As ações preferenciais da Usiminas (USIM5) caíam 4,75%, a R$ 5,21, por volta das 13h desta sexta-feira (30), após a divulgação do balanço do terceiro trimestre. Analistas avaliaram negativamente os resultados e alertaram para novas pressões sobre a rentabilidade da siderúrgica nos últimos três meses do ano.
O Ebitda ajustado, indicador que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somou R$ 558 milhões, aproximadamente 10% abaixo das projeções dos três bancos. A receita líquida chegou a R$ 6,2 bilhões, queda de cerca de 6% em relação ao mesmo período de 2025.
O que aconteceu
Custos maiores e preços mais fracos pressionaram o resultado. Segundo o Itaú BBA, em relatório de Daniel Sasson, Marcelo Furlan Palhares e João Paulo Helito, o aumento dos volumes vendidos não foi suficiente para compensar despesas mais elevadas e preços domésticos menos favoráveis. O Safra destacou que o Ebitda também ficou 14% abaixo da média das projeções de analistas consultados pela Visible Alpha.
Placas de aço e coque mais caros elevaram os custos. Diego Eduardo Garcia, diretor financeiro da Usiminas, afirmou que esses insumos foram os principais responsáveis pela pressão. O custo por tonelada de aço vendida aumentou 2,4% sobre o segundo trimestre, para R$ 4.849, também afetado pela desvalorização do real.
Pressão do coque deve continuar no quarto trimestre. Segundo Garcia, a companhia espera preços relativamente estáveis para as placas de aço, mas prevê impacto maior do encarecimento do coque, um combustível utilizado na produção siderúrgica. O executivo afirmou que uma normalização desse mercado é difícil de prever e pode ocorrer apenas em 2027.
Mudança na composição das vendas também prejudicou a rentabilidade. Segundo o Itaú BBA, a maior participação do segmento de distribuição e as receitas menores com serviços e coprodutos reduziram o valor recebido por tonelada no mercado doméstico. Garcia explicou que a queda das vendas à indústria foi compensada por volumes maiores destinados à distribuição, enquanto o avanço das entregas ao setor automotivo ajudou a amenizar o impacto.
BTG mantém cautela com as perspectivas da Usiminas. Em relatório de Leonardo Correa e equipe, o banco avalia que as dificuldades enfrentadas pela siderúrgica devem continuar, especialmente diante do cenário de preços e custos no mercado brasileiro.
Os resultados reforçam nossa postura cautelosa em relação à Usiminas, particularmente diante das perspectivas desafiadoras para os aços planos no Brasil. BTG Pactual, em relatório
Quarto trimestre deve continuar pressionado
Usiminas prevê piora moderada no resultado da divisão de aço. A administração espera que o aumento das exportações compense parte da desaceleração sazonal das vendas domésticas, mas alerta para custos ainda elevados e uma composição de vendas menos favorável.
Fim do ano dificulta repasse de custos aos clientes. Na teleconferência com analistas, Marcelo Chara, presidente da Usiminas, afirmou que a sazonalidade e as férias coletivas limitam a capacidade de elevar os preços do aço. A companhia pretende buscar a recomposição dos custos nas negociações comerciais, priorizando produtos de maior valor agregado e a rentabilidade das vendas.
Safra também espera pressão sobre os resultados. Em relatório de Ricardo Monegaglia e Caique Isidoro, o banco destaca a combinação de volumes e preços menores no mercado brasileiro com o aumento dos custos, principalmente de carvão e coque.
Empresa defende novas medidas contra importações desleais. Chara afirmou que as iniciativas adotadas pelo governo ajudaram a reduzir a entrada de aço estrangeiro, mas os volumes continuam acima da média histórica. O executivo também pediu proteção para os clientes da siderurgia, que enfrentam concorrência de produtos industrializados importados que utilizam aço.
Mineração e caixa também preocupam
Resultado da mineração caiu fortemente no trimestre. O Ebitda da divisão recuou de R$ 71 milhões para R$ 19 milhões. As vendas diminuíram 18%, para aproximadamente 2 milhões de toneladas, após a paralisação temporária de uma unidade de beneficiamento.
Minério mais barato e fretes elevados reduziram a atratividade da operação. Segundo Chara, a Usiminas pretende diminuir os despachos da divisão, preservar reservas minerais e priorizar as operações mais rentáveis. A estratégia também envolve disciplina financeira e redução de custos.
Geração de caixa ficou abaixo das expectativas. O fluxo de caixa livre, dinheiro que sobra após as operações e os investimentos, foi negativo em R$ 36 milhões, enquanto o Safra esperava geração positiva de R$ 269 milhões. O resultado foi afetado pelo desempenho operacional mais fraco e pelo consumo de recursos no capital de giro, utilizado para financiar as atividades cotidianas.
Usiminas encerrou setembro com caixa líquido de R$ 471 milhões. Isso significa que o dinheiro disponível superava o valor de suas dívidas financeiras, oferecendo alguma proteção diante das dificuldades operacionais.
Bancos mantêm recomendação neutra para as ações. O Itaú BBA tem preço-alvo de R$ 8 para USIM5, equivalente a potencial de valorização de 53,6% sobre a cotação de R$ 5,21. O BTG projeta R$ 10, com possibilidade de alta de 91,9%, enquanto o Safra estabelece alvo de R$ 8,30, potencial de 59,3%. Apesar da diferença entre os preços atuais e os objetivos, as três casas continuam cautelosas com as perspectivas operacionais da companhia.
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