TSE: presidente do tribunal, ministro Kássio Nunes Marques, fará uma nova apresentação sobre o funcionamento das urnas eletrônicas (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
Publicado em 27 de julho de 2026 às 15h34.
Última atualização em 27 de julho de 2026 às 15h40.
Após questionamentos de Flávio Bolsonaro e do governo dos Estados Unidos sobre as urnas eletrônicas brasileiras, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) marcou uma segunda reunião com embaixadores, representantes diplomáticos e organizações internacionais para apresentar o funcionamento do sistema eleitoral do país. O encontro será realizado em 17 de agosto, na sede da Corte, em Brasília.
Segundo o TSE, a reunião dará continuidade às ações de transparência voltadas à comunidade internacional. O presidente do tribunal, ministro Kássio Nunes Marques, fará uma nova apresentação sobre o funcionamento das urnas eletrônicas e do processo eleitoral brasileiro.
A iniciativa ocorre em meio à repercussão das declarações de Flávio Bolsonaro durante um encontro com diplomatas estrangeiros na semana passada e também após informações de que o governo do presidente Donald Trump prepara o envio de uma missão oficial ao Brasil para discutir o sistema eleitoral.
De acordo com reportagem do The Washington Post, o Departamento de Estado dos Estados Unidos pretendia enviar a Brasília os secretários-assistentes Riley M. Barnes e Samuel Samson, ambos nomeados pelo governo Trump.
Segundo o jornal, autoridades brasileiras ouvidas sob condição de anonimato afirmaram que a missão teria como objetivo levantar questionamentos sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas e produzir um relatório crítico ao sistema brasileiro.
O Itamaraty negou visto aos diplomatas. Os pedidos foram apresentados em 20 de julho. A entrada foi negada na sexta-feira, 24.
Nos últimos dias, o tribunal voltou a rebater declarações de Flávio Bolsonaro sobre uma suposta ligação entre as urnas eletrônicas brasileiras e a empresa Smartmatic, responsável por sistemas eleitorais utilizados em outros países.
Durante encontro com representantes diplomáticos, o senador afirmou, sem apresentar provas, que muitas das máquinas utilizadas nas eleições brasileiras teriam origem na empresa venezuelana.
O TSE reiterou que essa informação é falsa e lembrou que a Smartmatic nunca forneceu urnas eletrônicas nem desenvolveu os softwares utilizados nas eleições brasileiras.
Segundo a Corte, as urnas foram projetadas por servidores da Justiça Eleitoral e são fabricadas por empresas contratadas por meio de licitações públicas. O tribunal ressalta que essa associação já havia sido desmentida em outros ciclos eleitorais.
A empresa venezuelana chegou a prestar outros serviços para a Justiça Eleitoral, como contratos de conexão de dados e voz, mas nunca participou da programação, operação ou auditoria das urnas. Também disputou uma licitação para fabricar equipamentos destinados às eleições de 2020, mas não venceu a concorrência.
O TSE informou que as eleições brasileiras serão acompanhadas por diversas missões internacionais de observação eleitoral, entre elas representantes da União Europeia, Organização dos Estados Americanos (OEA), Parlasul, Carter Center, União Interamericana de Organismos Eleitorais (Uniore) e Rede de Justiça Eleitoral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (Rojae-CPLP).
Segundo o tribunal, a presença dessas entidades integra as medidas para ampliar a transparência do processo eleitoral e permitir o acompanhamento de todas as etapas da votação.
Após a repercussão das declarações de Flávio Bolsonaro, a equipe do senador divulgou uma nota afirmando que ele "não coloca em dúvida o processo eleitoral brasileiro".
O texto sustenta que o parlamentar apenas mencionou documentos divulgados nos Estados Unidos sobre suspeitas envolvendo o sistema eleitoral venezuelano e reafirma a "integral confiança no sistema eleitoral brasileiro", além de defender a presença de observadores internacionais como forma de ampliar a transparência das eleições.
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