A Bolsa brasileira perde aproximadamente R$ 835,2 bilhões em valor de mercado entre o fechamento de sexta-feira (23) e o início da tarde desta segunda-feira (26), após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O levantamento, feito com dados da B3 e cotações de 297 companhias, mostra a dimensão da queda das ações na primeira sessão após o segundo turno.
A perda ocorre em meio à revisão das expectativas dos investidores para a política econômica do próximo governo. Segundo relatórios de bancos divulgados nesta segunda-feira, parte da valorização anterior dos ativos brasileiros refletia apostas na vitória de Flávio Bolsonaro (PL) e em uma política de maior contenção dos gastos públicos.
Bancos e empresas ligadas à economia doméstica ficaram entre os setores mais pressionados, enquanto exportadoras como Vale, WEG, Suzano e Embraer, registraram valorização, compensando parte das perdas.
O que aconteceu
Juros mais altos e preocupação fiscal pressionam as ações. A equipe de Carlos Sequeira, do BTG Pactual, avalia que o resultado eleitoral pode elevar os juros de longo prazo, enfraquecer o real e limitar os cortes da Selic. Taxas maiores encarecem o financiamento das empresas e tornam investimentos em renda fixa mais atraentes em comparação com as ações.
Apenas o anúncio de uma equipe econômica crível e sinais de disciplina fiscal poderiam criar condições para juros mais baixos. BTG Pactual, em relatório, em tradução livre
Citi também vê reação às expectativas frustradas. Em relatório assinado por Andre Mazini, o banco associa a queda das ações à diferença entre o resultado eleitoral e o cenário considerado por parte dos investidores. As principais preocupações envolvem a política fiscal, as empresas estatais e a agenda de reformas.
Bancos ficaram entre os setores mais afetados. A forte desvalorização das ações do setor financeiro contribuiu para a perda de valor de mercado, assim como a queda da Petrobras e de empresas ligadas ao consumo doméstico.
Exportadoras resistiram à queda generalizada. Vale, WEG, Suzano e Embraer registraram valorização no período analisado. Segundo o BTG, empresas com receitas em dólar podem se beneficiar da desvalorização do real, já que o dinheiro recebido no exterior passa a valer mais quando convertido para a moeda brasileira. O efeito final depende também dos custos e das dívidas de cada companhia.
Empresas menos endividadas podem enfrentar melhor a turbulência. O BTG também aponta negócios mais resistentes às oscilações da economia como alternativas para atravessar o período de volatilidade. Isso significa uma expectativa de desempenho relativamente melhor, não necessariamente de valorização das ações.
Como foi feito o levantamento
Cálculo considera 297 empresas da tabela oficial da B3. O levantamento partiu de um universo de 339 companhias. Dessas, 309 tinham valor de mercado positivo informado pela Bolsa, mas apenas 297 apresentavam preços comparáveis para calcular a variação. As empresas analisadas representavam 99,61% do valor de mercado registrado na posição-base da B3.
Preços foram coletados no início da tarde. As cotações foram consultadas por volta das 14h. O cálculo utilizou os valores oficiais da B3 para a sexta-feira e os preços disponíveis na segunda-feira, considerando também o tratamento das units, certificados que reúnem diferentes classes de ações.
Resultado ainda é parcial. Outras 12 empresas, que somavam R$ 22,55 bilhões em valor de mercado na posição-base, ficaram sem cotações comparáveis. A tabela oficial também continha 30 registros com valor zerado, o que não significa ausência de valor econômico. Em 34 companhias, foram necessárias aproximações entre classes de ações.
Perda não significa saída de R$ 835 bilhões da Bolsa. O levantamento mede a redução do valor atribuído às empresas com base nos preços de suas ações. Não corresponde ao dinheiro efetivamente retirado pelos investidores nem representa um cálculo oficial da perda total de todas as companhias listadas.
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