A Irani Papel e Embalagem teve lucro líquido de R$ 30,9 milhões no segundo trimestre de 2026, queda de 72,4% em relação ao mesmo período do ano passado, informou a companhia nesta sexta-feira em seu balanço trimestral. A comparação considera apenas as operações que a empresa mantém hoje no portfólio, já sem o negócio de resinas, encerrado em 2025.
Destaques do trimestre
O lucro do trimestre caiu principalmente pela menor contribuição da variação do valor justo dos ativos biológicos — as florestas de pinus da empresa — para o resultado, segundo a companhia. No segundo trimestre de 2025, esse efeito contábil, que não representa entrada de caixa, havia sido inflado pela valorização de áreas florestais compradas no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, o que deixou a base de comparação mais alta. A ausência, neste ano, de um crédito tributário de IPI reconhecido no mesmo período de 2025, além de custos maiores com depreciação e exaustão, também pesou no resultado, segundo o balanço. Incluindo o negócio de resinas, já encerrado, o lucro do segundo trimestre de 2025 somado foi de R$ 104,2 milhões, e a queda anual seria de 70,3%.
A receita líquida somou R$ 431,9 milhões no trimestre, alta de 4,4% em um ano. O avanço veio do maior volume vendido nos dois segmentos da companhia — embalagens de papelão ondulado e papel para embalagens sustentáveis —, mesmo com o dólar médio do período mais baixo: caiu de R$ 5,67 no segundo trimestre de 2025 para R$ 5,05 neste ano, queda de 10,9%. Segundo a Irani, o câmbio mais fraco pressionou a receita com vendas de papéis flexíveis, majoritariamente exportados.
O Ebitda ajustado (indicador que mede a geração de caixa) somou R$ 131,6 milhões no trimestre, alta de 3,2% em um ano, com margem de 30,5%, recuo de 0,3 ponto percentual. A empresa afirma que o resultado ainda sofreu impacto negativo de R$ 4,5 milhões por causa de problemas técnicos no transformador do turbo gerador 4, que exigiram compra extra de energia até maio de 2026, quando o equipamento foi consertado. No trimestre anterior, o mesmo problema havia custado R$ 6,1 milhões ao Ebitda, segundo a companhia.
Os investimentos (capex) somaram R$ 48,1 milhões no trimestre, queda de 50,0% ante os R$ 96,0 milhões do segundo trimestre de 2025. Em maio, a Irani aprovou o projeto Gaia XII, orçado em R$ 514 milhões, para reformar a máquina de papel 07 e ampliar em 60% a capacidade da unidade de Santa Luzia, em Minas Gerais, segundo Fato Relevante divulgado pela companhia.
A dívida líquida terminou o trimestre em R$ 1,07 bilhão, alta de 0,3% ante o primeiro trimestre de 2026. A relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado, medida de alavancagem, ficou em 2,07 vezes, ante 2,11 vezes no trimestre anterior — abaixo do teto de 2,5 vezes estabelecido pela própria política financeira da empresa, segundo o balanço.
O que diz a Irani
A administração da Irani afirma que o segundo trimestre marcou a normalização operacional da companhia após paradas programadas para manutenção no primeiro trimestre de 2026. Segundo a empresa, a produção total de papéis para embalagens sustentáveis cresceu 5,3% em um ano e atingiu o maior patamar trimestral da história da companhia.
A Irani também destaca que ampliou sua participação de mercado no segmento de embalagens sustentáveis, de 4% para 4,1% em um ano. A empresa afirma que o cenário mantém o objetivo de dobrar essa fatia até 2034.
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