Um armário que permaneceu lacrado por quase 2.000 anos em Pompeia revelou um retrato da vida de um morador antes de a erupção do Vesúvio destruir a antiga cidade romana, em 79 a.C. Entre os itens estão utensílios de maquiagem, moedas e panelas.
Arqueólogos reconstituíram partes do armário de madeira a partir de vestígios descobertos em uma casa na Via dell'Abbondanza, uma das ruas mais movimentadas da antiga Pompeia, informou o departamento responsável pelo sítio arqueológico.
"Não podemos dizer com certeza a identidade de quem viveu na casa, mas esses fragmentos nos aproximam do cotidiano dessa pessoa", afirmou o diretor do sítio arqueológico, Gabriel Zuchtriegel.
Entre os objetos guardados no interior havia um colar composto de pelo menos 24 pequenos objetos feitos de osso, de pasta de vidro, de cerâmica e de cristal de rocha, com imagens dos deuses Bes e Mercúrio.
Esses colares eram tradicionalmente dados às crianças romanas tanto como amuletos de proteção quanto como chocalhos —o som ajudava os adultos a saber onde elas estavam.
Outros achados contam uma história mais prosaica sobre a vida cotidiana.
Havia pinças, um pequeno frasco de vidro para perfume ou unguento e um incensário, além de recipientes de bronze, vidro e cerâmica e panelas.
Pesos de chumbo em uma caixa de madeira indicavam que alguém da casa estaria envolvido com o comércio.
Um pequeno recipiente de tecido trançado continha 38 moedas de bronze.
"Pompeia não é apenas um lugar de grandes obras de arte. É também um lugar onde os objetos mais comuns recuperam a dimensão humana do passado", afirmou Zuchtriegel.
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Dois mil anos depois, estudiosos ainda discordam sobre o dia da erupção do Vesúvio, em 79 d.C.
"O valor dessa descoberta está na possibilidade de interpretar, em conjunto, os diferentes vestígios de uma vida: hábitos pessoais, trabalho e memórias."
A casa, localizada em uma área central de Pompeia, é associada a um homem chamado Cornelius Maximus devido a inscrições encontradas no local. A fachada do imóvel foi escavada pela primeira vez em 1912, mas só agora os arqueólogos investigaram alguns dos cômodos atrás dela, como parte de um projeto mais amplo de restauração.
A escavação também r evelou indícios de que alguns problemas da vida urbana mudaram muito pouco em dois milênios: os arqueólogos encontraram os esqueletos fragmentados de dois camundongos jovens dentro de uma ânfora mantida em uma área elevada de armazenamento.
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