O atacante Richarlison, do Tottenham, voltou a se manifestar sobre a batalha judicial por uma mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ). Em vídeo postado no último sábado, o jogador acusa o candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) e o advogado Willer Tomaz de terem tomado o imóvel "na mão grande".
Entenda o caso
Richarlison alega ter investido R$ 10 milhões para a aquisição da mansão, entre 2020 e 2021, durante a pandemia da covid-19, numa sociedade com Alencar da Silveira Júnior, que presidia o América-MG à época, e Renato Velasco, que já foi seu empresário e que foi chamado de "picareta" pelo jogador no último vídeo.
O atacante contou ter recebido, na época, ofertas pela ilha, sendo uma delas de Flávio Bolsonaro, mas não aceitou vendê-la. Posteriormente, porém, teria perdido o imóvel em uma manobra judicial feita pelo político e o advogado.
"Eu não quis vender a ilha para ele. Como não quis vender, os caras pegaram na mão grande lá na Justiça. A gente estava resolvendo a papelada, e eles falaram que demorava meses ou até anos para resolver. Flávio Bolsonaro e o tal do Willer Tomaz foram lá e, em 24 horas, pegaram a posse da ilha. Aí a Justiça falhou. Os caras tomaram a ilha sem gastar um tostão, até onde eu sei. Gastei em torno de R$ 10 milhões lá e não recebi nada", afirmou Richarlison, em vídeo.
A batalha judicial
Hoje, o imóvel está sob posse da WT Administração de Imóveis, do advogado Willer Tomaz. Do lado do atacante, as partes no processo eram a Sport 70 Intermediação de Negócios, de Renato Velasco, ex-empresário do jogador, e a RR7011 Brasil Participações e Empreendimentos, empresa de Richarlison e do pai, Antonio Andrade.
A ação tramitou por cerca de três anos no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e chegou ao STJ. Após sentença desfavorável em março de 2025 e recursos sem sucesso, a Sport 70 e Velasco desistiram do processo em agosto do ano passado.
O timing para isso também se dá já depois da ruptura entre Renato Velasco e Richarlison. O jogador trocou de representante após perder a confiança nele, em episódios descritos pelo UOL em 2024.
Flávio Bolsonaro nega qualquer relação
Flávio Bolsonaro não é parte do processo. Em 2022, o senador já tinha negado envolvimento no caso.
"A defesa dele me arrolou como testemunha numa disputa de imóvel no RJ, sem eu ter absolutamente nada a ver com o tema. Parabéns ao craque Richarlison pelo golaço e pela 1ª vitória do Brasil na Copa do Mundo", publicou Flávio em novembro de 2022, quando o caso veio à tona.
Em 2021, Flávio chegou a visitar a mansão com Willer Tomaz, e naquela ocasião o advogado teria sido informado de que a propriedade tinha sido vendida à empresa de Richarlison.
Procurada pelo UOL em julho deste ano, a assessoria do senador disse que ele "não comprou, vendeu, intermediou e nem possui qualquer vínculo com o imóvel em questão, tentar associá-lo é factualmente infundado e eleitoralmente motivado".
O estafe acrescentou que Flávio "foi arrolado apenas como testemunha pela empresa do atleta que chegou a ter posse do imóvel. O processo entre proprietário e possuidor foi encerrado na Justiça e, nesse caso, cabe aos respectivos envolvidos qualquer manifestação".
Pessoas ligadas à WT dizem que Flávio nem chegou a dar depoimento, pois não houve audiência de instrução para isso.
Willer lança desafio a Richarlison: 'Apresente um documento e a ilha é sua'
Após a nova manifestação pública de Richarlison sobre o caso, o advogado Willer Tomaz procurou o UOL e, em texto encaminhado, lançou um desafio de 72h ao jogador com o título: "apresente um documento e a ilha é sua".
"O advogado Willer Tomaz desafia Richarlison a apresentar, em 72 horas, um único documento anterior a julho de 2022 que o vincule ao imóvel de Angra dos Reis: escritura pública, contrato de compra e venda registrado ou inscrição em seu nome na SPU, junto com o comprovante dos R$ 10 milhões que diz ter pago a quem tinha direitos sobre o bem. Se forem válidos, Willer Tomaz transfere a ele os direitos sobre o imóvel sem cobrar um centavo", diz um trecho da nota.
"Richarlison nunca foi parte em processo algum. A empresa ligada a ele e ao sócio Renato Velasco, a Sport 70, perdeu em todas as instâncias, inclusive no STJ, renunciou em juízo em 2025 e declarou nos próprios autos ter pago R$ 2,6 milhões a terceiros invasores, sem título, não à titular registrada do imóvel. O negócio já foi objeto de inquérito policial, arquivado por falta de qualquer indício de crime".
"Richarlison já é réu, em Brasília, pelas mentiras que repete desde julho, mesmo depois de notificado. E faz isso em plena campanha eleitoral, usando o nome de Flávio Bolsonaro que nunca foi parte em nada e só apareceu no processo como testemunha arrolada por Alencar, ex-deputado de esquerda e sócio do próprio Richarlison. A proposta está de pé. O prazo começa agora".
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