Mohamed Salah, quatro vezes artilheiro da Premier League inglesa e um dos melhores e mais conhecidos atacantes do futebol mundial, irá jogar em um clube com orçamento inferior ao de todos os 12 times tradicionalmente tratados como grandes no Brasil.
Depois de nove temporadas defendendo as cores do Liverpool, o astro egípcio de 34 acertou com o Trabzonspor, terceiro colocado do último Campeonato Turco.
A nova equipe de Salah não precisou pagar pelos direitos econômicos do jogador, já que ele estava sem contrato com os "Reds" desde o começo de julho. Porém, pelos próximos dois anos, terá de arcar com um salário estimado de 17 milhões de euros por temporada (quase R$ 8,4 milhões mensais).
Acontece que o Trabzonspor está longe de ter o mesmo poderio financeiro dos gigantes da Inglaterra ou de um Barcelona, Real Madrid, Paris Saint-Germain, Bayern de Munique e Inter de Milão.
Muito pelo contrário: sua arrecadação total no ano passado, já incluindo valores levantados com vendas de jogadores, que não costumam entrar nos balanços dos clubes europeus, ficou na casa de 87 milhões de euros (R$ 515,7 milhões).
De acordo com relatório da Sports Value, as 12 maiores potências do futebol brasileiro tiveram receitas maiores que a do Trabzonspor no mesmo período. O Vasco, aquele de menor faturamento desse grupo, obteve entradas de R$ 570 milhões.
Já o Flamengo, número um do ranking nacional de dinheiro chegando no caixa, faturou mais que o quádruplo do time que contratou Salah.
Vai pagar como?
O Trabzonspor pôde mergulhar no sonho de contratar o craque egípcio, uma aventura que nenhuma equipe brasileira sequer pensou seriamente em embarcar, porque fechar as contas no azul está longe de ser uma das suas prioridades.
Ano após ano, o clube turco gasta mais do que arrecada. E esse déficit não costuma ser pequeno. Em 2024, por exemplo, o volume acumulado de despesas foi praticamente o dobro do total das receitas.
Segundo Amir Somoggi, um dos principais especialistas em marketing esportivo do Brasil e diretor da Sports Value, essa espécie de irresponsabilidade financeira não é uma característica exclusiva do Trabzonspor, mas do futebol turco como um todo.
"Aqui no Brasil, os clubes fazem loucuras pensando "se eu ganhar a Libertadores, fecho a conta". Os turcos fazem a mesma coisa, mas pensando em jogar a Champions. Então, contratam jogadores a peso de ouro, com salários astronômicos e acumulam déficit esperando uma campanha de quartas de final ou semifinal para pagar a conta com a premiação. Só que isso nunca acontece, e eles constroem dívidas enormes", analisa o consultor.
O próprio Trabzonspor já foi punido pela Uefa por descumprir as regras do Fair Play Financeiro da entidade, ou seja, por não ter capacidade de gerar dinheiro suficiente para pagar as contas que contraiu.
Apesar de ter sido vice-campeão turco em 2019/20, a nova equipe de Salah foi proibida de participar da Champions na temporada seguinte por não estar com as contas em dia. Ela só recebeu permissão para retornar aos torneios europeus em 2021/22, quando caiu nas fases preliminares da Conference League.
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