O dólar comercial fechou esta sexta-feira (23) em queda de 0,90%, cotado a R$ 4,993, no último pregão antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25). O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, encerrou o dia em alta de 0,47%, aos 205.083 pontos.
Na semana, o dólar acumulou queda de 1,58%, enquanto o Ibovespa recuou 0,17%. A valorização do índice nesta sexta-feira não foi suficiente para reverter as perdas do período, marcado pela cautela dos investidores antes do segundo turno das eleições.
O que aconteceu
Dólar perdeu força durante a tarde e terminou perto da mínima do dia. A moeda americana oscilou entre R$ 4,988 e R$ 5,056 ao longo da sessão, em meio aos ajustes de posições dos investidores antes da votação.
Movimento pode ter refletido entrada de recursos estrangeiros. Segundo Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, o recuo do dólar pode estar relacionado à reorganização das carteiras e a algum fluxo de capital vindo do exterior. O especialista ressalta, porém, que o mercado permaneceu cauteloso diante da disputa eleitoral apertada e do debate televisivo previsto para esta noite.
Bolsa ganhou força à tarde, apoiada por Petrobras e bancos. Segundo Kayo, as compras ganharam ritmo com o posicionamento dos investidores antes da eleição. As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) subiram 1,47%, enquanto as do Bradesco (BBDC4) avançaram 0,74% e as do Itaú Unibanco (ITUB4), 0,63%. Vale (VALE3) também ganhou 0,67%.
Disputa apertada limitou movimentos mais fortes na semana. Lucas Xavier, chefe da mesa de renda variável e sócio da AW Capital, avalia que os investidores ajustaram suas posições conforme as pesquisas eleitorais e as expectativas sobre as contas públicas. Segundo ele, a eleição concentrou as atenções e reduziu a influência do cenário internacional sobre os ativos brasileiros.
Parte de uma eventual vitória de Flávio já estava refletida nos preços. Xavier considera que o mercado antecipou parte dos ganhos esperados nesse cenário, o que poderia limitar uma nova alta após a votação e levar investidores a realizar lucros. Na avaliação dele, uma reeleição de Lula poderia provocar queda da Bolsa e valorização do dólar.
O dia também teve a divulgação do IPCA-15, que desacelerou de 0,70% em setembro para 0,32% em outubro. Apesar do alívio mensal, a prévia da inflação acumulou alta de 4,62% em 12 meses, acima do teto de 4,5% da meta.
Petróleo superou US$ 117 por barril durante o pregão. A alta refletiu o temor de interrupções no abastecimento do Oriente Médio. Bruno Cordeiro, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, relaciona o movimento às tensões na Arábia Saudita, incluindo a evacuação da sede da Saudi Aramco diante da possibilidade de novos ataques dos houthis, grupo do Iêmen aliado do Irã.
Rotas de transporte de petróleo também ficaram sob ameaça. Segundo Cordeiro, a escalada aumentou os riscos no estreito de Bab el-Mandeb, utilizado como alternativa diante das restrições ao escoamento pelo estreito de Ormuz. A possibilidade de redução das exportações da região contribuiu para elevar as cotações.
Juros futuros recuaram no vencimento de janeiro de 2029. Na última cotação disponível, às 17h20, a taxa do contrato de DI estava em 12,635% ao ano, ante 12,710% no fechamento anterior. Esses contratos refletem as expectativas do mercado para os juros brasileiros nos próximos anos.
CSN liderou as altas do Ibovespa. As ações da siderúrgica (CSNA3) avançaram 12,41%, com a venda do negócio de cimento no radar, seguidas pelas da Usiminas (USIM5), com ganho de 4,74%. Natura (NATU3) subiu 4,50%, Cyrela (CYRE3) avançou 3,70% e Cosan (CSAN3) ganhou 3,59%.
Vibra e WEG ficaram entre as maiores quedas. As ações da Vibra (VBBR3) recuaram 3,19%, enquanto WEG (WEGE3) perdeu 2,89%. Telefônica Brasil (VIVT3), dona da Vivo, caiu 2,26%, TIM (TIMS3) recuou 2,10% e Axia Energia (AXIA3) perdeu 1,83%.
Alta do petróleo pressionou as bolsas americanas. O encarecimento da energia renovou preocupações com a inflação e os juros nos Estados Unidos, afetando principalmente empresas de consumo e do setor financeiro. As ações de tecnologia também permaneceram sob pressão diante das dúvidas sobre os custos e o retorno dos investimentos em inteligência artificial.
Bolsas americanas fecharam em queda. O Dow Jones perdeu 1,23%, aos 52.215,16 pontos. O S&P 500 recuou 0,52%, aos 7.623,68 pontos, enquanto o Nasdaq caiu 0,21%, aos 25.955,34 pontos. A próxima decisão de juros do Federal Reserve, o banco central americano, está prevista para quarta-feira (28).
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