A Irani, fabricante de papel e embalagens de papelão ondulado, lucrou R$ 56,5 milhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 34,3% em relação ao mesmo período de 2025, informou a companhia em sua apresentação de resultados.
Lucro líquido somou R$ 56,5 milhões no trimestre, alta de 34,3% sobre o mesmo período de 2025 (R$ 42,1 milhões). Segundo a companhia, o avanço reflete uma variação maior no valor justo dos ativos biológicos (como as florestas plantadas usadas na produção de papel). Essa parcela foi de R$ 16,9 milhões, contra R$ 2,2 milhões um ano antes; sem ela, o lucro ficou em R$ 39,6 milhões, 0,6% abaixo dos R$ 39,8 milhões de 2025.
Comparação do lucro considera apenas as operações que seguem no portfólio. A operação descontinuada, de Resinas Sustentáveis, não afetou receita, Ebitda (indicador que mede a geração de caixa) nem lucro do trimestre, segundo a companhia. Incluída essa operação, o lucro de 2025 foi de R$ 41,1 milhões, e a alta chega a 37,5%.
Receita líquida somou R$ 456,6 milhões, alta de 5,3% em um ano (R$ 433,5 milhões). A companhia atribui o avanço ao maior volume de vendas no segmento de Embalagem Sustentável (papelão ondulado). A Irani vendeu 47.668 toneladas, 11,5% a mais que no mesmo período de 2025, resultado que credita à estratégia de captação de volume; o mercado brasileiro ficou estável, com 1.117.335 toneladas (-0,1%), segundo a apresentação.
Preço médio do papelão ondulado da Irani, líquido de impostos, foi de R$ 6.120 por tonelada, queda de 1,2% em um ano. Por mil metros quadrados, o preço foi de R$ 3.063, recuo de 2,9%. A companhia descreve os preços como praticamente estáveis e diz que refletem o equilíbrio entre oferta e demanda no mercado.
Ebitda ajustado somou R$ 152,0 milhões, alta de 3,9% em um ano (R$ 146,2 milhões). A margem Ebitda ajustada, que mede quanto da receita vira Ebitda, ficou em 33,3%, contra 33,7% no terceiro trimestre de 2025, recuo de 0,4 ponto percentual. Sobre o segundo trimestre de 2026, o Ebitda cresceu 15,5%.
Vendas do segmento de Papel somaram 31.453 toneladas, queda de 5,2% sobre o mesmo período de 2025. A companhia atribui o recuo ao maior volume de papel rígido transferido internamente para a produção de papelão ondulado. Papel para sacos vendeu 26.252 toneladas (-2,8%), e o containerboard (papel usado na fabricação de papelão ondulado), 5.201 toneladas (-15,4%).
Papel para sacos teve preço médio de R$ 5.365 por tonelada, alta de 2,4% em um ano. No containerboard, o preço médio foi de R$ 3.726, queda de 2,9%. Os valores são líquidos de impostos.
Investimentos da plataforma Gaia somaram R$ 8,7 milhões no trimestre, o equivalente a cerca de 15% do lucro do período. Os projetos em andamento têm investimento bruto estimado de R$ 785,4 milhões, dos quais R$ 155,5 milhões foram aplicados até 30 de setembro de 2026. O maior é a expansão de papel em Minas Gerais (Gaia XII), orçada em R$ 514 milhões, com conclusão prevista para o quarto trimestre de 2029.
Dívida líquida somou R$ 992 milhões ao fim do trimestre, 7,6% abaixo da registrada ao fim do segundo trimestre de 2026 (R$ 1,07 bilhão). A alavancagem (relação entre a dívida líquida e o Ebitda ajustado dos últimos 12 meses) caiu para 1,89 vez, de 2,07 vezes. A companhia atribui a queda à redução da dívida líquida e ao avanço do Ebitda no período.
Dívida bruta chegou a R$ 2,49 bilhões, contra R$ 1,91 bilhão no segundo trimestre, e o caixa subiu a R$ 1,5 bilhão, de R$ 833 milhões. A companhia informa que a primeira série da quinta emissão de debêntures verdes (R$ 486,3 milhões), com vencimento em agosto de 2027, passou para o curto prazo, e que os recursos para o pagamento foram captados em julho de 2026.
Custo da dívida nos últimos 12 meses ficou em 12,9% ao ano, segundo a companhia. O valor equivale a CDI (taxa de juros de referência do mercado) menos 1,3% ao ano.
Retorno sobre o capital investido (ROIC) dos últimos 12 meses chegou a 18,8%, ante 17,5% no segundo trimestre de 2026 e 17,3% no terceiro trimestre de 2025. A companhia atribui a alta sobre o trimestre anterior ao maior fluxo de caixa operacional e aponta um ROIC 10,3 pontos percentuais acima do custo médio da dívida após impostos (8,5%).
Metodologia do ROIC mudou neste trimestre, segundo a companhia: o cálculo passou a usar a dívida líquida, e não a bruta, para medir o capital investido. Pelo critério anterior, o ROIC seria de 12,5%, igual ao do segundo trimestre e abaixo dos 12,9% do terceiro trimestre de 2025.
Dividendos distribuídos somaram R$ 7,9 milhões no trimestre (R$ 0,0344 por ação). Em 12 meses, foram R$ 92,7 milhões, ou R$ 0,40230 por ação. A companhia informa que há dividendos intermediários de R$ 0,061093988 por ação referentes ao terceiro trimestre, a serem deliberados pelo conselho de administração.
Recompra de ações somou 860.300 ações ordinárias no trimestre. Desde o início do programa, em 25 de setembro de 2025, a companhia comprou 1.465.400 ações, 15,0% do limite de 9.771.034, em prazo de 18 meses.
O que diz a Irani
Preço das aparas de papelão ondulado (OCC) da Irani subiu 8,6% sobre o segundo trimestre e ficou em R$ 1.000 por tonelada. Segundo a companhia, houve aumentos até agosto e estabilidade em setembro. Sobre o terceiro trimestre de 2025, a queda foi de 8,5%, em linha com o mercado, de acordo com a empresa; o levantamento da Anguti Estatística aponta R$ 991 por tonelada, recuo de 8,9%.
A Irani informa ter conquistado, pelo sexto ano, o Troféu Transparência 2026 da Anefac, na categoria de receita líquida de até R$ 5 bilhões. Segundo a companhia, ficou ainda em segundo lugar no prêmio Valor Inovação Brasil 2026, a melhor colocação que já obteve no ranking.
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