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UOL Economia há 6 d • Ter, 27 Out 2026 17:10:31 -0200

Dólar fecha em queda após disparada eleitoral; Ibovespa recua 0,51%

Dólar fecha em queda após disparada eleitoral; Ibovespa recua 0,51%

O dólar comercial fechou esta terça-feira (27) em queda de 0,97%, cotado a R$ 5,350, devolvendo parte da disparada registrada após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, encerrou o pregão em baixa de 0,51%, aos 175.710,05 pontos.

Na segunda-feira (26), o dólar havia saltado 8,21%, enquanto o Ibovespa despencou 13,88%, na maior queda desde março de 2020. A intensidade das vendas levou ao acionamento do circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações quando a Bolsa registra perdas acentuadas.

O que aconteceu

Mercado tentou se recuperar após a turbulência da véspera. Segundo Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, o Ibovespa ensaiou uma recuperação pela manhã, mas perdeu força ao longo da sessão. Os investidores continuaram à espera de sinais sobre a composição da equipe econômica e as propostas fiscais para o próximo mandato.

O sentimento ainda é de cautela e estudo e o mercado espera por novidades do governo em relação à parte econômica. Marcos Bassani, estrategista de investimentos e sócio-fundador da Boa Brasil Capital

Dólar recuou com realização de lucros. Na avaliação de Bassani, parte dos investidores aproveitou a forte valorização de segunda-feira para vender posições na moeda americana e embolsar ganhos. O movimento, porém, não representou uma mudança nas preocupações com a condução das contas públicas.

Juros futuros também devolveram parte da disparada anterior. Nas últimas cotações disponíveis, entre 17h10 e 17h11, a taxa do contrato para janeiro de 2027 marcou 13,665% ao ano. O vencimento de janeiro de 2029 ficou em 14,780%, enquanto o de janeiro de 2031 registrou 14,900%. Os números ainda eram parciais.

Tesouro Nacional voltou a atuar para conter a volatilidade. O órgão anunciou uma recompra de títulos públicos corrigidos pela inflação, as NTN-Bs, com vencimentos em 2030, 2035, 2040 e 2045. Também cancelou o leilão de títulos atrelados à Selic previsto para a sessão. A atuação buscou reduzir as oscilações e melhorar as condições de negociação.

Intervenção ajudou a aliviar os juros, segundo Bassani. O estrategista apontou a atuação do Tesouro como um dos fatores para a queda das taxas. Ainda assim, avaliou que o movimento representou apenas uma acomodação após a forte alta da véspera, com os juros permanecendo em patamares elevados.

Tenda, Magazine Luiza e Hapvida recuperaram parte das perdas. As ações da Tenda avançaram 10,20%, a R$ 23,01, enquanto as do Magazine Luiza ganharam 8,49%, a R$ 5,75. Direcional subiu 5,35%; Vamos, 5,05%; e Hapvida, 5,03%.

Quedas expressivas da véspera abriram espaço para compras. Segundo Bassani, a forte desvalorização atraiu investidores interessados em aproveitar preços mais baixos. Na segunda-feira, Magazine Luiza havia perdido 58,23%, Vamos, 56,79%, e Hapvida, 54,93%. O recuo dos juros também favoreceu a reação de empresas mais dependentes de crédito, como varejistas e construtoras. A recuperação, porém, compensou apenas parte das perdas anteriores, conforme reportagem sobre o movimento das ações.

Recuperação não alcançou todas as empresas ligadas à economia doméstica. Natura caiu 6,94%, enquanto Totvs perdeu 6,78%. MRV recuou 5,71%, apesar da valorização de outras construtoras. CSN teve baixa de 4,99%, e as ações preferenciais da Metalúrgica Gerdau caíram 4,51%.

Vale e Petrobras pressionaram o Ibovespa. As ações da Vale recuaram 2,14%, a R$ 63,00, acompanhando a queda do minério de ferro na China. O contrato mais negociado em Dalian perdeu 0,9%, a 664 iuanes por tonelada, após atingir o menor patamar desde setembro de 2024. A demanda chinesa mais fraca, a perspectiva de aumento da oferta e a proximidade do inverno no hemisfério norte pressionaram a commodity, conforme reportagem sobre o mercado de minério.

Petróleo mais barato também pesou sobre a Petrobras. As ações preferenciais da estatal caíram 2,02%, a R$ 52,79. No exterior, o Brent para janeiro recuou 1,20%, a US$ 109,41 por barril, enquanto o WTI para dezembro perdeu 1,83%, a US$ 99,90, diante de possíveis avanços diplomáticos envolvendo o Irã, conforme noticiário sobre o fechamento do petróleo.

Bancos tiveram desempenho desigual. As ações do Banco do Brasil caíram 0,52%, enquanto as preferenciais do Itaú Unibanco perderam 1,22% e as do Bradesco recuaram 1,38%. Já os papéis da B3 avançaram 2,19%.

Citi revisou recomendações para o setor financeiro. O banco passou a recomendar venda das ações do Banco do Brasil, citando preocupações com a qualidade dos empréstimos ao agronegócio e riscos políticos. Bradesco e B3 passaram a ter recomendação neutra, enquanto o Itaú permaneceu como a principal escolha entre os bancos.

Bolsas americanas fecharam em alta, puxadas pela tecnologia. O Nasdaq Composite avançou 1,18%, aos 26.477,81 pontos. O S&P 500 ganhou 0,60%, aos 7.722,61 pontos, enquanto o Dow Jones teve leve alta de 0,03%, aos 52.377,57 pontos. Segundo Nossig, empresas como Nvidia, Broadcom, Amazon e Tesla ajudaram a sustentar os ganhos em Wall Street.

Investidores aguardam decisão de juros nos Estados Unidos. O Federal Reserve, banco central americano, anuncia nesta quarta-feira (28) sua próxima decisão. Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, apontou a manutenção da taxa entre 3,75% e 4% ao ano como cenário esperado pela instituição.

Comunicado do Fed será acompanhado em busca de sinais sobre os próximos passos. Segundo Kayo, uma indicação de juros americanos elevados por mais tempo poderia fortalecer o dólar e pressionar os ativos de países emergentes. No Brasil, o próximo encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) está marcado para 3 e 4 de novembro.

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Fonte da Notícia: UOL Economia
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