A inflação anual na zona do euro atingiu em outubro o maior nível em três anos, puxado pelos preços da energia, e deve subir ainda mais nos próximos meses, o que deve reforçar as expectativas do mercado sobre um novo aumento da taxa de juros pelo BCE (Banco Central Europeu), em dezembro.
A inflação anual nos 21 países que adotam o euro subiu para 4% em outubro, ante 3,8% no mês anterior, em linha com a expectativa de uma pesquisa da Reuters com economistas, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (4) pelo Eurostat, a agência de estatísticas da União Europeia.
O núcleo da inflação, que exclui os preços voláteis dos alimentos e da energia, permaneceu em 2,5%, em linha com as expectativas.
A inflação vem subindo rapidamente acima da meta de 2% do BCE neste ano. A guerra dos Estados Unidos contra o Irã elevou os custos da energia, repercutindo nos preços de varejo de um bloco que importa a maior parte de sua energia.
Embora esse aumento ainda não tenha gerado efeitos de segunda ordem difíceis de conter, o BCE já elevou as taxas de juros duas vezes este ano para evitar que as expectativas de aumento dos preços subam na mesma proporção.
O banco manteve os juros na semana passada, mas uma longa lista de autoridades, incluindo os influentes presidentes dos bancos centrais da Alemanha e da Itália, já sinalizou que agora é provável que haja outro aumento em dezembro.
Os mercados financeiros estão precificando entre duas e três altas na taxa de depósito de 2,5% do BCE ao longo do próximo ano, com as expectativas mudando frequentemente, acompanhando a evolução dos preços do petróleo.
A inflação dos serviços, o maior item isolado na cesta de preços ao consumidor, subiu de 3,2% para 3,3%, enquanto os preços dos bens industriais aumentaram 1,2%, após 1,1% no mês anterior. A inflação dos alimentos continuou a acelerar, com os preços dos alimentos não processados subindo 4,6% na base anual.
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