Depois de picos atípicos para baixo e para cima, em agosto e setembro, a inflação dá sinais de voltar a um período de "normalidade" nos meses finais de 2026.
A inflação de outubro, medida pelo IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15), divulgada nesta sexta-feira (23), registrou alta de 0,32%, moderando a alta de 0,82% em setembro, e elevando a variação de preços acumulada em 12 meses a 4,62%, depois de alcançar 4,47% no mês passado.
Acima do teto
Nas projeções do economista Fábio Romão, experiente responsável pelo acompanhamento de preços na consultoria 4intelligence, o IPCA cheio de outubro ficará ligeiramente abaixo da marca do IPCA-15 do mês, fechando com alta de 0,28%. Para novembro, o economista prevê avanço da inflação também em 0,3%, com um repique para 0,6% em dezembro.
Os movimentos de preços em outubro, captados pela variação do IPCA-15, não foram capazes de alterar as previsões para a inflação no fechamento de 2026. As projeções continuam apontando alta de 5,2% a 5,5%, acima de 4,5%, que é o teto do intervalo de tolerância do sistema de metas, e relativamente longe do centro, fixado em 3%.
No IPCA-15 de outubro foram notadas pressões em serviços, contrabalançadas por alívio previsto em energia elétrica, com bandeira verde no mês. Também o número de itens com preços em alta fez com que o índice de difusão se elevasse em relação a meses anteriores e indicasse uma certa disseminação de preços mais elevados.
Nos serviços, a alta de preços foi de 0,2%, mas, excluindo passagens aéreas, item volátil que surpreendeu para baixo, com recuo de quase 1% em outubro, os preços no setor subiram 0,45%. Descartada a deflação em passagens aéreas, a inflação medida pelo IPCA-15 teria avançado para 0,4%.
Outro fator que contribuiu para a moderação do IPCA-15 em outubro, que ficou bem abaixo das expectativas dos analistas de mercado — eles esperavam alta de 0,45% —, foi uma variação menor do que a esperada nos preços dos alimentos.
Alimentação puxa para cima
Ainda assim, a alimentação foi o item que mais contribuiu para a alta de preços no IPCA-15, com elevação de 0,9% (0,8% no domicílio), quase 60% do total. A tendência de alta se mantém para a frente.
Nas projeções de Fábio Romão, a variação de preços na alimentação no domicílio pode chegar, em novembro, a 1%. Com expectativa de elevação de 1,2% em dezembro, a inflação da alimentação no domicílio deve fechar 2026 com alta de 7,5%, operando como fator de pressão sobre o índice geral.
A média dos núcleos — medidas mais estruturais das variações de preços, que desconsideram eventos sazonais ou inesperados — registrou alta de 0,31% no IPCA-15 de outubro, com a média trimestral anualizada indicando alta de 4,4% (contra 4,1% em setembro).
Mais cortes nos juros
Depois do resultado do IPCA-15 de outubro e dos ajustes para a inflação cheia do mês, também não houve revisão nas expectativas para a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) sobre os juros básicos em novembro.
Permanece a aposta de que será definido mais um corte de 0,25 ponto percentual, trazendo a taxa básica (taxa Selic) a 13,5%, e outro, do mesmo tamanho, em dezembro, encerrando 2026 com a taxa básica em 13,25%.
O espaço para a continuidade do ciclo de redução da taxa Selic viria da desaceleração da atividade econômica prevista para o segundo semestre de 2026, fator que também determinaria a moderação prevista na inflação.
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