No dia seguinte à decisão do Fed (Federal Reserve), Banco Central dos Estados Unidos, de manter estável a taxa básica de juros no país, dados do governo divulgados hoje mostram que o PIB (Produto Interno Bruto) americano cresceu menos no segundo trimestre que nos três primeiros meses do ano, e que a inflação medida pelo PCE desacelerou em junho.
O que aconteceu
PIB dos EUA avançou a uma taxa anualizada de 1,5% no segundo trimestre de 2026. A estimativa inicial do Departamento de Comércio veio abaixo da projeção de analistas consultados pelo Broadcast, que esperavam alta de 2,1%.
Economia dos EUA desacelerou em relação ao início do ano. No primeiro trimestre, o PIB tinha crescido 2,1% em termos anualizados, também de acordo com o Departamento de Comércio.
Inflação medida pelo PCE caiu 0,1% em junho ante maio e subiu 3,7% em 12 meses. O índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) é a medida preferida do Federal Reserve (Fed) para acompanhar a inflação. Em maio, a variação apurada em 12 meses estava em 4,1%.
O resultado reforça a leitura de uma inflação que perde fôlego na margem sem, no entanto, convergir para a meta. Vitor Kayo, economista sênior da Nomad
Núcleo do PCE teve alta de 0,1% no mês e de 3,3% no ano. O indicador exclui itens mais voláteis, como alimentos e energia, e ficou abaixo da expectativa de analistas consultados pela FactSet, que projetavam alta mensal de 0,2%.
Fed manteve ontem a taxa básica de juros entre 3,5% e 3,75% ao ano. A decisão foi a quinta seguida de manutenção e teve três votos, entre 12 diretores votantes, a favor de uma alta de 0,25 ponto percentual.
O Fed reconheceu que o ritmo de atividade segue sólido, apesar da incerteza ligada ao Oriente Médio, mas destacou que a inflação continua pressionada, acima da meta de 2%. Na entrevista coletiva após a reunião, o presidente do conselho do Fed, Kevin Warsh, chegou a brincar que queria uma 'boa briga de família' no comitê, referência às divisões e aos três diretores que defendiam alta imediata dos juros. Paulo Gala, professor de Economia da FGV-SP
Dados de PIB e PCE divulgados hoje entram no radar do Fed para as próximas reuniões. Um crescimento mais fraco pode reforçar a leitura de desaceleração da economia, enquanto a inflação mais baixa tende a reduzir a pressão por aperto adicional da política monetária.
Os dados americanos influenciam os negócios no mercado. PCE de junho confirmou a desinflação na margem, enquanto o PIB do segundo trimestre veio bem abaixo do esperado. É uma combinação que torna incômoda a posição dos membros do Fed que votaram por alta de juros. Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital
Mesmo com a melhora pontual do PCE, a trajetória de juros segue sensível a novos dados e ao petróleo. A Reuters relata que a desaceleração da inflação pode ser temporária, com o conflito no Oriente Médio elevando os preços do petróleo; o chair do Fed, Kevin Warsh, afirmou que o banco central não vai "vacilar" no compromisso de levar a inflação de volta à meta de 2%.
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