A Chevron teve lucro líquido de US$ 12,07 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 384,8% em relação ao mesmo período de 2025, informou a petrolífera americana em seu balanço trimestral. O salto é justificado pela disparada do preço do barril de petróleo em meio à guerra no Oriente Médio.
Destaques do trimestre
Chevron atribui o desempenho positivo ao aumento do preço do barril de petróleo. O balanço destaca que o valor médio do Brent, referência internacional para o combustível, foi de US$ 104, alta de 28,4% na comparação com os três primeiros meses deste ano (US$ 81) e de 52,9% ante o mesmo período do ano passado (US$ 68).
A receita da Chevron somou US$ 67,2 bilhões no trimestre, alta de 51,4% em um ano. Segundo a companhia, o resultado refletiu preços mais altos de commodities, margens maiores nas vendas de produtos refinados e volumes de vendas superiores, incluindo US$ 1,4 bilhão em efeitos favoráveis de contabilização no tempo (o descasamento entre o registro contábil de derivativos financeiros e a entrega física do petróleo).
A produção mundial de óleo e gás da companhia somou 4,07 milhões de barris de óleo equivalente por dia, 19,8% acima do mesmo período de 2025. A Chevron atribui o avanço à contribuição dos ativos herdados da compra da Hess Corporation e ao crescimento na Bacia do Permiano e no Golfo do México, que o governo americano passou a chamar de Golfo da América. A produção nos Estados Unidos chegou a 2,08 milhões de barris equivalentes por dia, o que a empresa classifica como recorde.
As refinarias americanas da Chevron processaram 1,07 milhão de barris de petróleo por dia no trimestre, recorde segundo a companhia. A utilização da capacidade das unidades de destilação ficou acima de 97% no período.
Os investimentos (capex, os gastos da empresa em poços, máquinas e outros ativos) somaram US$ 4,54 bilhões no trimestre, alta de 22,3% em um ano. A companhia atribui o aumento aos gastos com os ativos herdados da Hess, parcialmente compensados por menor investimento na Bacia do Permiano.
A dívida total da Chevron caiu US$ 8,41 bilhões no trimestre, a maior redução trimestral já registrada pela companhia, segundo o balanço. A relação entre dívida bruta e fluxo de caixa operacional (indicador de alavancagem) recuou de 1,5 vez no primeiro trimestre de 2026 para 0,8 vez no segundo trimestre. Considerando a dívida líquida, o indicador foi de 0,6 vez, ante 1,3 vez três meses antes.
A Chevron diz ter alcançado US$ 1,5 bilhão em sinergias anuais recorrentes ligadas à aquisição da Hess Corporation, um ano após o fechamento do negócio — 50% acima da meta inicial. A empresa também afirma ter atingido, seis meses antes do previsto, a meta de capturar US$ 3 bilhões em cortes estruturais de custos com base em 2024, dentro de um programa que mira redução de US$ 3 bilhões a US$ 4 bilhões até o fim de 2026.
No trimestre, a Chevron assinou um acordo de fornecimento de energia de 20 anos com a Microsoft para abastecer um data center no oeste do Texas, com até 2,67 gigawatts de eletricidade dedicada. A companhia também firmou memorandos de entendimento com o governo do Iraque para avaliar sua participação nos campos de petróleo de West Qurna 2 e Nasiriyah, além de um oleoduto de exportação.
A Chevron concluiu a venda das operações de combustíveis e lubrificantes de Hong Kong. A empresa também assinou acordo para vender sua fatia de 50% na Singapore Refining Company e outros ativos de refino em Singapura, Vietnã, Austrália, Indonésia, Filipinas e Malásia, negócio com fechamento previsto para 2027.
O conselho de administração da Chevron declarou dividendo trimestral de US$ 1,78 por ação. O pagamento está previsto para 10 de setembro de 2026, aos acionistas registrados até 19 de agosto de 2026.
No acumulado do primeiro semestre de 2026, o lucro líquido da Chevron somou US$ 14,28 bilhões. O valor é 138,4% maior que o registrado no mesmo período de 2025.
O que diz a Chevron
A companhia atribui o desempenho do trimestre à confiabilidade operacional e à disciplina de investimento, em meio a um cenário de incerteza geopolítica. "Diante da incerteza geopolítica e da volatilidade de mercado, as pessoas da Chevron seguem focadas em entregar com segurança a energia confiável de que o mundo precisa", diz Mike Wirth, presidente do conselho e principal executivo da Chevron.
Nosso forte desempenho no segundo trimestre é resultado de investimento disciplinado e execução sólida, que impulsionaram produção recorde nos Estados Unidos, processamento recorde em nossas refinarias americanas e confiabilidade excepcional em nossos principais ativos.Mike Wirth
A companhia associa o acordo com a Microsoft à sua estratégia para a demanda de energia ligada à inteligência artificial. "Posicionamos a empresa para ajudar a impulsionar a dominância americana em inteligência artificial e gerar fluxos de caixa resilientes, aproveitando nossas capacidades únicas", afirma Wirth.
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