O presidente Lula ainda não se manifestou oficialmente sobre a derrota avassaladora de Donald Trump nas eleições de meio de mandato dos EUA —mas disse a interlocutores esperar que as coisas mudem entre os dois países a partir do resultado.
Segundo integrantes da equipe de Lula, o presidente disse que "está na hora de Trump levar o Brasil a sério".
A expectativa do petista, da diplomacia brasileira e de integrantes da área econômica do governo é a de que, passadas as eleições, o presidente norte-americano oriente finalmente sua equipe a avançar seriamente em um acordo para a redução de tarifas impostas por ele aos produtos brasileiros.
Segundo o ministério do Desenvolvimento, elas hoje atingem 47,3% das exportações do Brasil para o país.
Definidos os resultados, com Lula reeleito, um novo Congresso tomando posse em Brasília em 2027 e o partido Democrata formando maioria na Câmara e no Senado dos EUA, seria a hora de Trump enfim deixar questões políticas e ideológicas de lado e retomar o pragmatismo das negociações.
A diplomacia vê sinais nesse sentido, como a rápida conversa que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, teve com o chanceler Mauro Vieira em Atlanta (Georgia) nesta semana.Eles marcaram um novo encontro bilateral para uma conversa mais aprofundada em dezembro, na Flórida (EUA), antes da cúpula do G-20.
Apesar das conversas, pessoais e por telefone que Trump e Lula tiveram nos últimos dois anos, até agora o governo norte-americano não apresentou uma proposta considerada minimamente aceitável pelo Brasil. O único documento oficial apresentado ao país pela administração norte-americana fazia 21 exigências _a maioria delas consideradas inaceitáveis pelo governo Lula.
Os EUA cobravam que "dissidentes políticos" no Brasil não fossem detidos, presos ou impedidos, arbitrariamente, de participar da disputa pelo Planalto. E exigiam que a eleição ocorresse de forma "justa e livre".
As colocações foram interpretadas como tentativa de ingerência inclusive em decisões judiciais brasileiras, como a que condenou Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. A diplomacia criticou inclusive o uso de fake news, e o documento foi considerado natimorto.
Ele foi reapresentado em janeiro deste ano, mais enxuto e com apenas 14 exigências, mas igualmente seguiu recebendo o carimbo de inaceitável pelo Brasil.
As negociações não conseguiram impedir um novo tarifaço contra o país: em julho, foram anunciadas novas sobretexas de até 37,5% que tiveram como base investigações concluídas da Seção 301.
O mecanismo permite que o governo norte-americano investigue e puna práticas comerciais de outros países consideradas desleais, discriminatórias ou que prejudiquem os interesses econômicos e tecnológicos americanos.
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
Recurso exclusivo para assinantes
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.