O mercado reage nesta quinta-feira à divulgação do balanço do Bradesco, o terceiro entre os maiores bancos privados do país a reportar seus resultados do segundo trimestre de 2026, após números já revelados pelo Itaú Unibanco e pelo Santander Brasil, que foram recebidos com visões opostas pelos analistas.
O que aconteceu
O Bradesco lucrou R$ 7,05 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 16,2% em um ano. A margem financeira do segundo maior banco privado do país atingiu R$ 20,87 bilhões, alta de 15,7% em um ano. A companhia atribuiu o avanço ao maior volume médio de crédito e à melhora do spread, com destaque para a margem de passivos.
A margem financeira atingiu R$ 20,87 bilhões, alta de 15,7% em um ano. A companhia atribuiu o avanço ao maior volume médio de crédito e à melhora do spread, com destaque para a margem de passivos. Esses efeitos compensaram a menor margem associada ao mix de produtos e segmentos.
A carteira de crédito expandida alcançou R$ 1,14 trilhão, crescimento de 11,6% em um ano. Segundo o Bradesco, a expansão ocorreu com apetite moderado na originação e prioridade para linhas com garantias e retorno ajustado ao risco.
Itaú Unibanco lucrou 75% mais do que o Bradesco. O maior banco privado do país registrou lucro líquido recorrente gerencial de R$ 12,4 bilhões no segundo trimestre, avanço de 7,8% em relação a um ano antes. A rentabilidade medida pelo retorno recorrente sobre o patrimônio líquido (ROE) foi de 24,3%, com inadimplência acima de 90 dias estável em 1,9%.
Já o Santander Brasil teve lucro líquido recorrente de R$ 3,01 bilhões no segundo trimestre. O desempenho do terceiro maior banco privado foi 17,6% menor do que um ano antes, impactado pela piora em indicadores de crédito. A inadimplência acima de 90 dias subiu para 3,3%, alta de 0,7 ponto percentual, e as despesas com provisão para devedores duvidosos (PDD) somaram R$ 7,65 bilhões, avanço de 11,5%.
Reações na Bolsa
Mercado gostou dos números do Itaú Unibanco. As ações do banco reagiram bem ao balanço e subiram na Bolsa no dia seguinte à divulgação dos números. Os papéis preferenciais (PN) avançaram 0,7%, a R$ 42,80, e as ações ordinárias (ON) subiram 2,48%, a R$ 45,86. Analistas destacaram a consistência do Itaú para entregar desempenho operacional.
O balanço do Santander foi mal recebido. As ações recuaram perto de 7,4% após a divulgação dos resultados para R$ 25,63, em um movimento atribuído ao lucro abaixo do esperado e piora dos indicadores de crédito.
Por que mercado gostou do Itaú e não do Santander
No caso do Itaú, analistas apontaram que a margem financeira com clientes voltou a mostrar desempenho saudável, com crescimento sólido da carteira e disciplina na originação. Para Rafael Reis, do BB Investimentos, a estabilidade do spread e do custo do crédito como proporção da carteira média reforçou a percepção de combinação entre crescimento e controle de risco.
No Santander, a leitura foi de um trimestre mais fraco, com provisões elevadas e sinais de deterioração da rentabilidade, além de inadimplência maior. Analistas citaram lucro abaixo do esperado, aumento do colchão para perdas com crédito e ROE de 12,5%, ante 16,4% um ano antes, em um cenário de juros elevados e endividamento alto.
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