O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou ser "totalmente impossível" cortar R$ 200 bilhões do Orçamento sem atingir programas sociais. A declaração dada em entrevista exclusiva ao Canal UOL rebate as recentes propostas de Flávio Bolsonaro (PL), candidato que disputa o segundo turno da eleição com o presidente Lula (PT).
O que aconteceu
Durigan criticou a proposta de corte orçamentário feita por Flávio Bolsonaro (PL). O ministro da Fazenda declarou que retirar R$ 200 bilhões do orçamento público, como estudado pela campanha do senador, provocaria comprometimentos graves em serviços essenciais prestados à população. "A gente precisa sim melhorar o fiscal, mas não pode ter retrocesso", afirmou.
Ministro ressaltou a complexidade prática na elaboração das contas públicas. "É impossível, e eu não digo isso da academia. Eu trabalho com isso, passei três anos como secretário executivo fechando a peça orçamentária do país, discutindo com o Congresso", afirmou.
Se dissessem que parariam com os reajustes e cortariam programas, ainda assim seria bastante difícil, mas aí teria mais clareza da proposta deles. Dario Durigan, ministro da Fazenda
Ele explicou que a montagem do Orçamento precisa acomodar disputas por verbas de diversos setores. O ministro explicou que a gestão fiscal exige equilibrar emendas parlamentares, reajustes do Judiciário e demandas de ministérios, estados e municípios dentro do limite de despesas.
Durigan também rechaçou a afirmação sobre "trocar servidor público por inteligência artificial". Ao mencionar a fala de uma interlocutora de Flávio Bolsonaro, o ministro questionou se voltaremos a ter ataques às universidades. "Um terço dos servidores públicos do governo federal é professor. [...] A universidade vai virar inimiga do governo, como foi no governo Bolsonaro?"
Redução de despesas inviabilizaria o combate ao desmatamento e o socorro a desastres. Segundo Durigan, sem recursos orçamentários, o governo não conseguirá manter brigadas de incêndio nem distribuir cestas básicas em situações de emergência.
A saúde pública e a educação superior também sofreriam impactos diretos com a medida. O ministro rebateu a ideia de trocar servidores por inteligência artificial, destacando que um terço dos funcionários públicos federais é formado por professores universitários.
Combustíveis
Durigan afirmou em entrevista ao UOL que um eventual novo governo do presidente Lula deve manter a subvenção aos combustíveis em 2027. Para isso, o ministro sinalizou que o governo pode enviar um novo projeto de lei que autorize usar a receita extra de petróleo para bancar as subvenções, como tem acontecido durante este ano. O cenário considera a manutenção do preço do barril de petróleo acima de US$ 100, devido ao conflito no Oriente Médio.
Se o Brent continuar no patamar muito elevado, e a gente seguir percebendo que a gente vai ter recurso adicional [de receita gerada pelo petróleo], é sim possível [que a gente mantenha a subvenção] [...] Essa deve ser a proposta do presidente [Lula], manter essa ajuda para suavizar, não é para controlar preço, tabelar preço, mas é para, de algum modo, evitar que a inflação no país estoure e prejudique o prato de comida. Dario Durigan, ministro da Fazenda
Governo vem usando subsídios aos produtores e importadores de diesel e gasolina ao longo deste ano. Para financiar essas subvenções, o governo tem usado a receita extraordinária com a arrecadação de petróleo. Uma lei autoriza que o governo utilize essa receita extra para bancar essas subvenções, mas somente neste ano.
Ministro sinalizou que o governo pode enviar outro projeto de lei para continuar com a mesma medida ao longo de 2027. "Eu não vou pedir mais espaço fiscal, eu não vou gastar mais. Eu vou dizer, da mesma forma, como o Brasil tem condição de arrecadar mais, eu consigo fazer essa suavização de preço", explicou.
Sobre o Imposto de Exportação de petróleo, também criado neste ano em razão do conflito no Oriente Médio, Durigan disse que o governo pode manter o tributo em 2027, se houver risco de desabastecimento do mercado interno. "Isso precisa ser avaliado do ponto de vista de abastecimento, mas isso não pode ser descartado a depender da condição global e da oferta de petróleo", respondeu.
Durigan afirmou que se o governo não tivesse adotado a subvenção ao longo de 2026, o diesel estaria custando nos postos de combustíveis mais de R$ 12 por litro, e a gasolina, mais de R$ 10. Ele afirmou, ainda, que o projeto do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato de oposição à Presidência da República, é retomar a política da Petrobras de preço de paridade internacional, o que faria o custo dos combustíveis no mercado interno disparar. "Se o projeto do Bolsonaro considerar o preço de paridade internacional e não houver uma inteligência do ponto de vista de política federal, o preço vai explodir", argumentou.
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