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Brasília O ex-presidente do BRB (Banco de Brasília), Paulo Henrique Costa, afirmou em depoimento à Polícia Federal que o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), ordenou a venda de ações do BRB para o Banco Master em setembro de 2024.
Costa diz ter sido convocado para um jantar na presença do governador e do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master.
"Chego no jantar, tem algumas pessoas no jantar, entre elas o governador Ibaneis [Rocha] e o Daniel Vorcaro", contou Costa. "[Aí] ele [o governador] diz: Paulo, estruture uma venda do BRB para o Master". A venda envolveria as ações do Instituto de Previdência do DF no BRB –cerca de 16% do banco.
Procurada por mensagem de texto às 10h50 desta sexta-feira (30), a defesa de Ibaneis Rocha ainda não se manifestou
Em seu depoimento à PF, Paulo Henrique Costa citou o aumento de capital realizado pelo BRB em 2024. Também disse aos investigadores que à época do jantar estava fazendo cessões de crédito (transferências de carteiras de crédito) com o Master, e portanto já conhecia Daniel Vorcaro.
Como mostrou a Folha, uma auditoria conduzida no BRB observou que a operação de aumento de capital citada por Costa pode ter facilitado a entrada disfarçada de Daniel Vorcaro e outros sócios no banco de Brasília.
Ao mesmo tempo, a compra de carteiras de crédito do Master, igualmente mencionada pelo executivo, também esteve no centro do escândalo do banco –a Polícia Federal descobriu que o Master inflava as carteiras com créditos podres.
Este é Ibaneis Rocha
Aos agentes da PF Costa ainda disse ter ficado surpreso com a ordem de Ibaneis, que comparou a uma privatização disfarçada do banco público.
"[No evento] o Daniel [Vorcaro] fala: 'É banco público. Troca governo depois de um tempo. Preciso de um acordo de acionista que me garanta qual controle'", narrou Costa à PF. Ele diz ter estranhado a afirmação de Vorcaro, já que a venda seria de apenas 16,5% das ações do BRB.
Costa afirma ter procurado o então governador do DF, Ibaneis Rocha, no dia seguinte, para se opor à venda de ações ao Master. "O banco está dando resultados extraordinários. O banco é chave em todo o Distrito Federal. A gente opera em todos os programas sociais".
Presidente de holding e apartamentos de luxo
Segundo Paulo Henrique Costa, a ordem de Ibaneis resultou numa minuta de acordo entre acionistas prevendo a criação de uma holding financeira com Master e BRB, da qual ele, Costa, seria o presidente.
"Eu seria o presidente dessa holding, ia pedir demissão [da presidência] do BRB, ia ter que me desvincular de todos os cargos públicos, porque o banco privado tem concorrência", disse.
Costa ainda oferece, no depoimento, uma explicação para os imóveis recebidos do dono do Banco Master. Segundo o ex-presidente do BRB, ele precisaria, como presidente da holding, ter residência fixa em São Paulo, e por isso colocou como condição a garantia de uma moradia fixa na cidade.
"Eu precisaria morar em São Paulo e poderia ter uma responsabilidade como conselheiro no BRB", disse. "Na minha visão, não fazia sentido eu ter que comprar duas casas, ter dois custos."
Segundo a investigação da Polícia Federal, o ex-presidente do BRB teria recebido seis imóveis de alto padrão localizados em São Paulo e no Distrito Federal para viabilização da aquisição de carteiras consideradas fraudulentas no caso do Master. A investigação acredita que se tratava de propina.