A Ambev, maior cervejaria do Brasil e dona também de marcas de refrigerantes e bebidas não alcoólicas do Brasil, reportou lucro líquido ajustado de R$ 3,49 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 23,3% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado exclui eventos extraordinários do trimestre. Com os efeitos não recorrentes, o lucro foi de R$ 3,47 bilhões, avanço de 24,5% na mesma comparação.
Destaques do trimestre
A receita líquida da Ambev somou R$ 20,15 bilhões no trimestre, alta de 0,3% sobre os R$ 20,09 bilhões de um ano antes. Em base orgânica — métrica própria da empresa que exclui variação cambial e mudanças de perímetro societário —, o crescimento foi de 6,1%, puxado por um aumento de 4,6% na receita por hectolitro e pela performance de volumes. A diferença entre os dois números vem, sobretudo, da conversão cambial negativa em mercados como Canadá e América Central e Caribe, além do efeito da contabilidade de hiperinflação na Argentina.
O volume total vendido cresceu 1,4% no trimestre, informou a Ambev. A companhia atribui o resultado ao desempenho da América Central e Caribe (+5,4%) e de cerveja no Brasil (+5%), que compensaram quedas no Brasil em bebidas não alcoólicas (-4,4%), América Latina Sul (-2,9%) e Canadá (-1,8%).
O Ebitda ajustado (indicador que mede a geração de caixa) somou R$ 6,38 bilhões, alta de 3,6% nos valores reportados. Em base orgânica, o avanço foi de 8,9%, com a margem Ebitda ajustada subindo de 30,6% para 31,6%. A empresa atribui a expansão à gestão disciplinada de receitas e custos em todas as suas unidades de negócio em meio às ativações relacionadas à Copa do Mundo.
Continuamos investindo em nossas marcas e em nossas capacidades de construção de marcas. Neste trimestre, a Copa do Mundo da Fifa destacou essas capacidades, com ativações do nosso portfólio de marcas em diversos países, canais e ocasiões de consumo. Esses investimentos contribuíram para fortalecer ainda mais a conexão das nossas marcas com os consumidores durante o torneio.Balanço da Ambev
Segmento premium e demanda gerada na Copa inibiram o efeito das "condições climáticas adversas". A Ambev cita que a demanda incremental gerada em função do Mundial foi comprovada pelo desempenho da plataforma Zé Delivery, que mais do que dobrou o número o número de pedidos durante os jogos da seleção brasileira.
Os investimentos (capex, o gasto em máquinas, obras e tecnologia) somaram R$ 879,9 milhões no trimestre. O valor é 19,1% menor que os R$ 1,09 bilhão do mesmo período de 2025, segundo o fluxo de caixa consolidado da companhia.
A posição de caixa líquido — quando o caixa disponível supera a dívida — era de R$ 15,40 bilhões em 30 de junho de 2026. O valor é menor que os R$ 16,93 bilhões registrados em 31 de dezembro de 2025, de acordo com o balanço patrimonial da companhia.
O que diz a Ambev
A Ambev afirma ter ganhado participação de mercado em diversos segmentos no trimestre. A companhia destaca o desempenho do portfólio premium e de marcas como Michelob Ultra, que mais que triplicou os volumes no Brasil e na Argentina.
A execução consistente da nossa estratégia de crescimento resultou em mais um trimestre de crescimento de volume de cerveja, com performance sólida da receita líquida e do Ebitda ajustado.Carlos Lisboa, CEO da Ambev
O conselho de administração aprovou, em 29 de julho de 2026, uma nova distribuição de JCP (Juros sobre Capital Próprio). O repasse, de aproximadamente R$ 1,1 bilhão, será feito até dezembro de 2026. A companhia também vai pagar R$ 1,9 bilhão em 6 de outubro de 2026, referente à última parcela de JCP declarados em dezembro de 2025.
A Ambev manteve inalteradas suas estimativas para este ano. O guidance traz a expectativa de aumento entre 4,5% e 7,5% no custo dos produtos vendidos por hectolitro (unidade de medida de volume e capacidade equivalente a 100 litros) em cervejas nacionais.
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