As ações do Santander Brasil são negociadas em baixa hoje em reação do mercado após divulgação de balanço referente ao segundo trimestre. Lucro abaixo do esperado e piora de indicadores de crédito foram apontados por analistas como fatores negativos nos resultados.
O que aconteceu
Preços das ações do Santander Brasil recuam perto de 6% na Bolsa. Por volta das 11h, as units recuavam 6,1%, a R$ 25,98, menor valor para fechamento em duas semanas.
Banco divulgou queda de 17,6% no lucro para segundo trimestre. O lucro líquido recorrente do banco somou R$ 3 bilhões no período. A carteira de crédito ampliada chegou a R$ 714,77 bilhões em junho de 2026, alta de 5,8% em um ano. Segundo a instituição, o total de clientes chegou a 76,2 milhões, alta de 6% em um ano, e o de clientes ativos, a 34,4 milhões, alta de 3%.
Lucro ficou abaixo do esperado por mercado. Previsões compiladas pela LSEG apontavam que o ganho seria de lucro de R$ 3,90 bilhões a unidade o banco espanhol Santander.
Analistas destacam aumento das provisões para perdas com crédito. O colchão para cobrir eventuais calotes somou R$ 7,7 bilhões no fim de junho, um aumento de 11,5% em relação a um ano antes. O número representa aumento de custos relacionados ao risco de crédito, que segue elevados em uma conjuntura de juros elevados e alto endividamento das famílias e de empresas.
Rentabilidade também é apontada como fator de preocupação. O Santander Brasil reportou retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de 12,5%, ante 16,4% um ano antes, sinalizando alguma deterioração de eficiência operacional.Aumento da inadimplência também pesou negativamente na reação dos investidores. O indicador de atrasos acima de 90 dias atingiu 3,3%, avanço de 0,7 ponto percentual na comparação anual.
Para o Citi, o Santander Brasil teve um trimestre foi impactado por despesas mais elevadas com provisões. Analistas apontaram que o banco continua reposicionando sua carteira para segmentos de maior retorno, como financeira ao consumo, cartões e pequenas e médias empresas. Destacam ainda que a adoção de uma abordagem mais conservadora para baixas contábeis antecipou o reconhecimento de perdas e deve continuar pressionando a lucratividade no curto prazo.
Embora esperemos alguma normalização do custo de risco nos próximos trimestres, ele deverá permanecer acima dos níveis de 2025, o que sustenta nossa visão de que as ações podem continuar pressionadas no curto prazo. Gustavo Schroden, Brian Flores e Arnon Shirazi, analistas do Citi, em relatório
Para analistas do Itaú BBA, desempenho do Santander Brasil foi marcado por uma receita fraca e provisões elevadas. A estabilidade da inadimplência de 90 dias mascara uma piora subjacente, sustentada apenas pela aceleração das baixas contábeis, enquanto a margem com clientes continuou pressionada pela compressão dos spreads.
Embora o banco mantenha crescimento em segmentos considerados mais rentáveis e tenha preservado o controle de custos, o resultado mostrou que o processo de reposicionamento da carteira ainda está impondo um custo elevado à lucratividade. Até que os próximos resultados demonstrem uma recuperação mais clara da margem ajustada ao risco, mantemos nossa recomendação de market perform [neutra]. Pedro Leduc, William Barranjard e Kelvin Dechen, analistas do Itaú BBA, em relatório
Santander Brasil teve resultado fraco, diz BB Investimentos. Para os analistas do banco de investimentos do Banco do Brasil, o balanço do concorrente não trouxe gatilhos claros de que há uma retomada mais consistente da rentabilidade.
O principal vetor negativo foi a combinação de uma margem financeira menos pujante e um custo do crédito significativamente mais pressionado, dinâmica que afetou diretamente o resultado operacional. A receita total ficou praticamente estável, mas o resultado de PDD consumiu boa parte da geração operacional do banco. Rafael Reis, analista do BB Investimentos, em relatório
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