O JP Morgan reduziu a recomendação para o real e para os títulos brasileiros em moeda local após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O banco americano trabalha com dólar a R$ 5,50 e estima que a Bolsa brasileira possa cair aproximadamente 20% nos próximos dias, em relação aos níveis anteriores à reação ao resultado eleitoral.
Em relatório divulgado nesta segunda-feira (26), assinado por Cassiana Fernandez, Vinicius Moreira e outros integrantes das equipes de economia e estratégia, o banco afirma que investidores tinham se preparado para uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL), associada à expectativa de mudanças na política econômica e de maior controle dos gastos públicos.
Com a reeleição de Lula, o JP Morgan vê cenário em que os investidores tendem a rever posições diante da perspectiva de continuidade da política econômica e de incertezas sobre o ajuste fiscal.
O que você precisa saber
JP Morgan reduz aposta no real e nos títulos brasileiros. O banco passou sua recomendação de overweight, exposição acima da referência, para market-weight, posição neutra. A mudança significa que a instituição deixou de recomendar uma exposição maior que a habitual a esses investimentos, diante dos riscos identificados após a eleição.
Dado que os mercados haviam incorporado um resultado eleitoral materialmente diferente, esperamos uma reprecificação significativa dos ativos brasileiros. JP Morgan, em relatório
Dólar pode chegar a R$ 5,50. A cotação representa uma desvalorização de aproximadamente 10% do real em relação à referência utilizada pelo banco. Segundo os analistas, a intensidade da alta e uma eventual estabilização dependerão das primeiras sinalizações do governo, principalmente sobre a condução das contas públicas.
Banco evita apostar diretamente contra o real. Apesar de esperar a desvalorização da moeda brasileira, o JP Morgan prefere uma posição neutra. Isso ocorre porque os juros elevados no Brasil tornam mais caro manter operações que apostam na alta do dólar contra o real.
Bolsa pode cair cerca de 20% nos próximos dias. A equipe de ações, liderada por Emy Shayo Cherman, estima que os investidores poderão aceitar pagar menos pelos lucros esperados das empresas brasileiras, diante das incertezas sobre a política econômica.
Ações podem ficar mais baratas mesmo sem queda imediata dos lucros. Na sexta-feira, a Bolsa brasileira era negociada a aproximadamente 9,7 vezes o lucro projetado para os 12 meses seguintes. O JP Morgan considera possível que essa relação caia para uma faixa entre sete e 8,3 vezes. Isso significa que os investidores poderiam pagar menos pelas ações, mesmo que as previsões de resultados das companhias não mudem.
Banco havia elevado recomendação para ações brasileiras após o primeiro turno. Em 5 de outubro, o JP Morgan tinha aumentado a exposição recomendada à Bolsa diante da expectativa — naquele momento — de mudanças na política econômica. Com a vitória de Lula, entretanto, a instituição passou a considerar menos provável uma alteração significativa na condução do governo.
Diante do resultado eleitoral, é improvável que a política econômica mude muito daqui para a frente. JP Morgan, em relatório
Empresas mais endividadas e dependentes do consumo estão entre as vulneráveis. Segundo o banco, juros elevados encarecem o financiamento das companhias e dificultam a recuperação das vendas. Empresas menores, que geralmente têm menos acesso a crédito barato, também podem enfrentar maior pressão.
Exportadoras podem resistir melhor à queda da Bolsa. Companhias que recebem parte relevante de suas receitas em dólar tendem a se beneficiar da desvalorização do real, já que os valores obtidos no exterior passam a valer mais quando convertidos para a moeda brasileira. O efeito final depende também dos custos e das dívidas dessas empresas.
Pressão sobre a dívida pública
JP Morgan também reduz recomendação para títulos brasileiros no exterior. O banco passou de neutra para underweight, exposição abaixo da referência, sua avaliação sobre a dívida soberana brasileira emitida em moeda estrangeira. Segundo a instituição, esses papéis podem continuar pressionados enquanto não houver sinais de mudanças na política fiscal.
Banco prefere títulos de empresas com menor risco de crédito. Entre as dívidas corporativas, o JP Morgan mantém preferência por companhias consideradas mais capazes de cumprir seus pagamentos mesmo em períodos de turbulência, reduzindo a exposição às emissoras de maior risco.
Juros de títulos locais podem chegar a 15,5% em cenário adverso. O banco considera esse rendimento para a carteira brasileira acompanhada pelo índice GBI-EM em uma simulação pessimista. A taxa não representa uma projeção para a Selic, mas uma referência para os títulos públicos analisados.
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