Ao menos 67 nações já decidiram suspender a importação de carne, produtos cárneos e miúdos de aves do Brasil após focos da doença de Newcastle serem confirmados em três granjas comerciais de Santa Catarina. As restrições estão divididas em três grupos: aqueles que interromperam as compras de todo o país, os que limitam o embargo ao estado de Santa Catarina e os que barraram as compras apenas dos municípios com foco confirmado.
O que aconteceu
O Ministério da Agricultura e Pecuária confirmou os novos embargos. Os vetos reúnem 67 países consumidores do frango brasileiro após a confirmação de focos da doença em granjas nos municípios catarinenses de Nova Itaberaba, Coronel Freitas e Nova Erechim. Os locais afetados passam pelo procedimento de despovoamento sanitário e desinfecção do ambiente onde os animais estiveram.
Governo diz manter contato com parceiros para atualizar dados sanitários. O objetivo da ação é reforçar a confiança na defesa agropecuária brasileira e assegurar a normalização das exportações. A estratégia envolve ainda o uso da regionalização sanitária para restringir barreiras comerciais apenas às áreas afetadas, seguindo diretrizes internacionais.
A identificação dos focos evita perdas potenciais de US$ 954 milhões por ano. A estimativa do Ministério da Agricultura considera as exportações brasileiras de 2025 e compara as decisões atuais com o cenário de bloqueio total que seria aplicado em regras antigas.
Grandes compradores reduziram os impactos financeiros potenciais no mercado. A China, que restringiu as importações apenas de Santa Catarina, responde por US$ 485 milhões das perdas evitadas. Outras suspensões envolvem a Arábia Saudita (US$ 293 milhões) e a Argentina (US$ 57 milhões), além de contenções adotadas por África do Sul, Jordânia, Cuba, Egito e Vietnã.
Reação coordenada
Ministério da Agricultura e Pecuária declarou emergência zoossanitária por 60 dias em quatro municípios catarinenses. A decisão ocorreu após a confirmação de um foco em Nova Itaberaba, englobando também Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim.
O SVO (Serviço Veterinário Oficial) lidera as investigações e a vigilância sanitária no local. Enquanto os técnicos atuam no campo, equipes de comércio e diplomacia compartilham informações com autoridades estrangeiras sobre as medidas de controle.
Consumo liberado
Doença de Newcastle não inviabiliza a alimentação com frangos e ovos. As autoridades ressaltam que o foco isolado do vírus da doença não traz nenhum risco para o consumo de carne de frango e derivados. As entidades do setor e órgãos de defesa sanitária garantem que a enfermidade não é transmitida pela ingestão da proteína animal. "O consumo de produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanece seguro, sem contraindicações", diz o Ministério da Agricultura.
Risco da doença é restrito a quem faz o manejo direto de animais vivos infectados. O presidente da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) explica que o contágio humano é raríssimo. "O risco é baixíssimo, apenas para quem está no manejo direto com o animal vivo e infectado, e se apresenta com sintomas leves, sem impactos severos ao indivíduo", garante ele.
Eventual contágio em humanos é classificado como inexpressivo. O presidente do ANFFA Sindical (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários), Janus Pablo Fonseca, afirma que o contato pode causar apenas sintomas leves, como conjuntivite ou irritação respiratória moderada. "Embora seja encarada como uma zoonose, a Newcastle traz um risco populacional muito baixo", relata.
A doença não vai chegar à população, porque o vírus é muito sensível ao aumento de temperatura. A população pode ficar tranquila em consumir os produtos.Janus Pablo Fonseca
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