Você sabia que um guarda-chuva descartado pode gerar até 42 metros de fita de nylon para ser trabalhada com a técnica do crochê? O processo é uma das formas encontradas pela Trama Afetiva para ampliar o reaproveitamento do material, contam os cofundadores Jackson Araújo e Thais Losso no Divã de CNPJ, do Canal UOL.
A técnica surgiu durante a pandemia, quando Araújo propôs encontrar uma maneira de aproveitar uma quantidade maior de guarda-chuvas em uma mesma criação e reduzir ao máximo as sobras do material. Losso encontrou a solução a partir de uma lembrança da infância: cortar o nylon de forma contínua, como uma casca de laranja, para transformá-lo em uma longa fita que pudesse ser usada como fio.
Eu me lembrei, quando eu era pequena, que a minha avó fazia bonequinha pra mim de saquinho de leite. Eu cortava em tirinhas, dava nozinho pra ela fazer o fio do crochê, e ela fazia bonequinhas e sacolas pra mim. Aí eu pensei: se a gente pegar o guarda-chuva e cortar que nem uma casca de laranja, vira um fio contínuo. E aí virou o fio do crochê.Thais Losso
Araújo explica que a técnica permite aproveitar inclusive guarda-chuvas que não seriam usados nas jaquetas produzidas pela marca por causa da aparência ou do estado do material.
Os guarda-chuvas que são muito feios, que ela nunca vai colocar numa jaqueta porque ela acha feio, ou tá muito manchado, a gente corta como uma casca de laranja. Cada guarda-chuva gera 42 metros de fita e a gente trabalha com outras cooperativas de artesãs, com travestis fazendo crochê com a gente.Jackson Araújo
O cofundador afirma que a primeira peça produzida com a técnica reaproveitou 103 guarda-chuvas. Em outro projeto, realizado em colaboração com Gustavo Silvestre, a Trama Afetiva utilizou 800 unidades na produção de uma tapeçaria com mulheres egressas do sistema prisional e pessoas trans em situação de vulnerabilidade.
A primeira peça que ela fez interditou 103 guarda-chuvas. A gente fez um outro projeto, em colaboração com Gustavo Silvestre, do Ponto Firme, que interditamos 800 guarda-chuvas, fazendo uma tapeçaria com mulheres egressas do sistema prisional e pessoas trans em situação de vulnerabilidade.Jackson Araújo
A marca também busca trabalhar com outros resíduos para não depender exclusivamente dos guarda-chuvas. Losso cita como exemplo retalhos de seda que chegaram misturados e amassados e precisaram passar por um processo de separação, lavagem e preparação antes de serem utilizados.
Losso define a abordagem como "design de restrição", em que o material disponível orienta o que pode ser criado. Araújo completa que a limitação de estampas e padrões dos guarda-chuvas, muitos importados, também influencia as decisões do ateliê.
Divã de CNPJ no UOL
Deixe seu comentário
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.