Em 2019, a depressão pegou em cheio Vanessa Gomes Marcusse, 45 anos. Mãe de dois filhos, ela era bancária e havia deixado o emprego cinco anos antes, por insatisfação. Abriu uma loja de roupas infantis, mas também não estava feliz com os resultados do trabalho. Conta que viveu um novo período de exaustão, insatisfação e noites em claro. Os pensamentos que passavam pela cabeça naquela época são lembranças que ela prefere deixar no passado.
Ao procurar ajuda, ouviu na terapia que precisava encontrar algo que tivesse prazer em realizar. Foi então que se lembrou de uma antiga vontade de aprender a fazer biscoitos decorados.
O que começou como uma tentativa de recuperar a saúde mental durante a pandemia de covid-19 acabou mudando sua vida profissional. Vanessa estudou técnicas de confeitaria, participou de cursos e congressos e lançou, em meados de 2020, a marca de biscoitos Lovely Sweet, em Curitiba (PR).
A virada com os pirulitos
As primeiras datas comemorativas trouxeram resultados animadores: foram R$ 700 em vendas de biscoitos no Dia dos Avós e mais R$ 1 mil no Dia dos Pais.
Mas a virada definitiva veio de forma inesperada. Navegando pelas redes sociais, ela começou a ver vídeos de pirulitos decorados feitos com isomalte, um adoçante que tem metade das calorias do açúcar. Decidiu fazer o doce e, para sua surpresa, os pirulitos passaram a atrair mais clientes do que os biscoitos.
Desde 2021, os pirulitos se tornaram o carro-chefe da empresa. "A última vez que eu fiz uma média, estava vendendo entre mil e 1.200 unidades por mês", conta.Os pirulitos custam entre R$ 9 e R$ 18, dependendo do tamanho e do modelo. O faturamento com o produto no ano passado foi de R$ 80 mil.
Dos aniversários para os pontos de revenda
No início, as vendas da Lovely Sweet dependiam quase exclusivamente de encomendas para festas e eventos, o que limitava muito o negócio. Vanessa então partiu em busca de pontos de revenda, para levar os pirulitos a um público maior.
O primeiro teste aconteceu em um salão de beleza. Para convencer a proprietária, a empreendedora ofereceu um modelo sem riscos: deixou um lote de produtos e combinou que receberia apenas pelas unidades vendidas. A estratégia deu certo. A parceria, que começou há cerca de três anos, continua até hoje.
Com o resultado positivo, Vanessa buscou novos parceiros comerciais. Em alguns momentos, chegou a ter até cinco pontos de revenda.
Depois, migrou para o ensino online. Atualmente, oferece um minicurso por R$ 199 e uma formação completa por R$ 527. Cerca de 80 alunas já participaram das turmas virtuais.
Como é feito o pirulito?
Na época em que começou a produzir biscoitos e pirulitos, Vanessa trabalhava na própria cozinha de casa. Hoje, conta com um espaço exclusivo para a produção.
O isomalte, matéria-prima do pirulito, é comprado em forma de pequenos grânulos, semelhantes a um sal grosso. O primeiro passo é levar o produto ao fogo até que ele se transforme em uma calda completamente transparente. Segundo Vanessa, o ponto ideal é atingido quando a mistura alcança 167°C.
"É nessa temperatura que a calda fica estabilizada para a gente trabalhar", explica.
Depois, a calda é despejada em moldes de silicone. Nessa etapa, são adicionados o palito e as imagens comestíveis que ficam dentro do pirulito. Elas podem ser produzidas em papel arroz, folha de gelatina ou outros materiais específicos para impressão de alimentos.
Em seguida, uma nova camada de calda é aplicada para selar o produto. O processo termina com o resfriamento, etapa considerada fundamental para a qualidade final. O ponto correto, segundo a confeiteira, é identificado pelo som característico de vidro quando o pirulito é levemente tocado.
A partir daí, ele precisa ser embalado rapidamente. Isso porque o isomalte absorve a umidade do ar com facilidade. Se permanecer exposto por muito tempo, o pirulito pode ficar pegajoso e perder a aparência cristalina.
A importância dos pontos de revenda
Para a coordenadora de atendimento e relacionamento do Sebrae/PR, Acea Ratcheva, diversificar os canais de venda é uma estratégia que ajuda a reduzir a dependência de uma única fonte de receita e a aumentar as oportunidades de crescimento.
"No caso da revenda, ela permite que os produtos cheguem a novos públicos e regiões sem que a empreendedora precise investir diretamente na abertura de novos pontos de venda", diz.De acordo com a especialista, porém, a expansão por meio de revendedores exige planejamento. Ela afirma que é importante escolher parceiros alinhados com os valores da marca, além de estabelecer regras comerciais claras e manter um acompanhamento próximo da operação para preservar a qualidade da experiência oferecida ao cliente final.
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