Casas Bahia, disse a companhia. A empresa afirma que seguirá atuando em seus canais físicos e digitais, atendendo clientes, trabalhando com fornecedores e executando as medidas previstas no Plano de Transformação, dentro das condições estabelecidas pelo processo de reorganização.

Empresa classificou a recuperação judicial como passo necessário para viabilizar reestruturação financeira, preservar a continuidade das operações e buscar uma solução organizada para suas obrigações. Durante o processo, a Casas Bahia afirmou que pretende manter normalmente suas atividades em todos os canais de venda, sem interrupções relevantes para clientes e consumidores.

Grupo informou que pretende concentrar sua operação em negócios mais rentáveis e com maiores margens, além de renegociar e alongar dívidas financeiras e operacionais. O objetivo é encontrar uma solução definitiva para sua estrutura de capital por meio do processo de recuperação judicial.

Como a medida foi tomada em caráter de urgência, o conselho também aprovou a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária para que os acionistas ratifiquem a decisão. A companhia disse que manterá o mercado informado sobre os próximos desdobramentos do processo.

Empresa planeja fechar 298 lojas. Isso representa cerca de 29% das 1.034 lojas que o grupo apresentava no mês fim de junho, segundo dados do balanço. No mesmo balanço de resultados, a Casas Bahia apresenta um plano de ação que inclui o fechamento dos pontos de venda menos rentáveis. Segundo a direção, o plano é "priorizar canais e categorias de maior rentabilidade, reduzindo o capital empregado e o custo de financiamento, para fortalecer o caixa e assegurar uma operação sustentável e autofinanciável".

Demissões podem atingir perto de 7% dos funcionários da companhia. A empresa não detalhou quantos cortes serão feitos. Segundo o Sindicato dos Comerciários de São Paulo, o fechamento de cerca de 300 lojas pode levar ao desligamento de cerca de 2 mil trabalhadores do grupo, que empregava 30 mil ao fim do semestre.

Sindicato dos Comerciários de São Paulo se reúne hoje com a companhia. Procurada pelo UOL, a entidade disse que tem reunião com a Casas Bahia. Ambos devem discutir questões relacionadas aos empregos que a companhia mantém.

Companhia já havia recorrido à recuperação extrajudicial em 2024. Naquele ano, renegociou cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas com credores. O plano foi homologado pela Justiça em junho.

Prejuízo bilionário

A Casas Bahia reportou um prejuízo de R$ 10,1 bilhões. A perda foi impactada por efeitos contábeis não recorrentes de R$ 9,1 bilhões que, segundo a companhia, não têm efeito no caixa para o trimestre. O prejuízo ajustado, sem os efeitos não recorrentes, ficou em R$ 978 milhões.

A perda ficou bem acima da registrada um ano antes, quando a varejista teve prejuízo de R$ 555 milhões. Segundo comunicado da empresa ao mercado, a baixa está ligada a medidas para redimensionamento de suas operações, a fim de enfrentar o momento desafiador para o setor.

O prejuízo líquido foi fortemente impactado por uma baixa de imposto diferido de R$ 5,7 bilhões. O valor se refere a créditos tributários contabilizados pela companhia que tiveram que ser ajustados. Outras medidas que impactaram o resultado foram a reorganização de pessoal e fechamento de lojas, revisões contratuais e a atualização de suas projeções de resultados futuros.

A receita líquida da varejista cresceu 1,6% no trimestre, para quase R$ 7 bilhões. Mas as despesas com vendas tiveram alta relevante de 17%, para R$ 1,8 bilhão.

A empresa não descarta um novo pedido de recuperação extrajudicial ou judicial. O grupo passou por uma recuperação extrajudicial em 2024, quando negociou uma dívida de R$ 4,1 bilhões. Nos últimos dias, a empresa fechou 298 lojas.

Reestruturação

A varejista vem implementando mudanças desde 2023 para ajustar as contas. O plano de transformação incluiu ações que ajudaram a reduzir parte do endividamento e mudar o perfil de sua dívida.

Mas uma piora no cenário econômico acelerou a necessidade de novas medidas, incluindo o fechamento de lojas. Segundo a varejista, a combinação entre crédito mais restritivo, uma captação internacional não concretizada e um ambiente de consumo mais fraco acelerou a necessidade de fechamento de lojas.

A empresa tentou captar dinheiro com investidores internacionais, mas não conseguiu, o que piorou o quadro. Segundo a companhia, foram realizadas reuniões com investidores do Brasil, Estados Unidos e Europa. Mas o principal investidor interessado desistiu da operação e ela não se concretizou.

A estratégia daqui em diante é operar uma companhia menor, mais seletiva e concentrada nas atividades capazes de gerar retorno e caixa. Isso significa preservar as operações com maior capacidade econômica, adequar custos e investimentos ao novo nível de atividade, melhorar o giro de estoques e reduzir a necessidade de capital empregado. Renato Franklin, CEO do Grupo Casas Bahia

Sindicato vai acionar Justiça para anular demissão em massa na Casas Bahia. Ação vai se basear na proibição constitucional de dispensa em massa sem diálogo prévio com sindicatos, disse Ricardo Patah, presidente do sindicato. Segundo ele, a equipe jurídica da entidade pedirá suspensão dos desligamentos até que uma negociação seja realizada.

Demissões podem atingir cerca de 7% dos funcionários. A empresa empregava cerca de 30 mil no primeiro semestre do ano. O sindicato negociará benefícios extras e a realocação de gestantes e funcionários em vulnerabilidade. Caso a via judicial falhe, as prioridades incluem a extensão da assistência médica, indenizações complementares e a transferência de gestantes para pontos de venda remanescentes.

Ações caem perto de 30% na Bolsa. Negociadas abaixo de R$ 1,00, as ações da Casas Bahia cediam a R$ 0,48 às 11h20, menor patamar do papel desde o fim de 2023. Em dezembro daquele ano, os papéis eram cotados a R$ 0,50, quando passaram por um grupamento de 25 para um, passando a ser cotados a R$ 11,27.

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