Quase metade dos investidores consultados pelo Citi espera que o Ibovespa suba mais de 5% no primeiro pregão após o segundo turno caso Flávio Bolsonaro (PL) vença a eleição presidencial. Se Luiz Inácio Lula da Silva (PT) for reeleito, 80% projetam uma queda superior a 5% do principal índice da Bolsa brasileira.
A pesquisa, divulgada nesta sexta-feira (23), ouviu 73 participantes do mercado financeiro sobre a reação esperada da Bolsa, do dólar e dos juros na segunda-feira (26), primeiro pregão após a votação. Os números representam as expectativas dos entrevistados, não projeções do próprio Citi.
O que você precisa saber
Quase todos os entrevistados esperam alta da Bolsa com Flávio. O levantamento, apresentado em relatório dos analistas Andre Mazini, Kiepher Kennedy e Piero Trotta, mostra que 49,3% projetam valorização superior a 5% do Ibovespa nesse cenário. Outros 48% esperam ganhos entre 1% e 5%, somando 97,3% dos participantes. Apenas 2,7% preveem queda entre 1% e 5%.
Com Lula, maioria projeta queda expressiva. No cenário de reeleição do presidente, 80% dos investidores consultados esperam recuo superior a 5% do Ibovespa, enquanto outros 7% projetam perdas entre 1% e 5%. Os números desse cenário foram divulgados pela Folha de S.Paulo, que teve acesso à pesquisa.
Dólar também poderia reagir de forma diferente conforme o vencedor. Se Flávio vencer, 78,1% dos entrevistados esperam valorização do real entre 2% e 5% ante a moeda americana, enquanto 9,6% projetam ganho superior a 5%. Isso significa que o dólar tenderia a cair nesses cenários.
Reeleição de Lula poderia pressionar o real, segundo os entrevistados. Nesse caso, 63% projetam desvalorização superior a 5% da moeda brasileira, enquanto outros 28% esperam perdas entre 2% e 5%. Uma desvalorização do real significa que seriam necessários mais reais para comprar um dólar.
Juros futuros também estão no centro das expectativas. Em caso de vitória de Flávio, 54,9% dos participantes esperam queda entre 0,5 e 1 ponto percentual na taxa do contrato de DI para janeiro de 2029. Esses contratos refletem as expectativas do mercado para os juros brasileiros nos próximos anos.
Com Lula, maioria espera juros mais altos. No cenário de reeleição, 67% dos consultados projetam alta superior a 1 ponto percentual na taxa do mesmo contrato, enquanto outros 14% esperam aumento entre 0,5 e 1 ponto percentual. A elevação dos juros futuros pode encarecer o financiamento de empresas e consumidores.
Investidores ainda enxergam espaço para grandes movimentos. O relatório recebeu o título "Pouco ainda está incorporado aos preços", em tradução livre. A expressão se refere à possibilidade de parte das expectativas eleitorais ainda não estar refletida nas cotações, apesar da valorização recente dos ativos brasileiros.
Antecipação das apostas pode limitar a reação após a votação. Quando investidores esperam um resultado favorável, podem comprar ações e outros ativos antes da confirmação, elevando seus preços. Isso reduz o espaço para ganhos adicionais. As respostas à pesquisa, porém, mostram que muitos participantes ainda esperam oscilações expressivas na segunda-feira.
Fundos tradicionais e gestores com estratégias flexíveis participaram. Segundo o Citi, 40% dos entrevistados são investidores do tipo long-only, que normalmente compram ativos esperando valorização. Outros 28% representam hedge funds, que podem montar estratégias para ganhar tanto com a alta quanto com a queda dos mercados. O restante se divide entre outras categorias.
Pesquisa não mede as chances eleitorais dos candidatos. A sondagem perguntou como os participantes esperam que os mercados reajam diante de cada resultado, sem estimar a probabilidade de vitória de Flávio ou Lula. O resumo divulgado também não apresenta margem de erro nem indica que os 73 entrevistados representem o conjunto dos investidores.
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