As montadoras da Europa e dos Estados Unidos destacaram em seus balanços do segundo trimestre prejuízos e preocupações com a ascensão da China no mercado automotivo mundial.
O que aconteceu
Montadoras avaliam que o cenário prejudica a competitividade. A Volkswagen destaca que a expansão dos carros chineses no mercado mundial figura como ponto de atenção. Segundo o balanço da empresa, o cenário resultou em queda de 31,6% nas entregas da marca para o mercado chinês.
General Motors e Mercedes-Benz também relatam perda de espaço. Enquanto a GM diz que as vendas para o mercado chinês recuaram 20,3% (de 448 mil para 357 mil unidades) na comparação com o mesmo período do ano passado, a montadora alemã registrou uma retração de 30% nas vendas do segundo trimestre.
Exportações de veículos chineses geram alerta. Conforme os relatórios, a entrada dos automóveis da China no mercado global aumentou a pressão no segmento, comprimindo margens. A queixa mais direta parte do Grupo Volkswagen, que admite ter dificuldade em lidar com as mudanças.
Mercedes-Benz lamenta perda de espaço no mercado automotivo chinês. A montadora menciona que o "desenvolvimento negativo" no mercado afetou o desempenho da Beijing Benz Automotive Co., braço da empresa para a fabricação de veículos de passeio e motores em Pequim.
Devido ao desenvolvimento negativo do mercado automotivo chinês, os resultados da Beijing Benz Automotive Co. no primeiro semestre de 2026 acumularam um prejuízo de 445 milhões de euros. Essa retração foi puxada principalmente pelo segundo trimestre, que registrou, isoladamente, uma perda de 561 milhões de euros [saldo parcialmente compensado pelo resultado positivo do primeiro trimestre].Balanço da Mercedes-Benz
General Motors prevê reorganizar as operações da marca na China. Sem o controle dos negócios conjuntos em Pequim, a empresa planeja "ajustes especiais" de US$ 177 milhões para se adaptar melhor no mercado local. A decisão surge mesmo com a alta de 16,9% no lucro de equivalência patrimonial das joint ventures, na comparação com o mesmo período de 2025.
Expansão da indústria automotiva chinesa alcança o mercado brasileiro. O relatório mais recente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) indica que metade dos 280,6 mil veículos importados no primeiro semestre tem origem na China (140,8 mil), alta de 98,5% na comparação com o mesmo período do ano passado (71 mil).
Número contrasta com perda de participação da Alemanha e da Argentina. Na contramão da China, os emplacamentos de carros argentinos caíram 16% (de 102,8 mil para 86,4 mil). Já em relação à Alemanha, a queda foi de 3,1% (de 12,2 mil para 11,9 mil)
Em um ambiente em que o mercado total chinês caiu 20% e os concorrentes chineses estão aumentando as exportações e, consequentemente, a pressão competitiva na Europa, as iniciativas atualmente planejadas não são suficientes.Antlitz, diretor-financeiro do Grupo Volkswagen
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